Dia 29 de dezembro. Há exato um ano, Michael Schumacher iniciava a mais longa e desafiadora corrida de sua vida. Em uma tarde que era para ser de diversão com a família, o maior campeão da história da Fórmula 1 sofreu um gravíssimo acidente de esqui na estação de Méribel, nos alpes franceses, entrou em coma e precisou ser operado de emergência. Um drama que comoveu e atraiu as atenções de todo o mundo. Era o início de uma jornada que não tem prazo para acabar.

Nesses 365 dias, muito se especulou sobre o estado do heptacampeão, mas poucos foram os pronunciamentos oficiais. A família, com todo direito que lhe cabe, preferiu a reclusão e o silêncio. Amigo pessoal do heptacampeão, Phillipe Streiff quebrou o protocolo e afirmou que Michael está “paralisado e em uma cadeira de rodas”. Declarações não confirmadas oficialmente pela porta-voz Sabine Kehm.

Apesar do silêncio, muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Do Hospital de Grenoble (França), Schumi foi transferido para o Centro Universitário de Vaud, na Suíça. Depois de sair do coma, o ex-piloto foi levado para casa, também na suíça, onde recebe até hoje acompanhamento 24h por dia de uma grande equipe de especialistas. Nesse meio tempo, o drama virou caso de polícia. Um suspeito de roubar um prontuário médico do ex-piloto foi preso e dias depois apareceu morto –  a conclusão da polícia: suicídio.

As últimas declarações da porta-voz Sabine Kehm ressaltam o “longo e duro processo de recuperação”. A blindagem da família é grande e eficiente. Até hoje não houve nenhuma aparição pública ou divulgação registro em imagem do atual quadro do heptacampeão. Para relembrar todo esse período, o GloboEsporte.com fez um apanhado destacando os principais acontecimentos relacionados a Schumacher ao longo desses doze meses:

janeiro
Apreensão, homenagens e vigília

Em acidentes como o de Schumi, os primeiros dias de internação são os mais preocupantes. Com quadro instável e correndo risco de morte, ele passou por duas cirurgias de emergência ainda no fim de 2013. Dezenas de jornalistas foram escalados para Grenoble para buscar notícias sobre o piloto. Dias depois, o quadro se estabilizou e a porta-voz avisou que seria uma longa jornada. Foi um mês mais intenso, de muitas homenagens. Pela internet, pilotos e celebridades mandavam boas energias. Em frente ao hospital, centenas de torcedores da Ferrari fizeram uma vigília silenciosa no dia 3, quando o atleta completou 45 anos.

Rumores, irritação e apelo da família

Paralelamente, a polícia local investigava o caso. As primeiras conclusões revelaram que Schumi estava em “velocidade razoável para um esquiador experiente” e que “esquiava em um local fora da pista demarcada”. Foi derrubado também o boato de que o ex-piloto teria saído da pista para ajudar outra pessoa. Também foi um mês de muitas especulações e chutes: “Não será mais o mesmo”, “Terá sequelas”, “Ficará em estado vegetativo”, dizia figurões ao redor do mundo sem ter contato direto com o caso, como o amigo Philipe Streiff. Todas afirmações rebatidas com veemência pela porta-voz. Incomodados com a falta de privacidade de parte da imprensa (um jornalista chegou a se vestir de padre para tentar entrar no quarto), a esposa Corinna fez um apelo para a mídia deixar a porta do hospital.

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Redução dos medicamentos para despertar do coma

No fim do mês, uma notícia para dar esperança: após revelação de um jornal francês, a assessora Sabine Kehm confirmou que os médicos haviam começado a diminuir a dose de medicamentos que mantinham Schumi sedado, para iniciar o processo de retirada do coma.

Boatos de morte e pneumonia

Em fevereiro, dois sustos. Logo no início do mês, o Hospital de Grenoble precisou se pronunciar para negar boatos da morte do piloto, que corriam pela web. Dias depois, o jornal “Bild”, principal da Alemanha, noticiou que Schumi havia contraído uma pneumonia, uma doença de alto risco em casos como o dele. Menos de uma semana depois, a mesma publicação afirmou que o alemão havia sido curado do problema pulmonar.

Caso arquivado e relatório final

No dia 17, a promotoria francesa descartou qualquer tipo de crime no caso Schumacher, isentando de culpa a estação de esqui e as lojas de aluguel de equipamento, e arquivou o caso. O relatório final revelou que Schumi perdeu o equilíbrio ao se chocar com uma rocha e foi catapultado por mais de 10 metros até atingir uma outra pedra.

