Craque é craque, e com esses caras não se brinca. Marquinhos comprovou isso na terça-feira, na vitória por 98 a 64 sobre o São José, que manteve o Flamengo como único time a disputar as semifinais de todas as edições do NBB. Capitão e principal pontuador rubro-negro na temporada, com 16.42 pontos por partida, o ala parecia que estava numa daquelas noites para ser esquecida.

Pouco acionado no primeiro tempo, ele errou os quatro arremessos que tentou, acabou substituído por Marcelinho no segundo período e foi para o vestiário zerado. Mas Marquinhos é daqueles jogadores raros. Daqueles com a capacidade de virar a chave numa mesma partida e fazer o torcedor esquecer o que aconteceu minutos antes. E para azar do time paulista foi justamente o que ele fez.

– Acho que nossa equipe tem muito essa característica de procurar quem está em um momento do jogo bom. O primeiro tempo foi do Olivinha e do Walter (Herrrmann), e o terceiro quarto foi todo meu. Fico feliz de ter ajudado a equipe desse jeito, no primeiro tempo defendendo e pegando rebotes e no segundo atacante e metendo bolas de três – disse Marquinhos.

E foi mesmo. Frio para tomar as melhores decisões e quente para acertar uma bola de três atrás da outra – foram seis no segundo tempo -, o camisa 11 voltou outro do intervalo. Com 26 pontos, 20 deles só no terceiro período – o dobro da pontuação da equipe paulista no quarto -, Marquinhos destruiu a estratégia montada por Luiz Zanon de não deixar o fator psicológico entrar em quadra e levar a partida equilibrada até os minutos finais.

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– Quem comandou o ritmo do Flamengo no primeiro tempo foi o Laprovittola, mas a gente sabe que um jogador com a qualidade do Marquinhos não vai terminar uma partida sem jogar. E aí ele entrou no momento psicológico importante do jogo e com sua capacidade definiu a vitória. Mas vale destacar que saímos de uma situação muito ruim no campeonato e chegamos onde muita gente não acreditava. Fizemos uma campanha briosa e muito valorosa – analisou Luiz Zanon.

O que talvez o técnico da equipe paulista nem o torcedor rubro-negro saibam, é que por pouco Marquinhos não deixou de decidir essa e tantas outras partidas para o Flamengo na temporada. Depois de se destacar na pré-temporada da NBA pelo clube carioca, no final do ano passado, o camisa 11 quase ficou nos Estados Unidos. O New Orleans Pelicans o queria, mas ele queria muito mais do que seu ex-time tinha para lhe oferecer. Não em dinheiro, mas em tempo de quadra. Sorte do Flamengo e do técnico José Neto, azar do São José e do pobre Luiz Zanon.

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Ainda exausto após seu incrível desempenho no segundo tempo da partida, Marquinhos não pensou duas vezes em afirmar que fez a escolha certa.

– Quando tomei essa decisão eu sabia muito bem o que significa jogar no Flamengo. É isso aí, casa lotada. Os jogos que realmente interessam ao clube e que são importantes o torcedor vem, empurra o time e fica muito difícil você não jogar. Eles cantam o tempo todo e nós tiramos energia de onde não temos. Sou muito grato ao Flamengo por todos os títulos que conquistei e pelos melhores momentos que vivi aqui – afirmou o jogador.

Lembra do primeiro tempo zerado? Ele lembra bem, mas afirma que o jogo não era para ele. E pelo visto o camisa 11 rubro-negro tinha razão. Se a estratégia nos dois primeiros quartos era forçar o jogo com Olivinha, muitas vezes deixado livre por Drudi e pelo americano Baxter, tudo mudou depois de uma rápida conversa entre o técnico José Neto e o armador argentino Nicolas Laprovittola, muito elogiado pelo técnico rival Luiz Zanon e outro destaque do time carioca na partida.

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– O Nicolas é um cara que lê muito bem o jogo e no intervalo ele falou para mim que era hora de colocar o Marquinhos no jogo, e foi o que ele fez. Esse é o condutor do time, e é mérito dele também. Ele soube enxergar isso e fez o time propiciar essa condição para o Marquinhos, que com toda sua capacidade mostrou porque ele é um dos melhores jogadores da liga – destacou o técnico do Flamengo.

Mais do que feliz com a excelente atuação, principalmente no segundo tempo, Marquinhos admitiu após a partida que tirou uma tonelada das costas com a classificação às semifinais do NBB mais uma vez.

– Com certeza foi uma das maiores pressões que esse grupo enfrentou, mas jogar no Flamengo é isso e temos que estar preparados para essas situações. Mas como eu disse antes do jogo nós não queríamos terminar a temporada eliminados nas quartas e ficar com o rótulo de ter tido a pior campanha do clube na história do NBB. Esse grupo ganhou muita coisa pelo Flamengo e não merecia isso. Agora é já começar a pensar em Limeira, que será uma série duríssima – lembrou Marquinhos.

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