A campeã peso-galo do UFC, Ronda Rousey, foi uma das estrelas da super coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, em Las Vegas,  para a divulgação do calendário de 2015. Depois do evento, ela atendeu à imprensa em uma sala reservada, juntamente com outros lutadores. Simpática e sorridente, “Rowdy” falou sobre diversos assuntos, mas desceu do salto quando foi questionada sobre a brasileira Cris Cyborg.
A rivalidade entre as duas já não é novidade, mas ganhou um novo capítulo com a tentativa de Cris de bater 61,2kg (peso da divisão dos galos feminina) em outra organização. A atitude tem sido vista por Ronda como uma fraude e a americana, que já chegou a acusar Cyborg de trapaceira por ter sido flagrada em um teste antidoping em 2011, perdeu a cabeça quando foi comentar o assunto:

– Eu não estou nem aí para ela…sendo bem sincera? Não ligo. Cyborg é uma fraude e é terrível para o esporte. Se um dia ela entrar no UFC, é  minha responsabilidade tirá-la daqui, pois ela não pode arruinar o MMA feminino novamente. Eu não acho que ela tenha o direito de competir, sabe? Entrar no MMA usando drogas para melhorar o desempenho é o equivalente a entrar com uma arma. O que vai arruinar o esporte e todo o trabalho que nós temos feito por tanto tempo, é alguém morrer lá dentro e a outra pessoa testar positivo para esteróides. Aí nós teremos o nosso primeiro homicídio em MMA. Alguém já pensou nisso? Alguém já pensou que isso é mais importante do que números em uma m**** de card? Essa garota está apenas pensando em seus ganhos a curto prazo, ela não está pensando no esporte como todo, em cada mulher que vai vir depois dela para sempre. Fazer as pessoas acharem que ela é a melhor do mundo , quando ela não passa de um projeto de química? Essa é uma pessoa que só liga para a sua percepção e não para o seu caráter. Eu sei, porque cada vez que eu venço, sou a melhor do mundo, trabalho para chegar lá e sei que foi justo. E eu posso sair de lá com a cabeça tranquila e dormir de noite com o meu estômago cheio de asas de frango sabendo que eu fiz isso por mim mesma e não porque eu trapaceei. Ela é uma fraude, não deveria fazer parte do esporte. Essas mulheres que ela está enfrentando são muito mais do que ela e merecem muito mais do que ela. O esporte merece uma campeã que é muito melhor do que ela. Se ela tentar acabar com todo o trabalho que eu fiz, então eu vou tentar matá-la com as minhas próprias mãos e a única pessoa que pode me parar é o árbitro.

Rousey também debochou do fato de Cris ter adiado a sua estreia na divisão dos galos. A curitibana estava escalada para lutar no card do Invicta FC do dia 05 de dezembro, mas sofreu uma lesão no ligamento talofibular anterior, no tornozelo esquerdo, e teve que se retirar do card.

– Ela diz que se lesionou, mas se a sua definição de lesão é tomar muitos anabolizantes e, por conta disso, não conseguir bater o peso, acredito que você esteja muito lesionada mesmo. Mas, sabe? Eu não vou a lugar nenhum. Estou aqui, tenho o cinturão, estou esperando e é ela quem está correndo o mundo todo. Então se essa luta vai acontecer um dia, depende totalmente dela. Eu não fui a lugar nenhum, foi ela quem correu. Eu tive 13 lutas e nunca atrasei ou cancelei um duelo por causa de lesão. Você acha que eu nunca me machuquei? Ela deveria engolir isso e lutar – completou.

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Apesar da intensidade das declarações contra Cris, Ronda também falou sobre outros assuntos durante a conversa com os jornalistas. A americana, que tem duelo marcado contra Cat Zingano no dia 28 de fevereiro, em Los Angeles, disse que precisa resolver alguns assuntos pendentes depois do duelo. A encarada com Cat e até a lesão na orelha de Leslie Smith formam assuntos comentados pela campeã peso-galo. Confira os principais tópicos:

Encarada com Cat Zingano

– Não me importo com como as pessoas me encaram. A encarada não tem nada a ver com a luta. Sabe quem foi a pessoa mais esperta de todas a mexer comigo na encarada? Liz Carmouche. Porque já tive garotas na minha cara, tentando me empurrar, tive garotas rindo para mim, coisas assim. Liz Carmouche já começou a falar coisas logo ali, eu fiquei bem distraída! O que ela disse? Hmmmm (risos). Não quero que sua namorada fique enciumada comigo, mas acho que eu teria uma chance com ela ao final do dia (risos). Vamos dizer que foi isso… Foi o máximo que fui surpreendida numa encarada. Porque subo e penso as piores coisas que posso sobre a pessoa na encarada, porque acho que o seu pensamento aparece nos seus olhos, e se você estiver só olhando para a pessoa sem pensar, vai parecer um olhar vazio. Quero que minha expressão tenha uma intenção. Gosto da Cat, mas quando fui encará-la, pensei, “Caramba, Ronda, aquilo foi f***, você não devia…” (risos). Pensei algumas coisas más.

