Atendendo a sugestão de um leitor do Blog AGORA TERAPIA, vamos falar sobre estudantes de graduação e principalmente os de pós-graduação que tendem a procurar atendimento psicoterapêutico com o objetivo de não abandonar o curso. Geralmente surgem problemas porque a pessoa está procrastinando seus estudos.

A procrastinação está presente na vida de estudantes universitários e se acentua no final do curso quando os discentes têm que concluir os trabalhos finais (monografias, dissertações e teses). Já existem estudos específicos para investigar as principais causas dessa insatisfação. O fato é, que quando a pessoa faz aquilo que não gosta tende a adiar mais. Quando faz aquilo que é prazeroso a tendência é realizar as atividades logo. Entretanto, para mergulhar no mundo acadêmico é preciso abrir mão da diversão e do lazer. Mas é bem provável que a pessoa prefira se divertir e procrastinar os estudos!

Procrastinar é adiar, delongar, enrolar, deixar para outro dia. Procrastinação está longe de ser apenas uma palavra difícil… É um fenômeno dinâmico, que envolve aspectos econômicos, comportamentais e ambientais que se caracteriza pelo adiamento não estratégico de ações. (Sampaio & Bariani, 2011, p. 242)

A maior parte dos trabalhos que estudam a procrastinação tem a ver com pessoas que escrevem especialmente dissertações e teses. Geralmente, deixam para fazer no final, pois é um trabalho imenso, que leva muito tempo. É inglório porque o orientador vai estar sempre corrigindo e mandando refazer (punição). Cada encontro com o orientador, gera ansiedade, tensão, tristeza e até lágrimas.

Não é só porque têm que finalizar, mas porque se passou um longo período de estudos intensos, pesquisas, tabulação de dados, formulação teórica que requerem muita leitura e busca por informações. Durante todo o processo há acontecimentos que potencializam o estresse: os compromissos do trabalho e a cobrança de amigos e familiares. Com tanta informação para ler e revisar, fica difícil manter os relacionamentos sociais. É fato que há relações que não resistem a um período de tanta entrega e isolamento. Ainda mais quando é preciso viajar para outra cidade.

Segundo entrevista com o Psicólogo Roberto Banaco, as atividades que temos que fazer e que geram punição são as que adiamos fazer, ou seja, quanto maior a punição mais evitamos fazer essa atividade. Atividades que demandam muito esforço, que demandam habilidades específicas, que levam muito tempo vão competir com as que gostamos de fazer, por isso temos a tendência de fazer depois, sempre na última hora.

Há pessoas que tendem a procrastinar mais, por isso precisam de um acompanhamento especializado. O cansaço e a decepção podem desencadear um transtorno mais sério. Em
virtude de todas essas dificuldades se torna comum buscar um atendimento psicoterapêutico de qualidade tanto para prevenir como para remediar a procrastinação.

Referências:

Banaco, R. (2012) Procrastinação. Entrevista no Programa Sem Censura da TV Brasil.
Sampaio, R.K. N.; Bariani, I. C. D. (2011) Procrastinação Acadêmica. Estudos Interdisciplinares de Psicologia, Londrina. v.2, n. 2, p. 242-262.

Tema sugerido por: Crysthian Roberto Macedo. Engenheiro Agrícola – Doutorando em Biossistemas – USP, Mestre em Recursos Hídricos – UFMT.
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