Moradores fazem manifesto na porta de hospital - Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT
Moradores fazem manifesto na porta de hospital – Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT

O Hospital Osvaldo Cruz em Guiratinga, pode ter nos próximos dias, o mesmo fim do antigo Hospital Santa Maria Bertila (unidade de saúde que foi referência a nível de Brasil nas décadas de 60, 70 e 80). Por isso, protestos e caminhadas contra o fechamento do Hospital Osvaldo Cruz, marcaram esta segunda-feira (06), em Guiratinga.

Essa decadência é por conta da dívida do município com o hospital. Por mês, a Prefeitura Municipal de Guiratinga é obrigada a repassar R$ 150 mil, para manter o Pronto Atendimento (PA).

Há três meses que este repasse não acontece e com isso a administração do hospital ainda não conseguiu fazer o pagamento dos 23 servidores que por lá trabalham, o que resultou na greve que está prestes a completar um mês e já é considerada a maior da história. Além disso, as contas da unidade também estão atrasadas, o que deve comprometer a entrega de remédios.

Patricia fala sobre situação crítica de hospital - Foto: Ronaldo Teixeira  AGORA MT
Patricia fala sobre situação crítica de hospital – Foto: Ronaldo Teixeira AGORA MT

De acordo com a administradora do hospital, Patricia Dourado (foto ao lado), nas duas primeiras semanas, o prefeito não mostrou interesse na resolução do problema, mas que na semana passada fez uma proposta que pode levar o hospital a ser fechado.

“Fomos com uma proposta de parcelamento, mas durante a reunião fomos surpreendidos ao ver ele (Hélio Goulart) afirmar que irá reincidir o contrato e construir um PA. Mas se o município não tem dinheiro nem pra manter, como irá construir toda uma nova estrutura?”, questiona Patricia.

Segundo a administradora, após a 1ª reunião, o prefeito veio com uma nova proposta de reduzir o repasse de R$ 150 mil mês à R$ 56 mil mês ou fazer apenas um turno noturno.

“Não é o suficiente pois nós trabalhamos no mínimo. E também não faz sentido, ninguém irá escolher se acidentar ou infartar a noite. Essas coisas não prevemos. E quanto as internações? Hora que acabar o turno vamos ter que mandar o paciente embora?”, discorda.

Patricia ainda reforça que a unidade de saúde é uma das maiores empregadoras da cidade. O fechamento acarretará em mais desemprego e gente se mudando de Guiratinga. Ela teme que o Osvaldo Cruz tenha o mesmo fim do Maria Bertila.

MARIA BERTILA

Em 2005, ano em que o Maria Bertila foi fechado, o prefeito era o mesmo de hoje, Hélio Goulart (DEM). Naquela época, o Governo do Estado pagou R$ 500 mil além do convênio assinado pelo ex-governador Blairo Maggi e pelo prefeito Hélio Goulart, no valor de R$ 200 mil, que permitiria a execução de obras de reforma do pavilhão do hospital e a implantação do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps). Com esse dinheiro Hélio Goulart ainda faria a instalação de um pronto ­atendimento e da instalação de um Hemocentro que também estava previsto, mas tudo não saiu do papel.

LEGISLATIVO E EXECUTIVO

Em meio a todo esse manifesto, a população estava sem seus principais administradores do Executivo e do Legislativo. O prefeito Hélio Goulart, assessores e boa parte da bancada de vereadores de base não estavam na cidade. Eles foram de última hora à Capital para participar de uma solenidade com o Governador Pedro Taques.

Por conta disto, a sessão legislativa teve que ser adiada para amanhã (08).

Os dois movimentos realizados no município, foram encabeçado pelos vereadores Luiz Mário (Sd) e Francinha (Sd).

“Acredito que se toda a Câmara Municipal tivesse empenhada, este impasse já tinha sido resolvido”, criticou a administradora do hospital Osvaldo Cruz, Patricia Dourado.

 

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