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Crianças soltaram os alevinos nos rios – Foto: Assessoria

Para 70 crianças, uma grande festa. Para a Justiça, a oportunidade de conscientizar a geração futura sobre a preservação dos rios e peixes da região. Assim foi marcada a soltura de 200 mil filhotes de matrinxãs, piaus e curimbatás no encontro das águas dos rios Arinos e Claro, neste fim de semana, na Comarca de São José do Rio Claro (315km a médio-norte de Cuiabá).

Os matrinxãs, que são ariscos, foram soltos por 15 embarcações que levavam sacos e mais sacos de alevinos até o interior do rio, em locais aonde os filhotes pudessem se abrigar, se esconder dos predadores e crescer até o tamanho ideal, 60 centímetros. Como os animais são muito estressados, o trabalho teve que ser feito com muito cuidado para que não morressem. Já os peixinhos mais amistosos, piaus e curimbatás, foram soltos em sua maioria por estudantes de 7 a 14 anos, que aprovaram a iniciativa e mostraram que aprenderam a lição nesta aula diferente, realizada fora da escola.

Yantchieli Braganholo, 12 anos, estava muita envolvida com o projeto e feliz por ser uma das escolhidas para participar da solta de alevinos. “Estas espécies, principalmente o matrinxã, representam a cidade e infelizmente nós vemos que estão acabando. Quando os estudantes são conscientizados, eles levam as informações para os pais, amigos, enfim, para toda a família”, explicou.

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Diogo Barreto Vieira foi um dos primeiros a participar da ação – Foto: Assessoria

Da mesma forma Diogo Barreto Vieira, 11 anos, participou pela primeira vez da ação e foi um dos primeiros da fila de “soltadores de peixe”, como ele mesmo falou. “Nós tivemos uma aula antes e a professora esclareceu que é muito importante soltar novos peixes no rio para que eles procriem e povoem as águas. Muita gente vive da pesca e, às vezes, ao pescar da forma errada, ajuda a acabar com o peixe. Hoje estamos mudando a história da cidade”, garantiu.

A ação reuniu cerca de 200 pessoas, entre servidores da justiça, pescadores, parceiros e alunos. Todos estavam envolvidos no Projeto São José do Peixe Vivo, desenvolvido pelo juiz da comarca, Walter Tomaz da Costa, juntamente com parceiros locais. De acordo com o magistrado, o resultado foi gratificante, mas não foi fácil.

Ele explica que todos os peixes foram cultivados em uma pousada da cidade e no dia da soltura foram pegos dentro do tanque e abrigados em grandes caixas para serem transportados até o rio. Em todo momento a preocupação maior foi o bem-estar das espécies, por isso, antes de jogar os peixes na água foi necessário colocar a sacola fechada no rio para que se ambientassem com a baixa temperatura. Só então eles eram soltos.

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A data para o trabalho foi escolhida a dedo, já que neste domingo (1º de março) terminou o período de defeso, a Piracema. “A retirada de quantidade excessiva de peixes por meio da ceva predatória é até hoje um dos maiores motivos para o despovoamento das águas. Estes rios já foram muito piscosos um dia e hoje têm reduzido número de espécies. Estamos aproveitando o fim da piracema, quando os predadores estão em menor número para soltar novos filhotes com grandes chances de sobrevivência”, concluiu Costa.

Rodrigo de Matos Emiliano, policial civil e biólogo, é um dos parceiros do projeto e lembrou que quando começaram, em 2013, havia apenas 15 pessoas e nenhum recurso financeiro. Neste fim de semana ele comemorou a grande quantidade de pessoas que vestiram a camisa do projeto. “O número está bom, mas precisamos de mais pessoas para os próximos anos. Gente igual a nós, comprometida com a causa e que queira defender os animais. Os peixes, principalmente o matrinxã, representam a economia da cidade. Muitas famílias sobrevivem disso. Imagina se o peixe some dos rios? Como será?”, questiona o policial.

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O projeto envolveu famílias inteiras – Foto: Assessoria

O projeto envolveu famílias inteiras, como é o caso dos Martinez. O pai Marcelo Martinez, que trabalha no Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea) levou a esposa e os três filhos de 1, 9 e 15 anos para participar. “Os mais velhos gostam de pescar, então têm que aprender desde cedo a cuidar do meio ambiente para que não falte no futuro. Já o menor vem e fica com a esposa para já ir acostumando a proteger a natureza”, ressalta.

O delegado Carlos Fernando da Cunha, da Delegacia de Meio Ambiente Estadual (Dema), confirma a importância de a família trabalhar unida no projeto. “O envolvimento das crianças faz parte da mudança do mundo, pois elas aprendem desde cedo a não fazer a pesca predatória e também a combater práticas semelhantes. Da mesma forma que a pesca é passada de pai para filho como profissão em algumas localidades, boas práticas como esta devem também servir de exemplo”, ressaltou.

O delegado destaca ainda que para as próximas edições vai ajudar o magistrado a propagar o projeto para outras cidades. “Já pensou o “Peixe Vivo” na baixada Cuiabana ou em Poconé? Seria uma solução para o despovoamento dos grandes rios e afluentes do Estado”, concluiu.

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