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A obesidade continua a crescer no Brasil, atingindo o número alarmante de 18,5% da população – Foto: Reprodução

Apesar da maior facilidade de acesso às informações, a obesidade continua a crescer no Brasil, atingindo o número alarmante de 18,5% da população e aumentando muito os riscos de problemas circulatórios, ortopédicos e sociais. Quem aponta isso é uma pesquisa conduzida pelo doutor Luiz Vicente Berti, chefe do conselho fiscal da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

“O estudo nos surpreendeu em vários aspectos negativamente. Mesmo tendo feito a primeira pesquisa em 2007 falando que a obesidade estava crescendo no País, sete anos depois tivemos 6,4% de aumento. Pessoas com um poder aquisitivo maior tiveram mais facilidade de entender a boa informação. Elas conseguiram diminuir isso graças à informação e ao acesso ao tratamento. Já as classes C, D e E passaram a ter um maior índice de obesidade”, disse Luiz Vicente, alertando que isso mostra o desenvolvimento sem controle que está ocorrendo no Brasil da doença. O que causará mais gastos para os cofres públicos, com pacientes dependendo ainda mais do precário Sistema Único de Saúde (SUS).

“Os problemas com a obesidade vão muito além da hipertensão arterial e do diabetes. A obesidade é também um fator de risco para diversas doenças, tais como AVC e insuficiência venosa crônica, podendo causar uma série de danos ortopédicos e ósseos, e todos os problemas emocionais, sociais e psicológicos que estão associados a estar extremamente acima do peso”, declarou o profissional. “Quanto mais cedo as pessoas entenderem que a obesidade é uma doença, e não uma escolha, mais rápido elas podem iniciar tratamentos que são mais seguros e mais eficientes”, complementou.

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Dados

Algumas das descobertas da pesquisa foram que as mulheres são ligeiramente mais afetadas pela obesidade do que os homens (19% para 18%), que as pessoas casadas têm mais tendência para se tornarem obesas (21%) e os solteiros representam apenas 13% da população obesa.

“As pessoas estão mais informadas sobre o que é a obesidade e o que é a cirurgia bariátrica, mas não bastam somente informações. O estudo mostra que alguns nem sequer sabem que são obesos, e como a sua qualidade de vida poderia melhorar se submetidos a um procedimento que é comprovadamente seguro, eficiente e com altas taxas de sucesso”.

Mudança de vida A cirurgia bariátrica foi a realização de um sonho para a administradora Edinézia Souza, que, na época que começou o processo para se operar, pesava 146,900kg. Para fazer o procedimento passou por uma série de profissionais, como fisioterapeuta, nutrólogo, endocrinologista, entre outros, no decorrer de quase um ano.

“Sinceramente, a meu ver, não encontrei nenhuma dificuldade após a cirurgia. Pelo contrário, hoje tenho uma vida social bem melhor do que tinha antes. Sou mais ativa para o dia a dia. Hoje faço as coisas sem me cansar muito, antes não podia fazer nada”, contou Edinézia, que se operou por meio do SUS em 2013. Hoje ela pesa 74kg.

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Entidade

A jovem participa da Associação de Obesos do Amazonas (Assoam). O objetivo da instituição é lutar pelo acesso às políticas públicas e sociais que viabilizem os direitos de cidadãos que sofrem com a doença obesidade. São 700 associados e a cada mês outros 200 são cadastrados. A meta é chegar a 10 mil até o final do ano.

“A Assoam é a segunda entidade representativa dos obesos criada no Brasil, a primeira foi em São Paulo. Ela acompanha os números que envolvem o excesso de peso no Brasil e em particular no Amazonas. Mas busca, principalmente, dar visibilidade aos 300 mil obesos que moram em Manaus e procura levantar números de obesos no interior do Estado”, explicou André Frota, presidente da entidade.

Prevenção

Para que os números apontados diminuam é preciso ter um esforço em conjunto do governo federal e estadual, mas, segundo Luiz Vicente Berti, o primordial é a prevenção feita em casa. “Temos que incentivar as crianças a fazerem atividades físicas, a comerem alimentos saudáveis, mas não podemos somente falar, temos que dar exemplo para elas. O governo federal e estadual deve desenvolver campanhas de divulgação da informação, pois 56% das pessoas entrevistadas para a pesquisa não sabiam que eram obesas mórbidas, só ficavam sabendo na hora”.

Algumas descobertas apontadas na pesquisa

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O nível de obesidade no Brasil atingiu 18,5%, um aumento alarmante de 6,4% em comparação com o mesmo estudo feito em 2007, quando atingia 12,1%. A estimativa é que o Brasil tem agora 24.876.142 pessoas obesas.

As mulheres são ligeiramente mais afetadas pela obesidade do que os homens (19% para 18%)

Os adultos com idade entre 56-65 anos tiveram o nível de obesidade mais elevado (24%), ao passo que os jovens (18-25 anos) têm o nível mais baixo (9%).

As pessoas casadas têm mais tendência para se tornarem obesas (21%) e os solteiros representam apenas 13% da população obesa.

Quanto mais baixo o nível educacional, maiores os níveis de obesidade.

A obesidade tem crescido em todas as classes sociais, especialmente entre as mais baixas – C, D e E tiveram, cada um, um crescimento de 5% no nível de obesidade. A Classe C (classe média baixa) teve a maior parcela da população obesa, com 23%. A Classe A cresceu apenas 2% e representa 16% do total.

30% das pessoas obesas afirmam não ter uma vida sexual ativa (em comparação com 18% da média nacional)

Quando perguntados sobre por que comem muito, os principais motivos são: fome, ansiedade, comer muito rápido, preocupação e tristeza.

85% dos obesos mórbidos têm problemas de saúde, como pressão alta, problemas nas articulações dos joelhos ou tornozelos, colesterol alto, doenças vasculares, etc.

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