As seguidas trapalhadas e acidentes protagonizados na Fórmula 1 renderam a fama de “barbeiro” para Pastor Maldonado. “Crashtor” – um trocadilho com a palavra “batida” e seu primeiro nome – e “Maldanado” são alguns dos apelidos recebidos pelo piloto da Lotus em sua atribulada jornada pela principal categoria do automobilismo mundial. A fama é tamanha que um internauta criou o site “hasmaldonadocrashedtoday.com” (“Maldonado já bateu hoje?”). A cada dia sem acidentes do contestado venezuelano, a seguinte mensagem aparece: “Não, o mundo está seguro por mais um dia”. O folclórico Maldonado, porém, não gosta nem um pouco da fama:

– Quando o Pastor bate, é uma grande notícia. Quando outro piloto bate, não é notícia. É mais ou menos assim – reclama o venezuelano em entrevista ao jornal britânico “The Telegraph”.

Apesar de se sentir injustiçado e vítima de perseguição por parte da mídia, Maldonado admite que às vezes passa do ponto e acaba cometendo erros. No entanto, ele vê esta característica, de exceder os limites, como um ponto positivo.

– Para encontrar o limite, você precisa atravessá-lo. Acho que tenho colhões para atravessar o limite sempre. Às vezes, você arrisca e comete erros. O mesmo podemos dizer para Jenson na China. Ele arriscou e cometeu um grande erro no fim da reta – defendeu-se.

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Maldonado referiu-se ao acidente em que envolveu com Jenson Button nas voltas finais do GP da China, válido pela 3ª etapa do Mundial de 2015. O episódio foi mais uma prova da indesejável fama que o acompanha. Assim que as imagens da TV mostraram o inglês e ele após o toque, imediatamente a maioria dos fãs da F-1 apontou o dedo para o venezuelano: “Olha o Maldonado aprontando de novo”. Mas nesse caso, a culpa – pasmem – era do britânico, conhecido por ser um “gentleman” dentro e fora das pistas. Tanto que o britânico da McLaren foi punido em 5s pela direção de prova. Punição essa considerada branda pelo piloto da Lotus, alvo de inúmeras penalizações em um passado não muito longínquo, graças a um maior rigor dos comissários.

– Normalmente, no passado, víamos grandes penalidades para tipos de coisas como essa. Situações parecidas. Especialmente comigo – queixou-se.

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No mesmo GP da China, porém, Maldonado já havia aprontado das suas. Antes do incidente com Button, ele tinha jogado fora uma excelente atuação, onde escalava o pelotão, após errar a entrada dos boxes e precisar ser ajudado pelos fiscais. Uma semana depois, no Bahrein, o piloto da Lotus se superou. Foi punido por ter parado o carro no grid de largada em uma posição indevida. Queria ele tirar vantagem? Não: em vez de alinhar na 16ª colocação, conseguiu a “proeza” de se auto-prejudicar ao partir da 18º posição. No currículo, outros “feitos” inusitados: Maldonado já saiu da pista ao se distrair mexendo no volante, já virou Esteban Gutiérrez de cabeça para baixo no Bahrein no ano passado, já bateu em uma exibição em sua terra natal, dentre outras.

A série de trapalhadas danificou a imagem de Maldonado na F-1. Muitos acreditam que o venezuelano se mantém na categoria apenas por ser um “piloto pagante”, já que traz consigo um aporte financeiro de cerca de 40 milhões de dólares (aproximadamente R$ 120 milhões) da PDVSA, petrolífera estatal venezuelana. Mas em meio às confusões, Maldonado tem seus lampejos. Reconhecidamente veloz, conseguiu a façanha de vencer o GP da Espanha de 2013 com a Williams, na época uma equipe de meio de pelotão, quebrando um jejum de oito anos da tradicional escuderia inglesa. Mas se o retrospecto do venezuelano na F-1 se resume ao isolado e improvável triunfo em Barcelona, o mesmo não se pode dizer de seus resultados na base. Pastor tem no currículo o título da GP2 (2010), o 3º lugar na F-Renault 3.5 (2006) e o título da F-Renault 2.0 italiana (2004).

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– Ganhei tudo no passado. Eu venci na Fórmula 1 com um carro que não era competitivo, correndo contra Ferrari, McLaren e RBR – destacou para se defender.

A verdade é que, por bem ou por mal (mais por mal do que por bem), sempre haverá uma câmera para observar o que Pastor Maldonado pode aprontar.

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