Visita de Felipe Massa: “Me senti bem em estar lá”

Companheiro de Schumacher na Ferrari em 2006 e chamado de “irmão mais novo” pelo alemão, Felipe Massa contou ter visitado o amigo no hospital, mas preferiu não dar detalhes: “Fui lá, fiquei um pouco ao lado dele e me senti até bem em estar lá. Ele está dormindo, olhando para ele é como se qualquer um de nós estivesse dormindo”.

março
Homenagens do mundo da Fórmula 1

Março foi um mês de muitas homenagens e poucas notícias. A Fórmula 1 começou a temporada na Austrália com diversos tributos ao seu maior campeão. “#KeepFightingMichael” (continue lutando, Michael) trouxe no carro a Mercedes, última equipe dele. “#ForzaMichael” (Força, Michael), escreveu a Ferrari, time pelo qual o piloto conquistou cinco de seus sete títulos. No capacete, Massa estampou as iniciais do parceiro “MS”. O autódromo do Bahrein, por sua vez, batizou a primeira curva do circuito em homenagem ao ex-piloto e escreveu uma mensagem no guard rail: “Nossos pensamentos e orações estão com você, Michael”.

Dr. Fórmula 1 mostra pessimismo e causa polêmica

Mais de um mês depois do início da retirada dos remédios, nenhum sinal de despertar, o que causava preocupação e, claro, mais rumores. Sabine, inclusive, se pronunciou para rebater as declarações pessimistas do ex-médico da F-1, Gary Hartstein, e aproveitou para negar as informações de que estaria sendo construindo uma suíte médica na casa da família na Suíça.

abril

Porta-voz: “Momentos de consciência e despertar”

O mês de abril começou com otimismo. Em um comunicado oficial, a porta-voz do piloto disse que Michael estava “progredindo da sua maneira” e que apresentava “momentos de consciência e despertar”. A mídia pegou carona na notícia e, nos dias seguintes, tabloides alemães e italianos afirmavam que Schumi fazia contato visual e respondia vozes. Nada confirmado oficialmente.

Houve também duas tentativas de invasão ao quarto de Schumacher. Se em  dezembro, um jornalista disfarçado de padre tentou entrar no local, dessa vez os episódios ficaram por conta de uma dupla e de uma pessoa que quis se passar pelo pai do piloto. Na Espanha, surgiu uma polêmica: mesmo internado, Schumi foi denunciado por atropelar um motociclista um mês antes do acidente.

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maio
Notícias escassas

Depois do otimismo, o silêncio. Em maio, não houve nenhum pronunciamento oficial sobre o heptacampeão. Apenas homenagens por parte da Ferrari, que lembrou a primeira vitória do piloto pela escuderia, em 1996, na Espanha.

junho
Transferência da França para a Suíça

E quando uma onda de pessimismo tomava conta em razão da falta de novidades, uma notícia pegou a todos de surpresa, positivamente. No dia 16 de junho, data da estreia da Alemanha na Copa do Mundo, foi anunciado que o maior piloto germânico havia saído do coma e sido transferido para o Centro Hospitalar de Vaud, na Suíça, perto da residência da família, o que facilitava os longos deslocamentos diários da esposa, dos filhos, do pai e do irmão. Dias antes, ele já havia saído da UTI para um setor de reabilitação ainda em Grenoble.

Caso de polícia: prontuário médico é roubado

No fim de junho, outra bomba, dessa vez, negativa. Uma cópia do prontuário médico de Schumi foi roubada e começou a ser oferecida para venda para diversos veículos de comunicação. Sabine agiu rápido, levou o caso à polícia e prometeu pressionar por acusações criminais quem levasse as informações a público.

julho
Esposa aparece em público pela primeira vez

Com Schumacher perto de casa, em um hospital suíço, a rotina de seus familiares começou a recuperar traços de normalidade. Em um evento de hipismo na Suíça, a esposa Corinna fez sua primeira aparição pública desde o acidente: “As coisas estão melhorando. Lentamente, mas estão melhorando”. Segundo o jornal “Bild”, a fiel escudeira do piloto também aproveitou para vender um jatinho particular do piloto, avaliado em R$ 60 milhões, para ajudar na recuperação.