 O que Liz fez de diferente que a surpreendeu na encarada

– Acho que ela começou a cantar sua música de entrada e começou a dançar na minha frente. Eu pensei, “Err, não…Não sei o que fazer nessa situação!” (risos) Não tinha nenhuma informação prévia, nenhum conhecimento de como reagir a isso. Foi a encarada mais eficiente de todos os tempos.

O que viu nos olhos de Cat

– Cat está séria, ela vem para a luta. Dá para saber que ela tem uma criança em casa para cuidar. Não tento analisar a outra pessoa psicologicamente durante uma encarada. Lembro que a Miesha ficava tipo, “Ronda estava tremendo e piscando muito, então está com medo de mim!” E eu pensei, “É, volte para a aula de psicologia, vadia”. Não tento analisar a outra pessoa. Está ali mais para promoção, e esta coletiva está tão distante da luta… entramos de vestido e salto alto, é mais algo para a mídia. Quando é na semana da luta, aí sim você aprende muito sobre a outra pessoa.

Se já passou por uma encarada semelhante à de Jon Jones e Daniel Cormier, que acabou em briga, em agosto:

– Não posso dizer que eu reagiria bem se pusessem as mãos em mim… Miesha tentou tocar sua testa na minha e acabou com um buraco grande na testa, e ninguém tentou nada desde então. Não sei, tento não manifestar situações que não funcionariam bem para mim, porque não é bom para o esporte, não é bom para mim pessoalmente. Acho que os benefícios de algo como isso são muito curto prazo, e tento pensar no longo prazo. Tento manter as encaradas interessantes e empolgantes para os fãs, mas sou paga para lutar em 28 de fevereiro. Antes disso, só vai me custar dinheiro.

 Conor McGregor

– Fiquei tão feliz que ele estava lá, porque ele traz muita energia à sala inteira, deixa todos no clima para se divertirem. Isso torna mais fácil para mim tirar energia disso, me deixa num clima bom, me diverte, e me faz querer ser esperta e fazer piadas também. Ele estando lá, traz a melhor mídia de mim. Tornou divertido e as pessoas sabem dizer quando você está se divertindo. Ninguém quer ver um monte de gente sentada e entediada lá, e você consegue ver quando eles não querem estar lá. Entre Nick e Conor, eu estava me divertindo muito. Conor é hilário, e Nick é hilário sem querer, o que o torna ainda mais hilário para mim. Com os dois fazendo graça de um lado e do outro, eu pensei, “Droga! Por que eu estou aqui na frente?” A única coisa que não gostei na coletiva foi que o Conor estava atrás de mim, então não podia ficar olhando para ele enquanto falava (risos). Eles tornaram isso divertido.

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Cat Zingano

– Cat, como uma lutadora, tem uma formação de muay thai e jiu-jítsu, enquanto eu tenho uma formação de boxe amador e judô, então é um casamento de estilos muito interessante. É claro que eu sou parcial e acredito que eu tenho a combinação mais superior de disciplinas que poderiam ser reunidas, mas o que ela tem funcionou muito bem para ela. Ela não é uma lutadora “segura”, ela entra para trocar golpes, ela tem um muay thai muito tradicional e gosta de ficar parada trocando, e é por isso que ela está invicta, é uma das favoritas dos fãs. Há muitas coisas em seu estilo nas quais posso capitalizar. Mas ela traz um quebra-cabeça muito único. Tento vir diferente contra cada lutador diferente, e você verá algo completamente diferente e novo contra a Cat.

Força mental de Cat Zingano

– Há algumas garotas em que não conto com a parte psicológica. Com a Carmouche, por exemplo, eu sabia que ela era fuzileira e não seria intimidada. McMann, achava que não seria intimidada porque foi medalhista olímpica, e com a Cat, ela é experimentada, testada, um indivíduo que passou pelo inferno e voltou, e acho que não vou intimidá-la nem um pouco. Mas não acho que preciso disso, sou melhor atleticamente que todas essas garotas, não preciso que elas entrem sem confiança. Eu espero que elas entrem confiantes mentalmente, que sejam suas melhores versões. Não estou com os dedos cruzados que elas ficarão com medo e não aparecerão. Quero que ela apareça, quero que elas sejam as melhores. Por favor, apareça e seja a melhor lutadora que você pode ser, então eu poderei derrotá-la e você poderá se sentir bem por ter dado o seu melhor, assim como todo mundo vai se sentir bem por ter assistido a um grande show.

