Realizando sonhos. É assim que a brasileira Hérica Tibúrcio define a sua fase atual, iniciada em 05 de dezembro de 2014, mesmo dia em que conquistou o cinturão peso-átomo do Invicta FC (até 48 kg).

É na organização de lutas exclusivamente femininas que a lutadora mineira faz, nesta quinta-feira, a sua primeira defesa de título. O palco não poderia ser maior: Las Vegas, durante a “Semana Internacional da Luta”, evento realizado pelo UFC, que inclui também os cards do UFC 189 e do TUF Finale. E foi só chegar na capital mundial da luta para que os olhos da lutadora mineira ganhassem um brilho ainda mais especial:

– Sempre quis conhecer Las Vegas. Claro que estou focada na minha luta, mas espero poder conhecer melhor a cidade e comemorar a minha vitória de forma especial. Muita coisa mudou desde que eu conquistei o cinturão. Tenho mais visibilidade, todo mundo me conhece mais. A galera toda vem cumprimentar, tirar foto, coisas que até aconteciam pelos eventos nacionais, mas que agora, mundialmente falando, é muito legal. Hoje mesmo, lá embaixo no hotel, as pessoas me pararam para tirar foto e pedir autógrafo, gente que eu nunca vi na vida. E isso é importante para mim e para a minha carreira também, porque é muito legal ver os fãs e ver esse reconhecimento, principalmente depois de muito tempo de treino – declara em entrevista ao Combate.com.

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O sorriso tímido e o jeito de menina denunciam que Hérica é a campeã mais jovem da história do Invicta FC. A conquista se deu aos 21 anos de idade, mas a lutadora confessa que, por muito tempo, evitou se deixar levar pelos encantos do esporte:

– Eu comecei treinando jiu-jítsu, mas eu não queria de jeito nenhum. Graças a Deus, depois de tanta insistência e de tanto treino, a gente foi levando e hoje estou aqui. O meu primeiro professor, o Sérgio, ficava muito insistente querendo que eu fizesse aula, mas eu trabalhava na academia e só pensava: “Nossa, o que é isso? Jiu-jítsu, amarração, ficar suando? Credo!”. O meu irmão treinava jiu-jítsu e, um dia eles me convenceram a fazer uma aula. Depois de um tempo treinando jiu-jítsu eu gostei muito e vi que não tinha nada daquilo que eu falava, do que eu pensava, porque o jiu-jítsu é lindo, é uma arte que é demais. Logo em seguida, comecei a treinar muay thai e eu pirava: “nossa, vou levar porrada na cara, ficar de olho roxo”, como todo mundo acha que é, mas, na realidade, não é bem assim, tem suas regras. Depois de muito tempo treinando muay thai, apareceu uma luta para mim no MMA, mas eu não queria. Foi assim que acabei fazendo a primeira luta e ganhando por finalização no primeiro minuto do round. A sensação que tive foi inesquecível e aí eu não parei mais.

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De lá para cá, foram nove vitórias e duas derrotas na carreira como profissional, mas o ápice viria no duelo contra Michelle Waterson, campeã peso-átomo do Invicta FC, que faria a sua segunda defesa de cinturão como a favorita a vencer o combate. Era a estreia de Hérica na organização e em uma nova categoria de peso. Ex-peso-palha (até 52 kg), ela entrou no octógono como zebra e calou a torcida no terceiro round com uma guilhotina.

– Foi um momento indescritível. Felicidade que não cabia no peito. Eu sabia que as pessoas não acreditavam que eu conseguiria, mas eu acreditei em mim mesma e nos meus treinadores e aqui estou.

O duelo desta quinta-feira, contra a japonesa Ayaka Hamasaki, é mais um desafio na carreira da brasileira, que mostra muita confiança, garantindo até que o combate terá o mesmo desfecho de sua última luta:

– Quero a finalização, mas a gente vai partir para o nocaute também. Claro que a gente treina em cima da adversária, eu sei que ela é canhota e tal, mas luta é luta, né? Então vamos decidir lá dentro. Estou bem treinada e vou lutar em pé, no chão, onde quer que essa luta vá.

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Questionada sobre o seu futuro no esporte, Hérica não pensa em alçar voos mais altos. Pelo menos por enquanto. O que ela quer, na verdade, é ficar com o cinturão em seus ombros o máximo de tempo que puder:
– O meu sonho já era estar no Invicta, aqui é o meu lugar. Eu olhava as meninas todas lutando em um evento feminino de MMA e esse era o meu sonho. Eu já realizei um dos meus sonhos. Lógico, o sonho de todo atleta também é o UFC, que é o maior evento de MMA do mundo, mas eu estou bem onde estou. Vou defender meu cinturão o quanto tiver que defender e, se tiver a oportunidade e for a hora certa, quem sabe um dia eu vá para o UFC. Por enquanto só quero que esse cinturão fique aqui a vida toda e, com muito treino e muito esforço, ele não vai sair daqui – finaliza.

Confira o card do evento:

Invicta FC 13
9 de julho, em Las Vegas (EUA)
CARD DO EVENTO:
Título Peso-Pena: Cris Cyborg x Faith Van Duin
Título Peso-Galo: Tonya Evinger x Irene Aldana
Título Peso-Átomo: Hérica Tibúrcio x Ayaka Hamasaki
Peso-Galo: Pannie Kianzad x Jessica-Rose Clark
Peso-Átomo: Amber Brown x Catherine Costigan
Peso-Palha: Amy Montenegro x Jamie Moyle
Peso-Pena: Marina Shafir x Amber Leibrock

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