Cerca de 20% da soja colhida em todo o país na safra 2014/2015 passará, em algum momento, pela BR-163 em Mato Grosso. De acordo com o 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá colher 95 milhões de toneladas em 2015, sendo 19 milhões escoados por meio da rodovia. Este volume deverá ser ainda maior com a duplicação do trecho concedido.

De acordo com o atual ministro da Agricultura Neri Geller, com a redução do custo logístico e melhores condições de escoamento, a produção mato-grossense de soja e milho poderá ser incrementada em até 8% ao ano. “Temos condições de crescer de 5% a 8% por safra. Com as obras, o produtor deverá investir neste ganho de produção”, afirma Geller, que deverá deixar o ministério no próximo governo de Dilma Rousseff.

Na próxima safra Mato Grosso produzirá 28 milhões de toneladas de soja e 18 milhões de toneladas de milho. Deste total, segundo estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), 69% passará pela BR-163. Em 2021, ainda de acordo com perspectiva do IMEA, este volume deverá alcançar 39,1 milhões de toneladas e 28,5 milhões de toneladas, respectivamente.
Para comportar este crescimento, Geller afirma que as obras de duplicação da BR-163 são indispensáveis. Ele afirma que tanto no segmento rodoviário quanto no portuário, a participação da iniciativa privada é fundamental para a viabilização dos investimentos necessários. “Sempre defendi as concessões na Casa Civil como alternativa para as questões de infraestrutura logística”, reforça.

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O produtor de Primavera do Leste, Milton Rosseto confirma a perspectiva do ministro. Segundo ele, com as obras na BR-163, a logística terá menos impacto e isso tem consequência direta nos investimentos. “Mesmo com o pedágio, o custo para o escoamento será melhor e a diferença deverá ser revertida em tecnologia. Assim, a produção e a renda deverão aumentar”.

Primeiras impressões

Nos primeiros nove meses de concessão, a BR-163 recebeu obras de recuperação emergencial de pavimento, foi iniciada a duplicação pelo trecho entre Rondonópolis e o Terminal Intermodal de Cargas da ALL e os Serviços de Atendimento ao Usuário (SAU).
Para recuperação dos pontos mais críticos, a Concessionária Rota do Oeste fez uma operação intensiva em três trechos da rodovia. Ao sul, entre a divisa com Mato Grosso do Sul e Rondonópolis, cerca de 100 quilômetros foram restaurados.

Em Cuiabá e Várzea Grande, a rodovia dos Imigrantes foi totalmente reformada com obras no pavimento e instalação da sinalização horizontal e vertical. O trecho era considerado um dos mais críticos em Mato Grosso. No último pico de escoamento de safra, em fevereiro e março deste ano, a travessia dos 28 km era realizada em até seis horas. O mesmo trajeto pode ser percorrido atualmente em menos de uma hora.

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Outro ponto importante que também passa por obras é o trecho de Diamantino até Sinop. Entre Posto Gil e Nova Mutum o pavimento estava comprometido. De acordo com o diretor técnico da Concessionária Rota do Oeste, Jackson Lisboa, o excesso de carga e a falta de manutenção adequada fez com que o processo de deterioração do pavimento fosse acelerado. “Este era um segmento muito desgastado e que precisava de intervenção urgente. Havia riscos de acidentes em virtude dos buracos”.

No trecho norte da BR-163 as obras de recuperação ainda estão em andamento, mas os resultados já podem ser percebidos. Neri Geller afirma que os avanços podem ser percebidos. “Passei pela rodovia neste fim de ano e a melhora é significativa. Não podemos ignorar que a participação da iniciativa privada foi responsável por isso”.

Esta será a primeira safra de soja escoada pela BR-163 sob concessão da Rota do Oeste, empresa que assumiu em março de 2014 a responsabilidade pela duplicação, recuperação e manutenção de 450 km da rodovia em Mato Grosso. Todas as obras entre Itiquira e Rondonópolis, a rodovia dos Imigrantes e entre Diamantino e Sinop, são realizadas pela Concessionária, com exceção das travessias urbanas de Rondonópolis, Nova Mutum e Sorriso.

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Nos trechos entre Rondonópolis e Cuiabá e entre Várzea Grande e Diamantino as obras são realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT).

Além de obras, a Rota do Oeste também presta Serviços de Atendimento ao Usuário (SAU) ao longo de 850 km, entre Itiquira e Sinop. Desde que iniciou as operações, em setembro deste ano, mais de 20 mil ocorrências foram registradas entre socorro mecânico, acidentes e demais atendimentos.
Sobre a Rota do Oeste

A Rota do Oeste, empresa da Odebrecht TransPort, é responsável pela duplicação, recuperação, conservação, manutenção e implantação de melhorias da BR-163, como a oferta de serviços de atendimento ao usuário, entre os municípios Itiquira (MT) e Sinop (MT), um trecho com extensão de 850,9 quilômetros.

Durante os 30 anos de concessão, a BR–163 receberá investimentos de R$ 5,5 bilhões. Nos cinco primeiros anos, quando serão investidos R$ 2,8 bilhões, será realizada a duplicação de um trecho de 453,6 km entre a divisa com Mato Grosso do Sul até Rondonópolis, de Posto Gil a Sinop, além da Rodovia dos Imigrantes. As demais extensões já estão duplicadas ou terão as obras executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

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