O misto de felicidade e a lívio era nítido na expressão de Vitor Miranda após a vitória sobre Jake Collier na luta de abertura do “UFC: Machida x Dollaway”, no último sábado, em Barueri. Além de estrear no peso-médio após lutar entre os pesos-pesados, Miranda vinha de derrota para Cara de Sapato na final do TUF Brasil 3, e sabia que uma nova derrota poderia atrapalhar seus planos de permanecer no UFC. A vitória, com um nocaute a apenas um segundo do fim do primeiro round, teve um sabor especial.

– Estou muito feliz por estrear com o pé direito no UFC, em uma categoria que eu não sabia se iria bem ou não. Baixei 20kg para a pesagem, e foi tudo bem. Se eu soubesse que seria tão bom eu teria mudado antes. Na metade da preparação eu vi que era esse o meu peso mesmo, porque fui ficando mais leve e mais rápido, com mais gás. Esse será o meu peso até o fim da minha carreira. Tirei um peso imenso das costas por ter vencido, porque sabia que dessa vez eu não podia errar. Na final do TUF eu errei e perdi, mas não comprometeu o meu contrato. Essa eu não podia perder, e venci. Consegui provar que sou merecedor desse contrato e de estar no evento. Agora o UFC vai decidir qual meu próximo passo. Se quiserem me segurar, seguram. Se quiserem me avançar e me colocar contra um cara mais bem ranqueado, é com eles.

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A preparação para a luta, que teve treinos exaustivos e constantes, além de estudos das lutas de Collier, foram, segundo Vitor Miranda, outro fator determinante para a vitória.

– Sabíamos que ele viria forte no primeiro round, com golpes duros, e na medida em que a luta se desenvolvesse ele diminuiria o ritmo. Foi o que aconteceu. Eu segui as ordens dos técnicos e me preservei mais no começo, mas ele me derrubou e eu não pude continuar a minha estratégia. Mas quando me levantei, senti ele muito cansado e vi que era a hora de ir para cima. Não esperava nocautear, mas acelerei no fim do round para marcar uns pontos e não ficar muito atrás, mas graças a Deus saiu o chute. Só lembro que ouvi o sinal dos dez segundos e, a partir dali, entrei no modo automático, que acontece pelas inúmeras repetições do que fazemos na academia. Nós vimos muitas lutas dele e percebemos que ele chuta muito de esquerda. Treinamos a resposta com o chute alto também. No fim da luta, ele me deu esse chute e eu respondi automaticamente. Foi exatamente isso o que nós treinamos durante três meses intensos, com muito volume de treino, até seis horas por dia. Ele me derrubou, e isso foi mérito dele. Depois disso, foi mérito meu conseguir esperar o momento certo para me levantar. Considero que fiz a minha estreia no UFC hoje. Na primeira luta, contra o Cara de Sapato, eu perdi e aprendi muito. Se eu tivesse ganho talvez tivesse vindo despreparado para essa luta. Aquela derrota me amadureceu demais.

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Mesmo sendo experiente, Vitor Miranda não escondeu a emoção ao ser aplaudido pela torcida que já lotava o ginásio para a primeira luta do card preliminar. Para o lutador, os incentivos fazem os atletas se sentirem mais importantes.

– A torcida ajudou demais. Entrei muito emocionado e me segurei para não chorar. Era a primeira luta do evento e o pessoal comparecendo em peso. Isso é raro. Nos EUA, quando você faz a primeira luta, os golpes fazem eco, porque a arena está vazia. Aqui fica cheio desde o começo, e nos faz sentir muito importantes. Essa vitória vem coroar tudo que eu passei em 35 anos. Fui contratado pelo UFC e nem sei se existe um ranking de lutador mais velho que tenha sido contratado. Eu uso tudo que acontece comigo como combustível para seguir adiante. Quero ser um exemplo para quem está começando agora, que olhem para mim e vejam que a superação é possível. Eu mudei de categoria e mostrei que é possível ser bem-sucedido mesmo com uma mudança dessas. Sempre lutei muay thai no peso-pesado, e os golpes dele não estavam fazendo efeito, não estavam me incomodando. A experiência em pesos maiores me ajudou muito nesse sentido. O problema dos pesos mais leves não é a força da pancada, mas a velocidade e a explosão para me derrubar. Ele me surpreendeu, achei que não me derrubaria, mas em compensação ele gastou muita energia no chão, e quando eu levantei me aproveitei disso.

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