Foto: assessoria
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Tudo começa com uma conversa sem maiores pretensões, de repente você sente que tem tudo a ver com a pessoa que acabou de conhecer. Vocês têm os mesmos gostos, as piadas têm o mesmo significado, é muito intenso. Logo estão fazendo confidências. Visitam a casa uma da outra, quase almas gêmeas, mas da mesma forma que começou, termina.

Você liga e a pessoa não atende, manda mensagens e não recebe respostas, sim, a sua melhor amiga da semana passada não fala mais com você. Apesar de um monte de fotos no instagram, no facebook, no seu celular, não insista, passou… Agora, tem outra pessoa nessa função.

Como disse um caro amigo da semana passada “tudo tem um começo, meio e fim, não se preocupe, aceite”: esse relacionamento acabou! Não há um motivo sério, é apenas o prazo de validade que venceu.

Este texto não é um desabafo caro leitor, é apenas a constatação do que já fora descrito por Bauman (2004) sobre a fragilidade dos vínculos humanos e a insegurança que ela inspira aos desejos conflitantes em relacionar-se ou distanciar-se das pessoas.

Bauman (2004) descreve como são os relacionamentos em nossa líquida sociedade moderna, por meio de uma personagem que habita este nosso mundo de furiosa “individualização”, no qual os relacionamentos são bênçãos ambíguas, e oscilam entre o sonho e o pesadelo, por isso não há como determinar quando um se transforma no outro.

Assim como no livro, o que se vê hoje é um grande rodízio de relacionamentos rasos, efêmeros e passageiros. Um relacionamento duradouro de companheirismo e amizade é coisa do passado, dos livros e filmes… Embora sejam comuns na pauta de uma bela história, estão cada vez mais raros e pouco valorizados, como outros valores éticos que só se vê na ficção.

Entretanto, todos querem se relacionar, mas o exercício desafiador de relacionar-se só pode ser realizado na prática, é como aprender a nadar. Se você não entrar na água nunca vai saber como é… Então, bom mergulho!

Referências:
BAUMAN, Z. (2004) Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

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