A situação de Anderson Silva em relação ao seu caso de múltiplos flagrantes em exames antidoping continua complicada, mas o ex-campeão dos médios acaba de ganhar uma nova arma para sua defesa. O blog teve acesso a um exame feito na noite da luta em que o resultado foi negativo, porém, ele não foi anexado ao processo contra o brasileiro.

Vou explicar detalhadamente a situação. Antes de subir ao octógono para enfrentar Nick Diaz em 31 de janeiro no UFC 183, Anderson fez um exame antidoping pelo laboratório de Salt Lake City. O resultado foi positivo para o anabolizante drostanolona, como pode ser visto nas imagens abaixo, que estão anexadas nos autos que foram apresentados em fevereiro.

O que não se sabia até agora era de um segundo exame, feito com uma amostra de urina colhida apenas dois minutos ANTES do teste que deu positivo. Neste antidoping, feito pelo laboratório Quest, o resultado foi negativo exatamente para as mesmas substâncias testadas em Salt Lake City. O resultado, conseguido com exclusividade pelo blog, pode ser visto abaixo.

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Consultei a Comissão Atlética de Nevada (NAC) sobre os motivos para que esse teste tenha sido ignorado no processo. O promotor do caso, Christopher Eccles, explicou que os resultados negativos não são base para se fazer uma denúncia, mas sim os que dão positivo. Ou seja, ele não é obrigado a incluir esse exame nos autos e optou por não fazê-lo.

Mas por que, então, esse exame nunca veio a público? Simples: porque ninguém nunca tinha pedido. A comissão não é obrigada a divulgar ou avisar que tem esse resultado em mão, ou até mesmo que o exame foi efeito, se ninguém pedir para que seja apresentado.

Vale ressaltar que esse tipo de procedimento, de fazer dois exames iguais em um espaço de tempo tão curto, não é usual e nem faz parte da conduta da Agência Mundial Antidoping (Wada). Além disso, o laboratório Quest não é credenciado pela Wada, mas isso não foi levado em consideração ao deixar esse resultado fora do processo, já que foram eles que detectaram o uso de ansiolíticos por parte do brasileiro, e esse exame consta dos autos.

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Os advogados de Anderson Silva já estão cientes deste exame que deu negativo e vão usá-lo em sua defesa. O ex-campeão não deve conseguir uma absolvição por conta disso, mas a ideia é que esse resultado ajude a atenuar a pena final ou até mesmo seja usado para desqualificar os exames feitos pelo laboratório de Salt Lake City.

O ex-campeão dos médios ainda tem um prognóstico muito duro, principalmente por conta do positivo no teste antidoping surpresa feito em 9 de janeiro, em que foram detectadas duas substâncias anabólicas: drostanolona e androsterona.

Como revelou a amiga Evelyn Rodrigues, do Combate.com, no início do mês, Anderson tem até 7 de agosto para entregar uma defesa por escrito e depois o julgamento será marcado, ainda sem data prevista. Os adiamentos para a resolução do caso se deve exatamente por conta deste novo resultado. Os advogados pediram mais tempo para que esse componente fosse analisado e incluído na defesa, além de outros testes que estão sendo feitos.

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O único ponto positivo para o ex-campeão dos médios é que ele não será julgado de acordo com as novas regras antidoping aplicadas pela NAC e pelo próprio UFC, regras essas criadas exatamente depois de seu caso. Agora, um primeiro flagrante com anabolizante rende uma suspensão de dois anos no primeiro caso e quatro anos na reincidência.

Pelas regras antigas, Silva deve, inicialmente, ter uma pena máxima de um ano de suspensão. Com esse novo componente no processo, sua defesa espera que ele pegue de seis a nove meses de gancho, pena retroativa ao dia da luta. Ou seja, ele estaria apto a voltar ao octógono entre outubro e novembro deste ano.

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