Até bem pouco tempo atrás, as pessoas acreditavam que ir ao psicólogo, era para quem estava “louco” “maluco”, “doido”, “tã-tã” ou com alguma “doença mental”. Esses adjetivos atribuíam à terapia um caráter apenas de saúde e distanciando-a de seu papel social e preventivo.

Percebe-se que hoje é comum as pessoas declararem publicamente que estão fazendo terapia, atribui-se a isso: charme, elegância e intelectualidade. Em sites, revistas e entrevistas, as celebridades assumem que estão fazendo terapia. Maria Rita (cantora) declarou que faz terapia desde o nascimento do filho, Antônio. ‘’Tive bulimia aos 16 anos, mas já superei’’, diz atriz Bianca Müller. ‘Devolvo na arte o que meu terapeuta faz por mim’, diz Selton Mello. Paula Fernandes conta que teve depressão na adolescência e faz terapia há mais de dez anos.

Na televisão tem crescido o número de reportagens, nas quais, psicólogos são entrevistados para contribuir com sua visão sobre o tema em discussão. Seriados de TV que simulam atendimento clínico tem ganhado espaço em canais da TV a cabo, divulgando a terapia e sua forma de atuação na vida das personagens. Sessão de Terapia é uma série de televisão recriada e dirigida pelo ator Selton Mello, baseada diretamente no seriado israelense Be Tipul, criado pelo psicanalista israelense Hagai Levi. E o irreverente seriado Adorável Psicose que mostra como é o atendimento de uma personagem supostamente “Psicótica” e suas confusões.

Mas Terapia Funciona? Sim. Sempre? Não. Do que depende então? Segundo Vera Otero renomada terapeuta analítico-comportamental “[…] funciona sim. Embora nem sempre, porque depende de muitas condições que às vezes não estão presentes.” (Otero, 2001) As principais condições estão mais direcionadas a atitudes que o cliente precisa tomar. O primeiro passo é ter a iniciativa de procurar atendimento. Ir para a sessão terapêutica só para agradar alguém ou apenas por que foi uma indicação, não traz grandes mudanças.

O cliente tem que acreditar na terapia como uma instância desejável de ajuda. Esta atitude contém em si a motivação necessária para o desenvolvimento do processo terapêutico. Assumir que algo não está bem, e ter predisposição para receber ajuda são aspectos primordiais para uma terapia bem sucedida. Mais que isso, a pessoa precisa sentir-se parte ativa e integrante em todo o processo. Disponibilizar uma parte de seu tempo para refletir sobre o que ocorre durante a sessão. Terapeutas analítico-comportamentais não buscam dentro da pessoa uma explicação para o seu problema, mas em sua interação com o ambiente (ontogênese e cultura). Assim, é preciso que o terapeuta esteja atento às essas variáveis para identificá-las.

Fazer terapia está muito longe de ser “coisa de maluco”! É um momento único com você mesmo e com suas questões mais íntimas, é um momento de autoconhecimento. E Autoconhecimento será o tema da próxima semana. Até lá!

Balada do louco – Ney Matogrosso.
Otero. V. R. L. (2001) Psicoterapia funciona? In: Sobre Comportamento e Cognição (Vol. 6), Wielenska, R. C. (org.) (2001), p. 740.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.