O governo federal dá sinais de que pode inserir mais etanol anidro na gasolina comum. Desta forma, o percentual de mistura no derivado de petróleo passará dos atuais 25% para 27%. O incremento valerá para a gasolina C e a expectativa é que entre em vigor em fevereiro, com prazo necessário para que distribuidoras realizem a compra de mais etanol anidro (o hidratado é o comercializado nas bombas). Entretanto, a proposta, apresentada pelo setor sucroalcooleiro ao ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, precisa passar pela aprovação da presidente Dilma Rousseff.

O aumento do percentual de anidro na gasolina gerou amplo debate sem determinar um consenso entre os diversos setores relacionados aos combustíveis. O setor sucroalcooleiro afirma ter produção suficiente. Para o governo, mais etanol na gasolina significa menor importação de derivados de petróleo. Mas há quem defenda mais estudos sobre a viabilidade da mistura para os motores dos automóveis.

Em entrevista ao Sindipetróleo, Henrique Basílio Pereira, engenheiro mecânico formado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), especializado em motores pela Escola de Engenharia Mauá e MBA pela “Business Scholl” e Universidade de Toronto, no Canadá, defende cautela com relação à mistura. Ele explica que os chamados motores flex têm por característica de projeto a capacidade de se adaptar a diferente quantidade de etanol misturada à gasolina, variando de 20 % a 100 % de etanol.

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“Este tipo de motor tem a eletrônica, software e demais componentes desenvolvidos para trabalhar com estas variações. Entretanto, para um motor movido a gasolina, principalmente os importados, além do impacto no consumo, poderão ocorrer em alguns casos, dependendo como esse motor foi desenvolvido, falhas de dirigibilidade, dificuldades de partida a frio, aumento nas emissões de gases e até desgaste prematuro de componentes do motor. Neste caso entenda-se que os veículos foram desenvolvidos para trabalhar com uma determinada quantidade de etanol na gasolina, especificada para o país. Qualquer variação bruta nesta mistura pode afetar o funcionamento e o desempenho do motor”.

Pereira esclarece que o aumento no consumo de combustíveis devido à combustão. “Não é possível de imediato avaliar com precisão o impacto nos veículos que já rodam nas ruas, só é possível afirmar que devemos ter um aumento no consumo de combustível por volta de 1 a 2 % dependendo do modelo do veiculo e seu fabricante”, disse o engenheiro. Mas há notícias de que a redução no rendimento energético dos veículos pode chegar a 4%.

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O engenheiro defende cautela em mudanças na composição da gasolina. “Ao se exportar um veículo para um país, procura-se investigar qual a especificação do combustível naquela região e quais as variações encontradas naquele mercado. A especificação de um combustível não deveria ser alterada constantemente, da forma que ocorre no Brasil, pois além da durabilidade e dirigibilidade do veículo, existem regulamentações e certificações legais sobre as quais o veiculo deve ser aprovado.

O programa de etiquetagem veicular e o programa de controle de emissões de poluentes do governo estão regulados para uma gasolina com 22% de etanol. Quando utilizamos o veículo com outra mistura de etanol na gasolina, não vamos encontrar o mesmo resultado de consumo registrado na etiqueta ou no manual do carro e não vamos obter os mesmos resultados de emissões”.

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Com relação à gasolina aditivada, por enquanto o porcentual permanecerá em 25%. O governo acenou que em breve irá discutir essa mudança. Além disso, discutirão o aumento para 27,5%, de acordo com o pedido do setor sucroalcooleiro. A decisão do aumento de anidro na gasolina vem sendo discutido por um Fórum Nacional Sucroenergético do qual fazem a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Anfavea e Inmetro, entre outras instituições públicas e privadas.
O fórum discute também a adoção de provetas que captem esse 0,5 ponto porcentual. Essas provetas são utilizadas nos postos para realização dos testes rápidos de qualidade dos combustíveis.

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