A atleta Vanda Gomes, que integrou a seleção brasileira no ano passado, foi julgada na noite desta terça-feira, na Federação Paulista de Atletismo, em São Paulo, e pegou suspensão de dois anos pelo uso da substância anastrozol (hormônio e modulador metabólico – S4). Segundo o relator do processo, Leonardo Andreotti, houve um grau de negligência elevado da atleta. Vanda preferiu não falar com a imprensa.

– É uma pena base. Se ela não conseguiu comprovar como a substância entrou no organismo, cai por terra qualquer tentativa de diminuição de pena. As decisões podem ser injustas, mas tem que ser técnica. Houve um grau de negligência elevado. Não posso fugir da interpretação da norma, a pena é de dois anos – disse Leonardo Andreotti, relator do processo e auditor da comissão disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Atletismo.

A defesa da atleta alegou que a substância tomada ajudava a precaver o câncer de mama, como explica o advogado da velocista, Leonardo Caús:

– Colocar a vida dela em discussão com o esporte é um absurdo. Ninguém pode ser punido por buscar o tratamento de câncer, principalmente no mês do Outubro Rosa. O que ela fez não contrariou os princípios do fair play, não fez mal à saúde e não trouxe benefícios para ela, esportivamente falando – alegou o advogado, que garantiu que recorrerá da sentença.

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A velocista daria uma entrevista coletiva na última sexta-feira para falar sobre o caso. No entanto, o Esporte Clube Pinheiros, clube que Vanda defende, anunciou através de um comunicado oficial o cancelamento da coletiva. Na declaração, o Pinheiros afirmou que “a entrevista será remarcada nos próximos dias, após audiência que irá julgar o resultado apresentado em teste antidopagem”.

ENTENDA O CASO

A amostra de urina da velocista brasileira foi coletada dia 25 de setembro em controle fora de competição realizado pela Conad/CBAt, antes do Troféu Brasil. O processo foi encaminhado para julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do atletismo. Ela foi informada dia 11 de novembro do resultado adverso e apresentou sua defesa oito dias depois. As justificativas apresentadas pela atleta não foram aceitas pela entidade, que comunicou da suspensão provisória no dia 5 de dezembro. A CBAt divulgou também que Vanda não requereu o exame da amostra “B” da urina no prazo determinado pelas regras da Federação Internacional de Atletismo.

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A paranaense também já foi pivô de polêmicas com CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e com companheiras de equipe desde o episódio em que deixou cair o bastão durante o revezamento 4x100m no Mundial de 2013. Após o incidente, ela fez duras críticas ao trabalho de preparação do time.

Em comunicado enviado através da assessoria de imprensa do seu clube, a atleta de 26 anos explicou que usou a medicação de forma particular, sem conhecimento de seu clube, o Pinheiros. Vanda relata que não se atentou à substância presente na medicação. Ela utilizou o medicamento para prevenir um câncer de mama e para tratar um um hiperestrogenismo, doença que faz com que o corpo produza em excesso o hormônio sexual feminino.

ESCÂNDALO DE 2009

No ano de 2009, às vésperas do Mundial de Berlim, o atletismo brasileiro viveu um de seus capítulos mais tristes: cinco atletas do extinto clube Rede Atletismo foram flagrados no exame antidoping e suspensos por dois anos. Bruno Lins, Jorge Célio, Josiane Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre foram defendidos pelos técnicos Jayme Netto e Inaldo Sena, que assumiram a culpa pelo incidente e foram banidos do esporte. No entanto, eles conseguiram revogar a punição junto ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

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Historicamente, a Federação Internacional de Atletismo vem tentando limar casos de doping, que são notáveis na modalidade. O mais recente foi o da queniana Rita Jeptoo. Melhor maratonista do ano, ela foi flagrada em exame antidoping por uso de EPO (eritropoietina), hormônio que melhora o desempenho ao produzir glóbulos vermelhos no sangue. Lembre outros casos.

No ano passado, Agência Mundial Antidoping aprovou o novo Código Mundial Antidopagem, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2015. Em relação ao código inicial, de 2009, foram feitas 2.269 alterações que aumentam a rigidez.

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