Listas muitas vezes são subjetivas. E listar 10 momentos marcantes da carreira de Anderson Silva está longe de ser uma tarefa fácil, afinal, já são 18 anos de MMA na vida do ex-campeão dos pesos-médios do UFC. Mas o Combate.com resolveu arriscar e montar o top 10 de Spider. É provável que o leitor discorde de um tópico ou outro, já que o lutador foi protagonista de uma série de fatos memoráveis na história do esporte, mas é inegável que os momentos escolhidos são de grande relevância.

Vamos a eles:
chute frontal em vitor belfort

Anderson Silva colecionou grandes nocautes ao longo de sua carreira, quase sempre de forma genial. Mas talvez o mais marcante deles tenha sido contra Vitor Belfort. Desde o anúncio do combate entre eles, o Ultimate tratou o confronto como a “Luta do Século”, que foi marcada para o dia 6 de fevereiro de 2011, no UFC 126. Spider vinha de 13 vitórias seguidas, sendo sete delas em defesas de cinturão da organização. O Fenômeno tinha batido seus últimos cinco rivais e, na luta anterior, que marcou seu retorno ao Ultimate, conseguiu um nocaute no primeiro round contra o ex-campeão dos médios Rich Franklin.

A rivalidade entre os dois cresceu no período pré-luta. Vitor disse que Anderson, então campeão dos médios, estava mascarado. A resposta veio na pesagem. O filho de Spider deu a ideia para o pai usar uma máscara do grupo de dançarinos Jabbawockeez, e o campeão dos pesos-médios o fez, pressionando seu rosto contra o de Belfort na hora da encarada. Após tirar a máscara, os dois trocaram provocações e foram separados. Inclusive, foi eleita pelo UFC a melhor encarada de 2011.

Na luta, depois de muito estudo no início, Anderson Silva acertou um belo chute frontal no rosto de Vitor Belfort, que desabou. O campeão deu mais um soco e sacramentou o resultado por nocaute aos 3m29s do primeiro assalto. A imagem do chute entrou para a história do esporte. Após o triunfo, Spider disse ter treinado muito este chute com o ator Steven Seagal e agradeceu ao ex-jogador Ronaldo, que tinha começado a agenciar a sua carreira pouco tempo antes da luta. Além do prêmio de Nocaute da Noite, Anderson também faturou o de Nocaute do Ano em sua oitava defesa.

Rivalidade com Sonnen
Chael Sonnen foi o maior rival da carreira de Anderson. O brasileiro vinha de uma vitória sobre Demian Maia, na qual foi muito criticado, enquanto o americano provocava o campeão em todas as entrevistas antes do UFC 117. Dentro do octógono, Sonnen foi superior por quatro rounds e meio de forma surpreendente, mas o Spider encaixou um triângulo no quinto assalto e defendeu seu cinturão outra vez, alcançando sua 12ª vitória em 12 lutas na organização, o que lhe dava o recorde de triunfos consecutivos no UFC. O desafiante ainda foi pego no exame antidoping depois do combate por estar com níveis elevados de testosterona.

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Quando Sonnen voltou de suspensão, bateu Brian Stann e Michael Bisping, sendo alçado novamente ao posto de desafiante e seguindo com provocações que incluíram até mesmo a esposa de Anderson Silva. Normalmente contido, Spider respondeu de forma dura, dizendo que iria “quebrar ele todo” (ouça a declaração na íntegra ao lado).

No dia 7 de julho de 2012 aconteceu a revanche, pelo UFC 148. No primeiro round, Sonnen repetiu o que fez na maior parte do primeiro encontro, derrubando Anderson e amarrando o rival até o fim do assalto. Porém, quando eles voltaram para a luta, o brasileiro tratou de liquidar a fatura com a genialidade de sempre. Primeiro, com uma esquiva perto da grade, que desequilibrou o americano. Na sequência, uma joelhada na altura do tórax e mais alguns socos que determinaram o nocaute técnico a favor do Spider. No fim, ainda convidou Sonnen para um churrasco na sua casa.

Reveses emblemáticos nas últimas lutas

A carreira de Anderson é repleta de triunfos, mas nas últimas duas lutas ele sofreu derrotas marcantes para Chris Weidman, atual campeão dos pesos-médios, que acabou com a hegemonia do brasileiro na divisão até 84kg. Em julho de 2013, no primeiro encontro, Spider abusou das provocações e brincadeiras no octógono e acabou sendo nocauteado no segundo round. A revanche imediata aconteceu em dezembro e terminou de forma trágica: depois de o primeiro assalto ser de domínio do americano, Anderson Silva parecia tentar soltar seu jogo em pé no segundo, mas um chute baixo bloqueado pelo rival acabou resultando em fratura na perna do brasileiro. O retorno acontece neste sábado, contra Nick Diaz.