 Bethe Correia

– Eu disse, na última vez que eu estive lá, que eu adoraria enfrentar a Bethe Correia no Brasil. Ela está invicta e tem um cartel impressionante, adoro lutar no Brasil e, por causa da minha história como lutadora de judô sendo sempre a “garota má”, eu sempre fui para outros países lutar, nunca tive ninguém vindo até o meu país para me enfrentar. Estou acostumada com esse formato e não há nada que me assuste ou com o que eu não esteja acostumada. Eu acho que ela é muito honrada e é uma lutadora de alto calibre. Ela pode falar umas besteiras e apresentar perigo a algumas das minhas colegas de time, mas o que realmente acontece na luta é que eu considero honrado. Quando Bethe está lutando, ela luta com as regras, é uma lutadora justa e é isso que eu considero honra. Quando você trapaceia na luta, isso te faz uma pessoa não respeitável. Você pode dizer o que quiser, apenas lute com honra. E a Bethe luta com honra, é por isso que eu quero enfrentá-la, me testar contra ela e eu amo a oportunidade de lutar contra atletas invictos para dar-lhes a oportunidade de sentir o gosto da derrota.

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Decisões sobre o futuro

– Tudo, absolutamente tudo, está acontecendo ao mesmo tempo. Estou em uma situação de sorte, na qual tenho tantas opções, que eu poderia escolher vários diferentes caminhos agora. Qual caminho escolher depende muito da forma com que vou derrotar Cat Zingano.

Por que sempre entra para lutar com a cara fechada?

– Eu não faço nada. Acho que começou quando eu era criança…eu estava em competições de judô e a minha mãe não me deixava brincar com as outras crianças. As crianças que também competiam no campeonato faziam brincadeiras de mão ou coisas assim e a minha mãe me agarrava, me colocava no canto e dizia: “Sente aí e pense em como vencer”. Ela também me fazia dormir entre uma luta e outra, assim eu não conseguiria brincar, pois teria que focar. Eu aprendi que quando é hora de ter foco é hora de ter foco. Quando eu me tornei uma competidora de alto nível, já mais velha, eu era o “cara mau” em todos os lugares. Toda vez que eu entrava em uma arena, eu era vaiada por todo mundo, então eu tinha que encarar todo mundo pensando: “Eu vou calar a boca dessa gente toda”. Eu nunca trabalho pelo aplauso, eu trabalho pelo silêncio. Eu sempre senti que era eu contra o mundo, toda vez que eu lutava. Então é por isso que eu entro na arena desse jeito. Eu não entro lá sorrindo e dando tcháu para as pessoas, porque elas provavelmente não vão me dar tcháu, elas vão jogar algo na minha cara. Ser uma garota de 16 anos na Coreia  me deixou mais forte e, com o tempo, eu já tinha 27 anos.

Luta entre Jessica Eye e Leslie Smith

– As pessoas são afetadas de outra forma quando mulheres lutam e acho que isso é parte do apelo, pois te afeta emocionalmente ver algo acontecer a uma mulher. Não importa se é alguém que você nunca viu, que está em outro país ou que você não nunca vai conhecer na vida, porque aconteceu com uma mulher, isso te afeta. Eu não acho que há nada de errado em afetar as pessoas. Talvez as pessoas não gostem do que viram no início, mas a coisa é que você é afetado por uma razão e não porque aconteceu com uma pessoa que não deveria estar lá, que não deveria estar lutado ou que não deveria ter chegado a essa situação.  Eu acho que o que ficou provado naquela luta é que essas mulheres são lutadoras de verdade. Você não pode dizer que elas são fadas delicadas que precisam ser protegidas do mundo. Aquela garota quase teve a orelha rasgada e ela estava pronta para mais. E eu vi uma mulher fazer isso antes de ver um homem ter a mesma atitude.

Sobre Leslie Smith pedir para continuar lutando mesmo com a lesão na orelha:

– A luta seria parada de qualquer forma…a orelha dela estava caindo. Ela queria continuar lutando porque é uma lutadora de verdade. É por isso que o árbitro e a Comissão estão ali, pois um lutador de verdade vai lutar até morrer. O árbitro e a Comissão estão ali para te proteger, pois as lutas não podem acabar em morte, certo? Então nós temos que ter alguém ali para se certificar que é seguro e parar os lutadores antes de eles pararem, pois um verdadeiro lutador não vai parar sozinho.

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