Novas denúncias começaram a aparecer dois meses após o afastamento da ex-diretora da Escola Estadual Adolfo Augusto de Moraes, em Rondonópolis, Cilene Cristina Puzzi, suspeita de estar envolvida em um esquema fraudulento dentro da instituição. As acusações agora são voltadas para uso do dinheiro da merenda da escola para proveito próprio, além da compra de R$ 8,5 mil em sacos de lixos em apenas cinco meses.

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Post da diretora feito dias após a compra - Facebook
Post da diretora feito dias após a compra – Facebook

Os novos documentos que foram entregues na semana passada a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), e que o Site AGORA MT teve acesso com exclusividade, mostram que a diretora foi até um mercado onde a instituição de ensino possui um convênio e ao invés de pegar os itens relacionados a merenda, a diretora teria pego champanhe e camarão para o consumo próprio, conforme revela uma suposta ligação entre uma funcionária do supermercado e da escola, feita recentemente depois do afastamento de Cilene.

No decorrer da ligação, a responsável pela venda citou que após a compra, a diretora teria ‘enrolado’ para assinar a nota, mandando a funcionária da escola, Kely Porto Máximo, em seu lugar. A funcionária do mercado ainda revela que ‘correu atrás’ da assinatura do vale, porque se não autorizado por escrito, a compra seria descontada da operadora de caixa do mercado que fez a venda no dia citado. Ouça:

A imagem abaixo mostra a nota citada na ligação, entretanto, os produtos comprados não foram discriminados, apenas o valor total. O papel também confirma, como citado no áudio, a assinatura de Kely.

Vale assinado pela secretária da escola - Foto: AGORA MT
Vale assinado pela secretária da escola – Foto: AGORA MT

Ainda entre as novas denúncias encaminhadas para a Seduc, também está o envolvimento de Cilene em compras de sacos de lixos e um suposto esquema de nota ‘montada’.

De acordo com um levantamento feito pela presidente do Conselho Deliberativo da Escola, Mirtes Campos Pereira, de janeiro a maio de 2015, a diretora afastada adquiriu quase R$ 8,5 mil em sacos de lixos em uma única empresa de embalagens. Esse montante resultou em 105 fardos. Contudo, ainda em conformidade com o Conselho, essa mercadoria não existe no almoxarifado.

“Fizemos a cotação e vamos comprar no fim deste mês 1,5 mil sacos de lixos, que resultaram em um gasto de R$ 550 reais. Esta quantia é muito mais que suficiente para o ano, vai sobrar. Não sabemos o que foi feito com todo essa quantia de saco existente nestas notas, pois nunca apareceram por aqui”, respondeu Mirtes ao ser questionada pela reportagem.

Outro fator que causou estranheza nas notas da mesma empresa, e chamou a atenção do Conselho Deliberativo da Escola, é quanto as datas existentes em alguns pedidos e notas fiscais. Em algumas ocasiões, os pedidos foram feitos e assinados depois da emissão do romaneio. Também existe ocasiões onde o romaneio foi gerado cerca de 1 ano e quatro meses antes do pedido. conforme uma foto abaixo:

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nota ok
Assinada por Cilene, o pedido foi feito depois muito tempo depois da emissão do romaneio – Foto: AGORA MT

Para melhor entendimento, a reportagem do Site AGORA MT também questionou o Conselho Fiscal da Escola para saber qual o modo correto de compra. Segundo a presidente do Conselho Fiscal, Josevânia Fonseca Silva, a ordem correta de compra é: Ao pegar a mercadoria a pessoa responsável deve assinar o pedido. Com isso a empresa gera o romaneio e posteriormente a nota fiscal. “É pelo menos estranho o romaneio sair com data anterior ao pedido”, apontou Josevânia.

Mais esquisito ainda, é outro pedido também assinado pela ex-diretora ainda no mês de Julho de 2014, porém o romaneio só foi gerado no mês passado, período em que Cilene já estava afastada. Veja abaixo.

Romaneio foi gerado quando a diretora já estava afastada - Foto: AGORA MT
Romaneio foi gerado quando a diretora já estava afastada – Foto: AGORA MT

NOTA EMITIDA PELO CONSELHO

Esta nota, explica com maiores detalhes, o questionamento feito pela conselheira Mirtes, quanto a mudança das datas dos pedidos.

Nota emitida pelo Conselho Deliberativo - Foto: AGORA MT
Nota emitida pelo Conselho Deliberativo – Foto: AGORA MT

SEDUC

A assessoria de imprensa da Seduc informou que o caso continua sendo investigado e que inclusive, durante esta semana, pessoas responsáveis da Secretaria, estariam em Rondonópolis para fazer mais diligências, isto é, ouvir mais testemunhas e coletar novos documentos.

KELY

Em entrevista ao Site AGORA MT, a funcionária da escola Kely Porto disse que assinou o pedido devido a pessoa responsável pelo mercado ter solicitado que qualquer pessoa da escola assinasse. Além disso, ela esclarece que se não tivesse assinado, a operadora de caixa do estabelecimento perderia o emprego. Kely argumenta que não pode afirmar o que a diretora teria comprado.

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“Todos da escola assinam, eu assinei porque sei como é ser assalariado e não achava justo descontar da moça por uma compra realizada pela escola. Se eu soubesse que a compra teria sido champanhe e camarão, como estão falando por ai, com certeza não teria me envolvido”, argumentou ela.

Kely é funcionária contratada e seu cargo é o de limpeza. Contudo, como ela mesmo disse, faz serviço de portaria e até de ‘office-boy’.

Ainda durante a entrevista Kely diz não ter medo de esclarecer o fatos e contou que será ouvida na quinta-feira (23) pela comissão da Seduc. Ela disse que já sabia desta denúncia e que chegou a levar para o novo diretor. Kely ainda afirmou que está cansada da situação, pois sente que está sofrendo perseguição.

“Meu problema foi ter me doado demais para a escola, agora querem me envolver em uma situação que eu não tenho nada a ver. Não acho justo. Eu tenho família e não quero ver meu nome envolvido nisso. Não tenho medo de falar porque sei que não fiz nada de errado e não roubei nada. Vou buscar a verdade, doa a quem doer”, finalizou Kely.

CILENE

Ao ser questionada pela reportagem, Cilene, de modo grosseiro, afirmou que ‘não gostaria’ de se pronunciar.

 

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