Show como meio-pesado

Em agosto de 2009, Anderson Silva teve uma de suas maiores atuações na carreira – talvez a maior -, quando subiu pela segunda vez na vida para o peso-meio-pesado e enfrentou o ex-campeão da divisão até 93kg Forrest Griffin. O brasileiro precisou de apenas 3m23s para liquidar o americano após aplicar três knockdowns, dar um show de esquivas e parecer escolher o momento de encerrar o confronto, fazendo o rival parecer um lutador qualquer.
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Polêmica com Demian Maia

Dos 18 anos de carreira, possivelmente, a luta contra Demian Maia, pelo UFC 112, em Abu Dhabi foi o ponto mais negativo da trajetória de Anderson Silva. A vitória, por decisão unânime, ficou ofuscada pela atuação pouco respeitosa de Spider em relação ao seu compatriota. Acostumado a brincar em seus combates, Anderson exagerou nas provocações – que começaram às vésperas do show – durante o duelo e, inclusive, sofreu críticas de Dana White por conta de sua postura, que sequer subiu no octógono para colocar o cinturão no campeão. Anderson chegou a se desculpar pelo que fez no programa “Domingão do Faustão”.

Conquista do título do UFC e revanche com Franklin
Rich Franklin estava invicto no UFC. Tinha 22 vitórias no MMA – apenas uma derrota e um No Contest. Até que Anderson Silva atravessou seu caminho no peso-médio do Ultimate em outubro de 2006. Em apenas 2m59s, Spider utilizou o joelho esquerdo para definir o combate e tomar o cinturão do americano. A revanche se deu no ano seguinte e novamente as joelhadas foram a chave do nocaute, que aconteceu a 1m07s do segundo round. Terminava, então, o reinado de de “Ace”, que saía de cena para dar lugar ao novo rei da categoria até 84kg.

Estreia no Ultimate

Se a primeira impressão é a que fica, Anderson Silva não poderia ter começado melhor no Ultimate. Contratado após nocaute com uma cotovelada brutal sobre Tony Fryklund, pelo Cage Rage, o brasileiro estreou no UFC em junho de 2008, encabeçando o card contra Chris Leben. Em apenas 49s, conectou uma joelhada no clinche e despachou o oponente, mostrando o seu cartão de visitas na organização logo em sua aparição inicial.

Campeão do Cage Rage

Anderson Silva embarcou para o Reino Unido para enfrentar Lee Murray, em setembro de 2004, na disputa pelo título do Cage Rage. Na casa do anfitrião, o brasileiro não se intimidou e o duelo quase começou na pesagem, quando ambos se estranharam e foram apartados não sem antes derrubarem o cenário. O inglês, que havia nocauteado o então companheiro de Spider, José Pelé Landi-Jons, pouco mais de um ano antes, prometeu fazer o mesmo com Anderson. No cage, uma vitória por decisão unânime garantiu o cinturão ao Spider. Murray não voltou a lutar depois disso e, seis anos depois, foi preso por participar do que é considerado o maior roubo de banco da história do Reino Unido, avaliado em 53 milhões de libras, que ocorreu em 2006. Inicialmente, ele foi condenado a 10 anos de prisão em junho de 2010, mas teve a pena estendida para 35 anos em novembro do mesmo ano e está em uma penitenciária no Marrocos.

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duelo com Okami no UFC Rio 1

O retorno do UFC ao Brasil, após 13 anos, compensou com sobras a longa ausência. Principal lutador do país, Anderson Silva foi escalado para o combate principal. Uma revanche sobre Yushin Okami, para quem perdeu após desferir um chute ilegal, em 2006, pelo extinto evento Rumble on The Rock, era a chance de vingar uma das poucas “manchas” de seu cartel.

Em êxtase pelos nocautes de Rodrigo Minotauro e Mauricio Shogun, o público carioca assistiu – e foi ao delírio – com a atuação de Spider. O então campeão dos médios escolheu a hora de nocautear o japonês. Aplicou mais de um knockdown e afastou-se para que o adversário se levantasse. Após chamar o antigo algoz para dançar, Anderson encerrou o baile aos 2min04s do segundo round. Festa nas arquibancadas e aplausos de pé para o novo herói nacional.

o retorno da lenda

Da segunda derrota para Chris Weidman, quando fraturou a perna, até o dia 31 de janeiro, quando Anderson Silva voltará a pisar no octógono do Ultimate para enfrentar Nick Diaz, na luta principal do UFC 183, terão se passado 399 dias. O retorno de Spider ao cage do maior evento de MMA do mundo já é um dos principais momentos de sua carreira, não importa qual seja o resultado do combate. Contra o americano, ele tentará retomar o caminho das vitórias. Desde outubro de 2012, quando nocauteou Stephan Bonnar no Rio de Janeiro, o brasileiro não sabe o que é ter o braço erguido pelo árbitro ao fim do combate. Contra Diaz a rotina de triunfos será novamente iniciada?

menções honrosas

Como dito lá no início, não foi fácil definir os 10 momentos mais marcantes de Anderson Silva. Além dos já citados, outras lutas também são merecedoras de destaque, como os nocautes sobre Alex Stiebling – em sua estreia no Pride -, Carlos Newton – com direito a joelhada voadora, também no evento japonês -, e a avassaladora cotovelada em Tony Fryklund – no Cage Rage -, assim como as derrotas por finalização contra Daiju Takase, quando saiu chorando do ringue após levar um triângulo, e Ryo Chonan, com a inusitada chave de calcanhar voadora, ambas pelo Pride.

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