“Choro até com comercial de margarina”

Nesse período do mês, o organismo manda para o espaço os elementos que regulam as emoções no cérebro. “O corpo fica cheio de progesterona, hormônio que prepara você para a gravidez e causa um inchaço geral, inclusive no cérebro, resultando em instabilidade emocional”, afirma a ginecologista cirurgiã Márcia Araújo, do Instituto do Câncer de São Paulo. Por estar inchado e lidando com alterações nas dosagens hormonais, o cérebro fica sensível e leva você para a fossa juntamente com ele. Solucione o problema no prato: uma combinação de carboidratos complexos (arroz, aveia, centeio), folhas verdes e grãos integrais reduzem os picos de glicose no sangue. “O açúcar impulsiona a produção de insulina, que gera adrenalina – hormônio que causa mais stress. Controlar o doce pode ajudar no equilíbrio emocional”, explica Flávia Fairbanks, ginecologista e obstetra de São Paulo.

“Parece que minha cabeça vai explodir”

Além do incômodo causado pela progesterona, aquelas que sofrem de enxaqueca têm outra vilã para culpar: a prostaglandina, enzima inflamatória que causa cólicas e ataca os nervos da cabeça. “Essa inimiga age na região central do cérebro onde a enxaqueca é desencadeada. E, para piorar, dilata os vasos, agravando a dor”, diz Rosane Rodrigues, ginecologista e obstetra da Clínica Invita, em São Paulo. Aposte em exercícios de respiração para aliviar os sintomas. Eles promovem a hiperventilação da área, contraindo vasos dilatados pelo processo menstrual e reduzindo o sofrimento. “A atividade física é outra solução, pois libera endorfina, analgésico natural que dá prazer e estimula o funcionamento dos rins, fazendo com que você elimine mais líquidos nesse período de retenção”, sugere Flávia.

“Meus mamilos ficam sensíveis. Dói para praticar exercícios”

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A vilã aqui é novamente a progesterona, que ativa as células das mamas. “A dor costuma aparecer antes da menstruação, quando os níveis do hormônio estão altos, como se o corpo se preparasse para amamentar. Assim que o sangue aparece, a quantidade de progesterona abaixa e acaba com a indisposição”, afirma Rosane.

Para reduzir a sensibilidade, acrescente na rotina diária 60 mg de extrato de chasteberry, que diminui a prolactina, outro hormônio que influencia no inchaço. Se ainda não adiantar, invista em um top esportivo reforçado. A agonia não passa? Prefira exercícios aquáticos que evitem atrito.

“A vontade é hibernar até que tudo isso acabe”

Ao eliminar sangue, o corpo também perde ferro, mineral energizante envolvido na produção de serotonina – responsável pela regulação do humor -, que despenca na TPM. Por isso aquela ideia de passar o dia jogada na cama, em posição fetal, parece perfeita. Um estudo publicado pelo site American Journal of Epidemiology descobriu que 40% das mulheres que investem em dietas ricas em ferro têm menos sintomas. Coloque no prato espinafre, feijões e lentilha para manter os níveis estabilizados.

Outro motivo para capotar no sofá pode ser – de novo – a alta de progesterona, que poupa o corpo para compensar a energia pela perda do sangue, deixando-a em slow motion. O tempero indiano chamado feno-grego é um bom aliado para aliviar a fadiga menstrual (900 mg, três vezes ao dia, no período). Ainda cansada? Descanse, pois você está em um momento de renovação do organismo e precisa se cuidar.

“Tenho tanta cólica que parece que vou dar à luz”

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É, não é fácil mesmo. Nesse período, o útero enfrenta a missão de eliminar seu revestimento, chamado de endométrio (renovado a cada mês), e contrai as paredes seguidamente para isso. “O corpo durante a TPM é como um hotel: se prepara todo para receber um hóspede (um bebê) e, se não chega ninguém, faz a faxina geral, começando a arrumação do zero. Você não recebe visita com lençóis sujos”, exemplifica Márcia.

Uma bolsa térmica – de dez a quinze minutos – ajuda a dilatar os vasos sanguíneos do útero, acelerando a circulação e expulsando a prostaglandina, que estimula as contrações. Como segunda opção, 30 minutos de exercício aeróbico melhoram a frequência cardíaca e o fluxo sanguíneo.

Se a dor forte persistir, procure um médico. “O comum é um incômodo moderado, que cessa ao tomar uma medicação e não atrapalha os compromissos.Cólicas incapacitantes não são comuns e nem saudáveis”, diz Flávia.

“Sinto muito tesão antes de a menstruação descer”

O tempo de maior excitação do mês ocorre durante a ovulação, cerca de uma semana antes da TPM, quando os níveis de estrogênio estão altíssimos e aumentam a sensibilidade na região pélvica, facilitando orgasmos. “Porém o sangramento indica que o ciclo chegou ao fim e, após o primeiro dia de menstruação, um novo se inicia. Nesses dias, é possível que o tesão também aumente, já que é exatamente quando a produção de estrogênio volta a subir”, diz Márcia. A testosterona também acende esse fogo. “A libido se relaciona aos níveis dela. Na menstruação, todos os hormônios sofrem queda, exceto a testosterona, o que faz com que o organismo entenda que há um pico do hormônio, aumentando o desejo sexual”, sugere Flávia.

“Pareço um balão de tão inchada e sinto dores intestinais”

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A retenção de líquidos é um efeito da progesterona. “A mudança em algumas mulheres é tanta que aconselho não subir na balança”, afirma Rosane Rodrigues. Mantenha-se longe de sal e álcool, que agravam o quadro, e aproxime-se de alimentos ricos em ômega-3, como salmão e nozes. As dores têm outra explicação. “A progesterona relaxa os tecidos musculares, incluindo as paredes do intestino e do estômago, resultando em constipação, digestão lenta e gases”, diz Flávia Fairbanks. Um menu rico em frutas, verduras, fibras e água e leve em gordura é o caminho para a melhora.

“Tenho desejos insaciáveis e como tudo que vejo pela frente”

A perda de serotonina no período pré-menstrual está associada à ânsia por carboidratos salgados e doces, que possuem propriedades de restauração desse hormônio. Uma surpresa: às vezes, é melhor ceder à tentação. Até certo ponto! “Você buscará comfort foods e doces, pois liberam serotonina e endorfina, que estão em falta na TPM, e garantem a sensação de bem-estar. Um pedacinho de chocolate anima”, afirma Márcia Araújo. (Nota: UM PEDAÇO!)

Tente no Próximo Mês

Ter uma vida sexual ativa e não engravidar pode ser o motivo de você descontar o stress no parceiro durante a TPM. Um estudo feito pela Universidade Macquarie, na Austrália, concluiu que a irritabilidade e a volatilidade emocional são estratégias do corpo para acabar com o relacionamento, uma vez que o casal transa constantemente, mas não cumpre a função biológica de engravidar. Para os cientistas, o prolongamento do tempo sem filhos de hoje em dia desencadeou ciclos regulares e a maldita TPM, uma vez que nossas ancestrais não tinham tantas menstruações por estarem quase sempre grávidas ou amamentando.

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