agosto

Caso de polícia: suspeito de roubar dossiê é encontrado morto na cadeia

Em agosto, o já nebuloso caso do roubo do prontuário médico ganhou contornos macabros. O suspeito de ter pegado os documentos foi encontrado enforcado na cela de uma prisão de Zurique, na Suíça. O homem, que não teve sua identidade revelada, era gerente da companhia de helicópteros suíça Rega – a empresa havia tido acesso ao prontuário quando foi consultada para fazer o transporte de Schumi da França para a Suíça, que acabou sendo realizado por ambulância. O suspeito havia sido detido um dia antes, acusado de violação de privacidade de paciente e do sigilo médico.

setembro
De volta para casa

No dia 9 de setembro, a porta-voz anunciou que Schumacher apresentou progressos no quadro clínico que permitiram sua transferência para a casa da família, uma mansão às margens de um grande lago na pacata cidade de Gland, na Suíça. Lá, o heptacampeão passou a ser acompanhado por uma equipe de 15 profissionais. Dois enfermeiros se revezam para dar atendimento 24 horas, enquanto terapeutas realizam frequentemente sessões de estímulos cognitivos e motores.

Herdeiro na pista

Paralelamente, seu filho Mick Junior dá continuidade ao legado do pai nas pistas. Em menos de um mês, o garoto de 15 anos conquistou os vice-campeonatos do campeonato Mundial e do campeonato europeu de kart, mostrando que a vocação para a velocidade está no sangue.

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outubro
Confusão da imprensa

No começo de outubro, um equívoco de veículos de imprensa alemães na tradução de uma entrevista dada em francês pelo presidente da FIA e grande amigo de Schumacher, Jean Todt, gerou uma onda de otimismo em torno do heptacampeão. Segundo as primeiras publicações, o dirigente teria visitado o piloto e dito que ele “poderá levar uma vida relativamente normal”. Mas na verdade, Todt declarou que “torce para que Schumacher possa levar uma vida relativamente normal”.

Ex-médico: progresso e paciência

Mas outra notícia deu esperanças aos fãs do piloto. Um dos responsáveis por tratar Michael em Grenoble, o médico Jean-François Payen, fez visitas recentes ao seu ex-paciente, testemunhou progresso, mas pediu calma: “Eu o vi no hospital de Lausanne, e agora em casa. Constatei alguns progressos, mas diria que é preciso dar-lhe tempo. Assim como outros pacientes, estamos falando de uma escala de tempo que varia de um a três anos, por isso é preciso paciência”.

novembro
Schumacher, Esportista do Milênio

Em novembro, aproveitando os 20 anos do primeiro título de Schumacher na Fórmula 1, a família do alemão inaugurou uma nova página na web sobre o heptacampeão. O reconhecimento pelos incríveis feitos não pararam por aí. No fim do mês, Schumi também foi eleito “Personalidade do Milênio no Esporte” pelo tradicional prêmio Bambi, na Alemanha. Seu grande fã, Sebastian Vettel, foi o responsável por receber o troféu e fez um discurso emocionado.

Amigo: “Paralisado e em cadeira de rodas”

Mas o que mais chamou atenção nesse período foram as declarações do ex-piloto Philippe Streiff, o mesmo que no início do ano havia causado revolta dos familiares ao manifestar o temor de Schumi ficar paralisado e perder a fala após fazer uma visita ao hospital. Dessa vez, o francês afirmou a uma rádio que o alemão estaria “paralisado e em uma cadeira de rodas” e que teria “problemas de memória e de fala”.

dezembro
Prejuízo x fidelidade

Dezembro foi outro mês de poucas notícias sobre Schumi. A que mais repercutiu foi uma matéria de um renomado jornal inglês que avaliou em £ 14 milhões (cerca de R$ 16 milhões) as perdas anuais do piloto em razão do fim de patrocínios e da incapacidade de participar de ações publicitárias. Todavia, diversas das empresas que o apoiavam antes do acidente continuaram fiéis e seguem estampando as marcas no site do piloto.

No dia 28 de dezembro, a assessora Sabine Kehm quebrou o silêncio e voltou a falar sobre a situação do ex-piloto, que segue na mansão de sua família, na cidade de Gland, na Suíça. “Ele está fazendo o progresso apropriado de acordo com a severidade da situação. Precisamos de um longo tempo. Será uma longa e dura luta”. A porta-voz aproveitou para rebater as declarações de Streiff: “Não sei de onde Sr. Streiff obteve essa informação, porque ele não teve nenhum contato conosco, nunca”.

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