As largadas foram o pesadelo da Mercedes nas últimas duas provas – e prometem virar uma obsessão para a equipe nas próximas semanas. Os atuais dominadores da Fórmula 1 tiveram uma corrida complicada em Silverstone e perderam na Hungria para a Ferrari após ficarem para trás nos primeiros metros e, ao mesmo tempo em que tentam entender o problema, têm de lidar com uma mudança no regulamento a partir da próxima prova, com a limitação das informações dadas pelos engenheiros para a configuração da embreagem, fundamental para uma boa largada.

A ideia é deixar as largadas mais na mão dos pilotos, que atualmente só têm o trabalho de reagir rapidamente, soltando uma das embreagens (são duas, localizadas em borboletas no volante) de imediato e a outra, mais lentamente. Normalmente, quando um piloto tem uma saída ruim, é porque houve um problema de calibragem da embreagem.

Na Hungria, por exemplo, quando ambas as Mercedes perderam posição para as Ferrari, a suspeita da equipe é de um superaquecimento devido ao fato dos pilotos terem feito duas voltas de apresentação – por conta do posicionamento errado de Felipe Massa.

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“A largada para a volta de apresentação foi boa, a segunda não”, explicou Hamilton, que acabou tendo uma corrida acidentada e terminou em sexto. “Imagino que vá acontecer muito disso. Deveria ter sido uma corrida diferente no último domingo se eu tivesse tido uma boa largada, mas não foi um caso.”

Preocupado, o inglês acredita que o novo procedimento pode trazer problemas de segurança. “Vai ser bem interessante ver o que vai acontecer. Acho que eles subestimaram a importância que isso tem e como influencia nas corridas. As largadas podem não mudar ou podem virar um desastre. Pode haver mais pilotos indo de um lado para o outro”, teme. “Pode ser que eles tenham de fazer alguns ajustes. Acho que não vai dar certo e será ajustado. Mas é uma boa ideia.”

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Williams discorda

O diretor de performance da Williams, Rob Smedley, contudo, não acredita que o novo procedimento vá revolucionar as largadas. O engenheiro defende que todos vão perder um pouco e que, no final das contas, o rendimento ficará igualado.

“Não acho que isso trará um grande efeito. O máximo que pode acontecer é as largadas ficarem mais movimentadas se alguém errar completamente [a configuração das embreagens]. Mas não acho que vai fazer qualquer diferença na performance das largadas em si. Talvez as largadas de todos piorem um pouco, porém, na média, não vai fazer diferença.”

Um dos pilotos que mais ganha posições nas largadas, Felipe Massa, também não crê que o novo sistema faça muita diferença. “Na prática, não muda muita coisa. Iremos para a largada com a configuração determinada antes pelos engenheiros. A única coisa diferente é que, se a saída para a volta de apresentação não for boa, a chance de mudar isso é menor.”

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O brasileiro se refere ao ‘ensaio final’ que os pilotos fazem, já em sua posição de largada, quando começam a volta de aquecimento dos pneus. Os dados da ‘largada’ são estudados para os engenheiros, que indicam mudanças na configuração – algo controlado pelos pilotos em seu volante – caso não estejam satisfeitos com o resultado. Isso está vetado. Porém, ainda são os engenheiros que determinam as configurações da embreagem antes do carro ir para o grid, com base nos dados coletados durante os inúmeros ensaios que os pilotos fazem durante o final de semana nos treinos livres, tanto na saída do pitlane, quanto no próprio grid ao término de cada sessão.

A estreia do novo procedimento de largada será dia 23 de agosto, data do GP da Bélgica.

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