Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

A Polícia Militar (PM) deu início nas primeiras horas de hoje (1°) ao processo de transição e substituição das tropas do Exército que ocupam o Conjunto de Favelas da Maré, na zona norte da capital fluminense, por policiais militares que vão atuar nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na região. Duas das 16 comunidades estão sendo ocupadas neste primeiro momento pela PM: a Praia de Ramos e Roquette Pinto. Para os moradores a rotina foi normal e não houve nenhum tipo de confronto, apreensões ou prisões.

O processo de transição será feito por etapas e os cerca de 3 mil homens da Marinha e do Exército que ocupam a Maré há cerca de um ano, vão deixar definitivamente a região, no dia 30 de junho, quando a PM assume de vez a segurança no complexo. Ao todo, quando a substituição estiver completa, serão 1,6 mil policiais atuando em todas as bases das unidades, que serão estruturas físicas montadas gradativamente conforme a polícia for ocupando o território.

As comunidades ocupadas hoje têm uma característica de localização estratégica por conta da proximidade com a Avenida Brasil, Linha Vermelha, o acesso ao aeroporto, a Linha Amarela e a Baía de Guanabara. Apesar da ocupação sem confrontos, o relações públicas da PM, coronel Frederico Caldas, reconheceu que a polícia vai encontrar dificuldades quando for ocupar a região nas localidades mais problemáticas, como Parque Rubens Vaz, Nova Maré, Nova Holanda e Parque União, no próximo mês.

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“O efetivo de hoje foi menor do que a gente costuma empregar. Foram 50 policiais realizando ações aqui pois o Exército já fazia o patrulhamento na Praia de Ramos e na comunidade Roquette Pinto, mas foi um ano praticamente tranquilo, a área não apresentava problemas. Cento e dezessete policiais vão atuar na região e a nossa expectativa é que dentro de 60 dias seja inaugurada a UPP da Praia de Ramos. As outras UPPs ainda não há uma definição de tempo. São três facções atuando na Maré: Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Amigo dos Amigos, fora a milícia. Certamente para a próxima de Maio, a gente vai ter um aparato muito maior e certamente haverá uma mobilização das tropas especiais em uma proporção muito maior”, ressaltou o coronel.

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O relações públicas da PM, destacou a importância do Exército na Maré e disse que a polícia vai encontrar alguma dificuldade, mas o trabalho da força de segurança será mais fácil do que no Complexo do Alemão, por causa das características do território.

“O trabalho das Forças Armadas realmente foi extraordinário. A Maré é uma área muito extensa e chega a ser maior do que o Complexo do Alemão em termos de extensão territorial, mas em função da característica física da Maré, diferentemente do Alemão, que é uma área muito difícil de ser patrulhada, área de vale, área de elevação, aqui situando a área do morro do Timbau, ela é uma favela plana e facilita o trabalho da polícia, mas será mais complexa que no Alemão por conta das facções que atuam na Maré”, contou Caldas.

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Mais de 200 policiais atuam junto a Força de Pacificação no patrulhamento e no atendimento a ocorrências no complexo da Maré, desde novembro do ano passado. O coronel garantiu que não há prejuízo para outras áreas com UPP, pois os policiais que vão atuar na Maré passaram por um estágio nos batalhões e por um treinamento de capacitação específico. As bases não serão mais de contêineres, agora serão estruturas físicas que, segundo o coronel, estão sendo substituídas porque demonstraram que os policiais ficam mais expostos em situação de maior vulnerabilidade.

De acordo com Caldas, há pelo menos duas bases definitivas para os policiais que vão trabalhar nas UPPs da Maré, uma no Parque União e um destacamento na Roquette Pinto, mas ele não descartou a hipótese de utilizar o 22º Batalhão da PM como base, caso a polícia não encontre estruturas físicas nas outras regiões e garantiu que a UPP só será inaugurada quando as bases definitivas de estrutura física estiverem prontas.

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