Foi doída a derrota de Renan Barão para TJ Dillashaw. Como falamos aqui no blog no domingo, a surra tomada pelo brasileiro, perdendo a revanche que valia o cinturão dos galos do UFC, lembrou muito o que Cigano passou contra Cain Velásquez, que na segunda luta contra seu maior rival tomou uma surra tão dura quanto na primeira. Mas, virada esta página, o ex-campeão terá de pensar – e muito – sobre qual será seu próximo passo. As opções não são simples, darão muito trabalho, mas o potiguar tem apenas 28 anos e muito com que sonhar.

Dana White foi o primeiro a indicar um caminho para Barão: subir de peso. E, realmente, esta é uma opção que sempre esteve ali, próxima do potiguar, já que não é mistério para ninguém as dificuldades que ele têm para se adequar ao peso galo (até 61 kg), assim como acontece com José Aldo, sempre ligado a uma ida à categoria leve. Essas dificuldades fazem com que o corte para a pesagem seja duro e afeta até a sua performance, já que a recuperação e reidratação também fica mais complicada. O gás de Barão em comparação ao de Dillashaw mostra isso.

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Os pontos negativos desta opção passam pela chance de ele enfrentar rivais maiores fisicamente e também de entrar em um plantel de lutadores de qualidade ainda maior do que se via nos galos: Frankie Edgar, Chad Mendes, Ricardo Lamas… Isso é, ele teria de comer grama e trabalhar muito para provar que pode chegar ao topo.

Além disso, há José Aldo. Para sonhar com um título, sua opção seria torcer para que o companheiro de time cumpra o esperado há tanto tempo e passe para o peso leve – de preferência ao vencer Conor McGregor.

Por outro lado, há boas vantagens. Potencial nunca faltou a Barão. Talentoso, com armas preciosas tanto em pé quanto no chão e um dos lutadores mais ousados da organização, há uma boa chance de o sofrimento em cada pesagem inutilizassem parte do seu arsenal. Barão é tão bom, que venceu mesmo assim todos que passaram por seu caminho, antes de Dillashaw – este sim um peso galo realmente adequado à categoria – aparecer como uma locomotiva em seu caminho.

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Como peso leve, ele poderia chegar mais forte às lutas, com o gás em cima e teria mais condições de se apresentar com 100% do seu potencial. Vale citar que, no começo da carreira, era como pena que Barão lutava, até optar por seguir sua carreira no peso de baixo.

A segunda opção é seguir como está e se manter no peso galo. Isso significaria seguir se matando para bater os 61 kg, e, por enquanto, sem grandes recompensas pela frente. Com duas derrotas para Dillashaw, a chance de um terceiro combate tende a zero. Portanto, qual a motivação de se manter nesta categoria?

Caso siga, o melhor cenário para Barão seria virar o “gatekeeper”, o guardião do cinturão, aquele lutador que “controla” o acesso ao campeão e que testa quem de fato tem chances de lutar pelo título. Um exemplo: Chad Mendes. O norte-americano perdeu para José Aldo duas vezes, mas tem um status de muito respeito na organização. Tanto que disputou o cinturão interino contra Conor McGregor, foi derrotado e, com esse resultado, ficou provado que o irlandês ganhou com justiça sua chance de enfrentar Aldo. Barão se manteria como um forte número 2, só esperando TJ cair e ele voltar a ter uma chance pelo título – mas sem saber quanta paciência precisaria ter nesta fila.

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Mais do que apenas escolher quanto pesará em sua próxima luta, o brasileiro deixou claro que a outra grande questão está em sua evolução como lutador, e como ele poderá sair de tudo isso como um novo Renan Barão.

Quando um lutador perde duas vezes para um mesmo rival, de forma tão acachapante e em lutas tão semelhantes, seus pontos fracos são esmiuçados e vistos como se estivessem sob uma lupa por seus rivais. Então, Barão tem não só de retomar seu melhor jogo, mas também ir além. O novo Barão, seja ele ainda melhor tecnicamente na trocação, seja usando mais seu jogo de chão, precisa se apresentar, para que não vire mais um na organização e para que seu futuro dentro do UFC faça jus ao legado que deixou enquanto reinou entre os galos.

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