O Japão está interessado, a exemplo da China, em investir no sistema de logística de transporte de grãos do Brasil. E ainda estuda a possibilidade de importar carne bovina brasileira. As intenções foram anunciadas em reuniões que ocorreram, em Tóquio, nesta sexta-feira (3), durante a Missão Brasileira formada para tratar do comércio agropecuário bilateral e parcerias entre o Brasil e o país asiático. Representando o Senado Federal, Wellington Fagundes (PR-MT) comemorou os resultados do primeiro dia de audiências.

A comitiva brasileira se reuniu inicialmente com o presidente da Liga Parlamentar Brasil-Japão e ministro da Fazenda, Taro Aso. A Liga é formada por 90 parlamentares. Posteriormente, a comitiva se encontrou com o ministro Yoshimasa Hayashi, da Agricultura.

O senador republicano também acompanhou a ministra Kátia Abreu no encontro com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, para tratar das perspectivas de alianças comerciais entre os países.
“O Brasil tem amplas condições de dar as respostas que os japoneses desejam, tanto na produção de grãos como também no comércio de carne. Acredito que sairemos com ótimos resultados dessa missão” – disse Wellington, que preside a Frente Parlamentar de Logística de Transporte e Armazenagem.

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A reunião com o ministro da Agricultura tratou da abertura do mercado japonês para a carne in natura brasileira e a retomada da exportação de carne termoprocessada, que está embargada pelo Japão desde 2012. “Não temos nenhuma dificuldade em adaptar nossas regras sanitárias ao Japão. Estamos prontos para cumprir e temos todas as condições para exportar”, destacou Kátia Abreu.

A ministra antecipou também detalhes de um encontro internacional de ministros de Agricultura, onde um dos objetivos será colocar em uma única plataforma o programa de controle da febre aftosa.
Posteriormente, a ministra Kátia Abreu expôs as possibilidades abertas pela publicação do pacote de concessões do Governo Federal também ao presidente interino da Agência Japonesa para a Cooperação Internacional (JICA), Toshiyuki Kuroyanagi, e com o diretor-executivo do Banco de Cooperação Internacional do Japão (JBIC), Koichi Yajima.

Com previsão de investimentos de R$ 198,4 bilhões nos próximos anos, o Programa de Investimentos em Logística prevê concessões em rodovias, ferrovias e portos. Do valor previsto pelo Governo, R$ 69,25 bilhões deverão ser aplicados entre 2015 e 2018.

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Um dos temas tratados no campo da logística diz respeito às ferrovias planejadas pelo Governo brasileiro. Kátia Abreu destacou o eixo de escoamento previsto para a extensão geográfica que recobre parcialmente os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia; e de Mato Grosso, que deve produzir na safra 2014/2015 em torno de 49,7 milhões de toneladas – 24,6% das 202,1 milhões de toneladas a serem colhidas no Brasil.

Uma das ferrovias tratadas no encontro com os japoneses ligará a cidade de Lucas do Rio Verde, no médio Norte de Mato Grosso, ao Porto de Miritituba, no Pará. No pacote de concessões consta também a Ferrovia Bioceânica, considerada um novo caminho para a Ásia. A ferrovia ligará o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, até o Porto de Ilo, no Peru, numa extensão de 4,4 mil quilômetros, cortando as principais regiões da produção de grãos do Brasil.

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METEOROLOGIA – Antes do encontro com o ministro da Fazenda do Japão, a comitiva brasileira se reuniu com o diretor-geral da Agência Meteorológica do Japão (JMA), Noritake Nishide, e pediu apoio para ampliação da capacidade operacional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

“Com instrumentos meteorológicos mais precisos, avançaremos na melhoria do planejamento das políticas públicas para agricultura. Os resultados são diversos, entre os quais a redução do desmatamento e aumento do plantio de florestas para redução da emissão de gases poluentes” – disse o senador. Além disso, Fagundes citou ser fundamental a preservação do potencial hídrico a partir do planejamento do uso de irrigação em longo prazo.

A comitiva visitou a sede da Agência Meteorológica do Japão para conhecer em detalhes o trabalho desenvolvido para a previsão de tufões, além do sistema de anúncios e alertas a nível local e nacional.

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