O aperto de mão forte e longo, olhando nos seus olhos, dado pelo engenheiro de pista chefe da Sauber, o italiano Gianpaolo Dall’Ara, a Felipe Nasr, nesta segunda-feira, depois de o piloto completar 88 voltas no Circuito de Jerez de la Frontera, com pista seca e molhada, sem cometer um único erro na sua estreia na equipe suíça, reflete o grau de satisfação do grupo com o seu trabalho.

– Hoje fiz tudo o que era possível. Primeiro procurei me habituar com os recursos do carro, a maneira de trabalhar da Sauber, tudo diferente do que conheci na Williams, e depois pude efetivamente acelerar mais. O resultado é bem positivo – afirmou Nasr.

No primeiro dia com o modelo C34-Ferrari, o brasiliense de 22 anos cumpriu todo o programa de experimentos estabelecido.

– Treinei com pneus duros, moles, macios, intermediários e de chuva, antecipei situações que enfrentarei ao longo do campeonato, uma novidade para mim. Na Williams, o time te apoia nos testes, mas você não é o titular, treina com muitas limitações, o que não foi o caso hoje. Eu me senti parte da Sauber, um piloto titular – explicou.

E num desses ensaios, mais novo piloto brasileiro titular na Fórmula 1 se deparou com algo que não sabia:

– Os pneus macios oferecem uma aderência grande.

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A Pirelli só não levou para Jerez os pneus supermacios, em razão da elevada abrasividade do asfalto.

Foi com os pneus macios que a 68ª volta Nasr estabeleceu o segundo melhor tempo do dia, 1min21s867, à média de 194,7 km/h. A exemplo do primeiro dia do treino da pré-temporada, no domingo, o mais rápido nesta segunda-feira foi Sebastian Vettel, com a Ferrari SF15T, com 1min20s984.

– Esses tempos não são importantes. O que vale mesmo é o fato de termos completado 73 voltas com o Ericsson, ontem, e 88 comigo hoje. No ano passado a Sauber saiu daqui, depois de quatro dias, com menos de 100 voltas. Nosso carro tem demonstrado ser confiável, o que é ótimo para podermos desenvolvê-lo – completou.

Resta saber se a Sauber terá meios financeiros de investir nos estudos e produção de novos componentes.

O primeiro dia de Nasr teve até passagens cômicas, segundo contou.

– Havia momentos em que eu ficava em dúvida sobre a linguagem que o time utiliza, os recursos e a disposição dos botões no volante. A saída era perguntar no rádio para o meu engenheiro (o inglês Craig Gardiner).

O importante, lembrou o brasileiro, foi o grau de aprendizado.

– Muito grande.

Apesar de não estar familiarizado com os sistemas da Sauber, a experiência como piloto de testes da Williams, no ano passado, tem sido útil a Nasr e, principalmente, à escuderia, apesar da diferença de orçamento entre as duas organizações.

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– Tenho boa referência, adquirida em 2014, e já trabalhamos com ela na equipe.

Era um dos objetivos da área de engenharia da Sauber, usar o conhecimento de Nasr no time que mais cresceu de 2013 para o ano passado para auxiliar a Sauber voltar a marcar pontos com regularidade nesta temporada, seu objetivo depois de não terminar em nenhum GP dos 19 do calendário entre os dez primeiros.

Outra surpresa para Nasr, nesta segunda, foi a unidade motriz da Ferrari. Estava acostumado com a melhor da F1, a da Mercedes, fornecedora da Williams.

– Senti pouca diferença entre a nova versão da Ferrari e a da Mercedes que conheci no ano passado. Sei que não estão exigindo tudo dos carros, mas a primeira impressão é essa. Não esperava que esse fosse o resultado, o que me faz crer que agora, com um motor melhor, a Ferrari e nós também podemos crescer.

Nesta terça-feira, Nasr terá mais um dia de testes com o C34. Quarta-feira o companheiro, o sueco Marcos Ericsson, reassume o monoposto.

– O nosso foco será nos long runs (série seguidas de voltas, sem parar nos boxes, como nas corridas). Deveremos também já partir para mexer no acerto do carro, variando barra de torção, outros elementos da suspensão, e as cargas nos aerofólios dianteiro e traseiro.

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Depois de responder perguntas da imprensa de muitos países, Nasr afirmou para o Globo Esporte, da TV Globo:

– Eu vim para esse primeiro treino esperando uma coisa e saí bem mais satisfeito. Mas consciente, claro, que o nível dos adversários que vamos enfrentar é bastante alto e da mesma forma se prepararam muito bem para o campeonato. Não tem nada no nosso conjunto, no entanto, que seja crítico, motor, chassi.

Caso o C34-Ferrari se mostre mesmo um monoposto veloz, confiável e os suíços virem a ter dinheiro para melhorá-lo, a Sauber deverá lutar com Toro Rosso e Force India pelo sétimo e oitavo lugares entre os construtores, não ser a nona e última.

A sensibilidade de Nasr na condução e a maneira como repassou informações aos engenheiros foram elogiadas pela equipe, bem como a constância na pista, por vezes em condições difíceis, como na chuva.

– Eu nunca havia pilotado um carro de F1 no molhado. Deixei o Vettel me passar a fim de, atrás dele, entender melhor como ele percorria a pista. Deu para entender algumas coisas, lógico, e ver também que a Ferrari parece ter um bom carro.

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