Foto: assessoria
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Mato Grosso inicia o debate sobre o projeto de construção da megaferrovia que liga o Brasil, Peru e a China. Com custo estimado em R$ 30 bilhões, o corredor de trilhos entre os oceanos Atlântico e Pacífico foi discutido nesta terça-feira (19) pela presidente Dilma Rousseff (PT) e o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Kequiang, no Palácio do Planalto.

A ferrovia Transoceânica passará por Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde, localizada a 332 km de Cuiabá. De acordo com o Governo Federal, no Brasil, a megaferrovia também terá pontos de ligação nos estados de Tocantins e Acre, atravessando os Antes até chegar ao porto do Peru.

Como Mato Grosso está contemplado no traçado ferroviário que liga os oceanos, o presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Maluf (PSDB), se reuniu com o vice-governador Carlos Fávaro (PP), na manhã de terça-feira, e propôs a realização de audiências públicas no Estado para debater a megaferrovia com o Governo do Estado e setor produtivo.

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“Não queremos ficar de fora da discussão desse projeto estruturante que é de fundamental importância para o nosso Estado. Como queremos estar preparados, vamos nos antecipar, ter os estudos de licença ambiental, chamar o Governo Federal para discutir nessas audiências públicas, o Governo do Estado e o setor produtivo, trazendo esse debate para a Assembleia Legislativa”, argumenta Maluf, que planeja a realização da primeira audiência pública já para o mês de junho.

De acordo com o presidente da Assembleia Legislativa, Mato Grosso precisa ser mais competitivo em nível internacional e esse novo traçado contribuiria decisivamente para a logística estadual.

Com esse projeto sendo bem sucedido, Maluf acredita que outros investidores serão atraídos. “Já tem uma secretaria que cuida de assuntos internacionais, mas acho que devíamos ampliar isso, por isso, apresentamos a sugestão para constituir um núcleo com a participação do Legislativo, para discutir o contato com países emergentes dispostos a fazer investimentos no nosso Estado. Passamos por dificuldades de conjuntura financeira e a parceria com governos internacionais serão importantes”, afirmou.

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Fávaro lembrou que o mundo utiliza os modais ferroviário e hidroviário, e o Brasil ainda insiste em obras apenas rodoviários. “Essa obra Transoceânica, que é a extensão da Fico (Ferrovia da Integração), só que maior, conta com recursos internacionais e Mato Grosso tem que fazer essa discussão. Vamos envolver o setor produtivo, as entidades de classe que tem interesse em discutir o assunto, além do Governo do Estado, secretarias como a Sinfra e a Sema, para que todos sejam agentes em prol do projeto”, observou.

O vice-governador afirmou que toda obra de infraestrutura é indutor de desenvolvimento para Mato Grosso, e essa ferrovia que no estudo liga leste a oeste, fazendo ligação com a China, aumenta consideravelmente a competitividade de Mato Grosso.

“Hoje a infraestrutura logística de Mato Grosso é uma das piores do mundo e ainda assim, somos os maiores produtores de soja, milho, algodão, temos o maior rebanho bovino. Se conseguirmos reduzir em US$ 50, US$ 70 por tonelada, vai ser um grande benefício”.

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Essa discussão antecipada sobre a megaferrovia em Mato Grosso pode resultar em maior divulgação das potencialidades do estado, de acordo com o vice-governador. “O estado ainda está adormecido na produção, mas tem capacidade para produzir só em Mato Grosso, o que o Brasil já produz e isso só vai acontecer com a logística mais eficiente. Vamos mostrar o potencial e a viabilidade econômica dessa nova obra”, argumentou Fávaro.

BRASIL E CHINA

Dilma e Li Kequiang assinaram 35 acordos de cooperação em oito áreas que envolvem investimentos de US$ 53 bilhões. Além da infraestrutura, o planejamento estratégico, transporte, agricultura e energia são outras áreas que fazem parte do acordo.

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