Fabricio Werdum conquistou o cinturão interino dos pesos-pesados na madrugada de domingo, mas não sem antes dar um susto nos fãs brasileiros. O gaúcho sofreu um knockdown logo no primeiro minuto da luta contra Mark Hunt, no evento principal do UFC 180, e demorou até se encontrar e encaixar uma joelhada que derrubou o neozelandês. O novo campeão interino do Ultimate confessou, na coletiva de imprensa pós-luta, que estava um tanto “perdido no momento” no início do combate.

– No primeiro round, demorei um pouco para entrar na luta, porque tinha muita ansiedade. Passei dois meses aqui no México sem ver a minha família e claro que é normal ficarmos ansioso. Sempre digo que a visão do lutador é fechada, mas de repente estava vendo tudo. Não conseguia “fechar” a visão. Depois, quando começou, alguns golpes me pegaram, senti os golpes. (…) Dei um pouco mais de espaço no primeiro assalto, o que aconteceu porque não entrei na luta. Deveria me mover mais ainda, tinha a preparação física para me movimentar mais, só que não sei o que me aconteceu que eu não entrei na luta. Quando ele me pegou, me despertou – disse Werdum.

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Foi um dia movimentado para o peso-pesado. Com a disputa do tão sonhado cinturão no horizonte, o lutador recebeu pela manhã uma mensagem da esposa, Karine, em seu celular, com um vídeo de sua filha mais nova, Joana, de apenas nove meses, dando seus primeiros passos. Werdum não pôde acompanhar um dos momentos mais importantes do desenvolvimento da filha porque estava há dois meses concentrado no México, se adaptando à altitude de mais de 2 mil metros que enfrentaria na Arena Ciudad de México.

– Eu me emocionei um pouco, mas não queria mostrar para os demais que estava emocionado. Mas era um sinal minha filha ter dado seus primeiros passos. Isso queria dizer alguma coisa – refletiu o gaúcho durante a coletiva.

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Eventualmente, Werdum entrou na luta, mas Mark Hunt estava atento para sua estratégia: levar o combate ao chão e impor seu jiu-jítsu, arte marcial na qual o brasileiro foi tricampeão mundial e na qual o neozelandês é pouco versado. Ao encontrar pouco sucesso nas tentativas de derrubar o adversário, Werdum recorreu ao “plano B”, ensaiado também com sua equipe.

– Não pude fazer nada no solo, na minha guarda, algo que treinamos muitíssimo com Cobrinha (treinador de jiu-jítsu de Werdum). O Mark Hunt é muito inteligente, é um menino que luta muito bem e não me deixava sair do lado de fora do octógono. Como eu havia entrado duas vezes em suas pernas e vi que ele teve um ótimo sprawl, como havíamos treinado muitíssimas vezes, fintei ir embaixo, soltei a joelhada e conectei muito bem – descreveu.

Por ora, Werdum terá de dividir o título dos pesos-pesados com Cain Velásquez, campeão linear, a quem deveria ter enfrentado no UFC 180 – Velásquez sofreu uma lesão no joelho e foi forçado a desistir do combate com cerca de três semanas de antecedência. Porém, conquistar o cinturão do UFC, mesmo que interino, já é um sonho realizado para o brasileiro, que comparou a vitória a outra data marcante de sua carreira, a histórica vitória sobre Fedor Emelianenko há cinco anos, encerrando a invencibilidade de quase 10 anos da lenda russa.

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– Agora, posso dizer que é da mesma altura. Ganhar um cinturão como este é um sonho muito antigo, não é um trabalho de agora há dois meses, é um trabalho de muito tempo. Agora, coloco as duas vitórias na mesma linha, ambas estão na história. Contra Fedor, foi muito especial, mas hoje é o dia mais feliz da minha vida – decretou Fabricio Werdum.

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