A crise financeira do governo federal já trouxe impactos às obras de legado prometidas para a Olimpíada de 2016. A informação foi divulgada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, responsável final pela execução de mais de 90% dos projetos de transporte, de melhorias urbanas e de sustentabilidade vinculados aos Jogos Olímpicos.

Segundo o próprio prefeito, por causa da contenção de gastos da União, os repasses federais para a obra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) do Rio atrasaram. A construção da linha de trem urbano no centro da capital fluminense é um dos projetos incluídos no plano de legados da Olimpíada, apresentado por autoridades há um ano.

A implantação do VLT custará mais de R$ 1,1 bilhão, de acordo com esse plano. Desse total, R$ 532 milhões deveriam ser pagos com recursos federais enviados ao Rio de Janeiro por meio do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento).

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Acontece que esse dinheiro federal não tem chegado à obra no ritmo combinado. Foi Paes quem revelou esse descompasso nos pagamentos.

Ele disse que, por causa de atrasos, a prefeitura carioca desembolsou R$ 200 milhões para garantir a continuidade da obra. Esse dinheiro deve ser recuperado pelo município quando a União normalizar seus repasses ao projeto.

“A prefeitura já colocou quase R$ 200 milhões. Um dia eu vou receber [do governo federal]. Não sei quando, mas vou receber”, afirmou Paes. “O atraso faz parte da vida. A presidente Dilma me ajudou muito nesses anos. Se há uma dificuldade momentânea no governo federal, é compreensível.”

O UOL Esporte procurou o Ministério das Cidades na quarta-feira para obter mais informações sobre os atrasos. O órgão é responsável pelo repasses. Ele não se pronunciou.

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O prefeito Paes afirmou que, apesar dos percalços financeiros, a obra do VLT segue seu cronograma. No segundo trimestre de 2016, as primeiras linhas do trem urbano devem estar operando.

Ameaças no Parque de Deodoro

Paes lembrou ainda que o VLT do Rio não é uma obra essencial para a Olimpíada de 2016. De acordo com ele, todos os repasses federais aos projetos prioritários para os Jogos (construção de arenas e outros locais de competição) seguem em dia. “O que é prioritário para a Olimpíada tem prioridade nos repasses”, explicou.

Na quinta-feira, aliás, Paes ratificou a regularidade dos pagamentos à obra do Parque de Deodoro. No dia anterior, a empresa executora da obra, a Queiroz Galvão, havia demitido 70 funcionários e colocado outros mil em aviso prévio alegando não estar recebendo em dia seus pagamentos. Também cabe ao governo federal o custeio do projeto.

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Segundo Paes, a empresa está, sim, recebendo em dia. Ela teria demitido funcionários para pressionar o governo. O prefeito afirmou que essa pressão não terá resultado. Ele ainda ratificou a obra será entregue no prazo combinado.

“A empresa vazou informações sobre o aviso prévio de mil trabalhadores para tentar pressionar a prefeitura para que possa receber mais rápido. Isso é uma estratégia burra de comunicação que já conhecemos bem”, disse Paes. “Os pagamentos estão sendo feitos em dia. Há trâmites burocráticos que devem ser cumpridos para os pagamentos de toda obra pública. Esses trâmites serão sempre cumpridos, mesmo que a empresa não goste.”

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