livro parque“A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte…”

Há uma necessidade em nós que não se satisfaz apenas com comida e bebida, essa necessidade vem de um extremo nada, um sentimento que não tem explicação. Há uma urgência do “eu” para preencher e significar a vida, e uma alternativa para essa complexa demanda é a utilização da arte em suas mais variadas expressões: literatura, pintura, escultura, música, dança, artesanato, etc.

Ficar parado por um tempo admirando um quadro, estudando música, pintando, dançando ou atuando em qualquer uma das vertentes da arte é algo bem humano! Embora pouco incentivado na cultura emergente, é possível encontrar uma que se encaixe com o perfil de qualquer pessoa. Muitas são as técnicas utilizadas, mas o objetivo central é evocar relatos que possam ser chaves, e que talvez, durante o processo psicoterapêutico tradicional fosse muito mais demorado.

Todavia, o que o Titãs cantou e canta até hoje, é justamente essa necessidade de fazer algo tão diferente da rotina, que faz da arte uma saída para dores e vazios da vida. Para qualquer pessoa, de qualquer idade e classe social é possível encontrar uma atividade que seja tão prazerosa a ponto de evocar sentimentos e emoções. Nessa perspectiva, o psicoterapeuta deve ter uma sensibilidade mais refinada, um olhar diferenciado para descobrir qual atividade vai ser a ideal.

Utilizar a arte durante o processo psicoterapêutico é uma excelente alternativa para quebrar a resistência e evocar relatos, além de tornar a sessão muito mais interessante. Porém, há cuidados que são essenciais, é preciso ter repertório! Toda a condução deve ocorrer de forma natural para que a interação seja verdadeira.

Isso vai depender totalmente da disponibilidade do cliente e psicoterapeuta, lembrando que para Skinner o psicoterapeuta caracteriza-se por uma audiência não punitiva. Em um ambiente verbal não punitivo é possível que o cliente relate muito mais eventos que descreva os comportamentos de pensar e sentir.

Os clientes podem fugir de determinados assuntos, em muitos casos só poderão ser acessados quando utilizada a estimulação complementar (Skinner, 1957), neste caso, a atividade artística preferida do cliente.

Em outras palavras, para que haja um bom andamento da aquisição da arte, durante as sessões é essencial que o tema abordado seja de interesse de ambos. Não há nada mais punitivo do que conversar sobre um assunto do qual não se tem o menor interesse. Então, encontre a sua preferência e divirta-se.

Referências
Comida. Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto. 1987.
SKINNER, B. F. (1957) Comportamento Verbal. Nova York.

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