Anderson Silva. Esse foi o nome mais falado pelo atletas da seleção brasileira de taekwondo nesta semana. Na segunda-feira, através de uma carta ao presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), Carlos Fernandes, o Spider, astro do UFC e um dos maiores da história do MMA, declarou sua vontade de disputar as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Faixa-preta da modalidade, Anderson se colocou à disposição para entrar na seleção brasileira. O assunto mexeu com os atletas da seleção, principalmente os pesos pesados (acima de 80kg), possíveis rivais do Spider na briga pelo sonho olímpico. Eles celebraram a mídia que o lutador pode trazer para o esporte, mas duvidam de suas capacidades técnicas para competir em alto nível no taekwondo. Anderson completou 40 anos nesta terça-feira.

Respeitosos, Guilherme Felix, melhor brasileiro no ranking olímpico (18º), Lucas Ferreira (36º), Maicon Andrade (52º), não reprovaram a receptividade da Confederação ao lutador do UFC, que enfrenta um polêmico processo após ser flagrado no exame antidoping após a luta contra Nick Diaz, em janeiro deste ano. Todos, porém, deixam claro que não aceitariam qualquer critério que não fosse o técnico, já que a CBTKD tem direito a quatro vagas por convite e após uma reunião com o Comitê Rio 2016 decidiu que a primeira categoria de peso contemplada seria justamente o peso-pesado masculino.

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– O MMA tem uma dinâmica muito diferente do taekwondo e mesmo ele tendo anos de MMA, o taekwondo será muito diferente, dificultando ele conseguir resultados. Não acredito que ele consiga enfrentar de igual para igual os pesados do Brasil.  Para ele conseguir uma vaga olímpica tem que entrar no processo seletivo, porque aí será por merecimento. Caso ele queira realmente lutar, não é nada ético ele ter a vaga diretamente sem mostrar resultado no taekwondo. Não acredito que a confederação ceda diretamente a vaga para ele, mas se o improvável acontecer, vai ter muita briga e discussão – garante Guilherme Cezário Felix, que hoje briga por uma vaga no Rio 2016 sem a necessidade de convite, direto pelo ranking olímpico mundial.

O capixaba, contudo, não vê problemas na intenção de Anderson. Pelo contrário. Acredita que o peso médio do UFC pode trazer visibilidade e patrocinadores ao esporte. Para os Jogos de 2016, a seleção tem quatro vagas garantidas por ser sede do evento, e outras quatro podem ser conquistadas pela posição dos brasileiros no ranking. Anderson pesa 84kg.

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– Tem o ponto positivo de trazer mais mídia para o taekwondo, o que nos fortalece. Tem que analisar também se esse pedido é uma questão de marketing ou se ele realmente quer lutar – explica Guilherme.

Em conversa com o GloboEsporte.com, o diretor técnico da seleção, Alexandre Lima, garantiu que caso haja entendimento, Anderson terá que passar por todas as seletivas para conseguir uma vaga olímpica. Lucas Ferreira, que hoje briga por uma vaga no peso acima de 80kg acha que o Spider não terá condições técnicas.

– Eu acho que ele é um excelente atleta de MMA mas taekwondo tem suas características que são muito diferentes. Então com certeza ele não está preparado para a disputa da vaga. Ele vai ter que disputar as seletivas nacionais, como qualquer outro atleta que tem esse sonho. Se ele provar que é merecedor da vaga, ganhando de todos atletas nacionais e os outros que estão na briga, ele tem um nome muito forte na mídia e seria muito bom. Mas eu creio que ele não tem tempo hábil para isso, estamos a praticamente um ano dos jogos e um atleta de taekwondo a nível internacional não se faz em tempo recorde assim. Eu e os outros atletas estamos há no mínimo dois anos correndo atrás – garante Lucas.

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Recentemente, Anderson Silva foi pego no exame antidoping no UFC. Seu julgamento dentro da Comissão Atlética de Nevada havia sido marcado para o dia 21 de abril, mas o lutador pediu adiamento para maio. O ex-campeão dos pesos-médios foi flagrado por doping antes e depois da luta contra Nick Diaz no UFC 183, em janeiro deste ano. Estima-se que o lutador deva ser suspenso por um período que varia de nove meses a dois anos. A Confederação Brasileira de Taekwondo também está monitorando essa questão e mesmo com regulamentações diferentes, o caso deve ser levado até a Agência Mundial Antidoping (WADA) caso haja um acerto com o Spider.

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