Rubens Barrichello é respeitado mundialmente por ter a carreira mais longeva da Fórmula 1. Ao todo, foram 326 GPs de 1993 a 2011. Porém, sua maior façanha é justamente a razão de um jejum, um assunto que não dá para fugir: com dois vice-campeonatos na categoria máxima do automobilismo mundial, Rubinho não conquista um título há 23 anos, mais precisamente desde 1991, quando faturou a renomada Fórmula 3 Inglesa. Nesse fim de semana, porém, o experiente piloto tem uma grande chance de acabar com o tabu. É o líder da temporada 2014 da Stock Car com 198 pontos e pode chegar até na quarta colocação na decisão deste domingo (10h30 na TV Globo) para levantar a taça no Autódromo de Curitiba sem precisar se preocupar com o resultado dos adversários. Favorito, Barrichello garante que o jejum não o incomoda:

– Já li matérias dizendo “faz não sei quantos anos que Rubinho não é campeão”. Lógico que eu fiquei um tempão na Fórmula 1… Mas tive o privilégio de ganhar vários títulos na época de kart, nas fórmulas, até chegar à F-1. E foi isso que me deu as credenciais para estar lá.

E realmente. Rubens pode até estar há muito tempo sem comemorar um título. Mas engana-se quem acha que o piloto não tem uma carreira vitoriosa. Antes de chegar à F-1, ganhou quase tudo que disputou. Foi cinco vezes campeão brasileiro e outras cinco campeão paulista de kart; na Europa, foi campeão da Fórmula Opel em 1990 e da F-3 Inglesa em 1991. O currículo impressionante na base logo o credenciou para a F-1.

Lá, foi duas vezes vice-campeão – em 2002 e 2004 – mas não chegou a disputar o título diretamente por ter ao seu lado Michael Schumacher na Ferrari. A vez que efetivamente brigou pela taça foi na passagem pela Brawn GP, quando acabou em terceiro, atrás de Jenson Button e Sebastian Vettel. Perto de voltar a gritar “é campeão”, o veterano admite que mesmo aos 42 anos, ainda sente o clássico “friozinho na barriga”:

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– Lidarei com esta prova como lidei com todas as outras situações em que decidi título – nas vezes que pude ser campeão, e nas vezes que não. Situações que me deram experiência para lidar com uma situação dessa. O conhecimento já existe. Se eu te falar que não existe friozinho na barriga, aí não teria mais paixão, tesão por aquilo que você faz. Existe sim um friozinho, mas estou super tranquilo. Estou dormindo bem, tive reuniões com a equipe. As pessoas em volta lembram mais da chance de título que eu mesmo. Eu vim para cá para ganhar a corrida e selar um grande ano.  Friozinho de verdade é quando você tem que ir para fora do país. Eu, por exemplo, tive que decidir um campeonato de Fórmula Opel na frente da F-1 para saber se um Jean Todt, ou um Ron Dennis da vida estava olhando. Ali, ganhar na frente deles é que dava frio na barriga de verdade – pondera.

Neste domingo, Barrichello pode chegar até em quarto para ser campeão. Mas a temporada 2014 prova que em um grid com tantos carros (34) nem sempre é fácil terminar entre os primeiros. E na espreita de Rubens, há outros sete competidores de olho no título: Átila Abreu (183,5) e Thiago Camilo (174,5) também estão fortes na briga. Julio Campos (167,5) é o quarto, seguido por Antonio Pizzonia (158,5), Sergio Jimenez (158) e Cacá Bueno (157). Allam Khoadair, com 153, corre por fora. Mas Rubinho prefere não esquentar a cabeça com contas. Seu objetivo em Curitiba é vencer:

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– Lógico que você tem que ter uma noção das contas para não precisar chamar o engenheiro no rádio para perguntar “e aí, como é que tá?”. Mas se ficar nesse ritmo de conta você perde a concentração no que veio fazer aqui. E todo mundo veio para ganhar corrida. No meio da prova a gente começa a fazer as contas. Até lá, tem que ser como um fim de semana normal e mandar ver, tentar ganhar a corrida. Estou tranquilo, buscando a maior pontuação possível para sair daqui como campeão.

Rubinho tem boas chances de título apenas em seu segundo ano de Stock Car. Após uma passagem discreta na Indy em 2012, ele estreou na principal categoria do automobilismo brasileiro em 2013. Segundo Barrichello, o primeiro ano foi para adaptação, para no segundo já pensar em sonhos mais altos, como o que pode realizar neste domingo.

– A Stock é muito diferente da Fórmula 1, realmente. O primeiro ano foi difícil, assim como foi o primeiro ano na Indy, por exemplo. Mas no primeiro ano de Stock eu consegui ir conhecendo, experimentando de tudo, e comecei meu segundo ano de uma forma muito mais competitiva, com mais conhecimento. Não tenho metade da experiência que um Cacá tem na categoria, mas tenho toda minha experiência de vida e vou cada dia melhorando mais.

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Barrichello não começou bem a temporada. Com 20 pontos nas primeiras três etapas, chegou a figurar na 18ª colocação. Mas depois, venceu a Corrida do Milhão, em agosto, e a corrida 1 de Cascavel logo na sequência, entrando de vez na briga pela taça. A liderança só veio na 10ª etapa, em Tarumã, quando superou a pontuação de Átila Abreu.

– O grande diferencial foi o trabalho da equipe de entender os problemas. A gente foi atrás de todos os problemas que tivemos no início do ano. Não começamos competitivos, mas modificamos o carro e chegamos na Corrida do Milhão muito competitivos, ganhamos a prova e a partir dali a equipe ganhou uma moral muito grande – explicou.

E mesmo se o título não vier, Rubinho garante: sente-se um privilegiado por, no auge de seus 42 anos, ainda ter a mesma vontade de acelerar de quando era jovem e conseguir mostrar que ainda pode ser competitivo.

– Voltei para o Brasil para fazer Stock Car, como sempre sonhei e só posso pensar que sou um privilegiado em ter, aos 42 anos, essa competitividade dentro de mim. Tenho medo um dia de não ter mais ela. E espero ter por muito tempo. Sou realmente um privilegiado de, em apenas meu segundo ano de Stock Car, estar liderando essa molecada toda. Estou aqui porque amo. O título, se vier, será uma somatória dessas coisas todas. Vamos ver. Tomara que dê certo.

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