“Muito obrigado por não deixar a torcida britânica desanimar. Você é uma lenda”, disse Príncipe Harry a Lewis Hamilton ainda pelo rádio logo depois do piloto se tornar bicampeão mundial.  Receber os parabéns de um membro da Família Real não é para qualquer um: Hamilton está com moral na terra da Rainha. Não é para menos. Após vencer o GP de Abu Dhabi e assegurar o bicampeonato, o piloto da Mercedes ainda empunhou uma bandeira britânica.

– Lewis é muito talentoso. É um grande piloto. Seu estilo agressivo agrada bastante a torcida – disse o escocês David Coulthard, vice-campeão do mundo de 2001, dono de 13 vitórias na F-1 e hoje comentarista da TV inglesa “BBC”.

Com a segunda taça (a primeira foi em 2008), Hamilton igualou Graham Hill até então o único inglês bicampeão da categoria. E como durante a temporada 2014 superou as 31 vitórias de Nigel Mansell, Lewis se tornou o piloto do país de mais sucesso. Berço da F-1, a Inglaterra é o país com o maior número de campeões mundiais. Eles contam com Jenson Button, Damon Hill,  Mansell, James Hunt, John Surtees e Mike Hawthorn.

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Curiosamente, os principais nomes do automobilismo da Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) não são ingleses, mas sim escoceses. Além da lenda Jim Clark, bi em 1963 e 1965, os escoceses contam com o britânico com mais títulos, Sir Jackie Stewart, detentor das taças de 1969, 1971 e 1973. E o próprio tricampeão tratou de exaltar o valor de Hamilton para o automobilismo britânico:

– Tivemos já outros campeões, mas poucos entraram no coração da torcida como Lewis. Nigel  foi outro exemplo de piloto identificado com os fãs – declarou o tricampeão.

E em tempos onde, através de um referendo, por pouco a Escócia não se separou do Reino Unido, Hamilton é motivo de orgulho para todos os súditos da Rainha.

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– Lewis é amado pelos britânicos, não apenas pelos ingleses. E sou escocês, sei o que estou falando – defendeu Stewart.

– Eu não vejo nós britânicos distinguindo um campeão inglês de um escocês. O fato de Lewis ser inglês não faz diferença para o escocês como o fato de Jackie Stewart ser escocês para nós ingleses. Lewis é admirado por todos os britânicos, sua história é bonita – complementou Damon Hill, campeão de 1996 e filho de Graham Hill.

Martin Brundle, que competiu na categoria de 1984 a 1996 e hoje é comentarista do canal “Sky Sports”, lembrou que, diferentemente da maioria dos esportes, na F-1 não costuma-se distinguir os países que formam a Grã-Bretanha.

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– Você pode dizer que no futebol, no rugby, há a seleção inglesa, a escocesa, verdade. Mas no automobilismo é diferente. Você não lê na segunda-feira nos jornais que um inglês venceu o GP, mas um piloto britânico venceu – explicou inglês.

Portanto, juntando ingleses e escoceses, ainda falta um título para Hamilton reescrever a história britânica na Fórmula 1. E se a Mercedes continuar soberana como em 2014, o piloto de 29 anos  pode estar apenas começando a construir seu reinado.

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