Campeã peso-galo do UFC, Ronda Rousey reina absoluta na categoria desde março de 2012, quando tomou o cinturão do extinto Strikeforce das mãos de Miesha Tate. De lá para cá foram seis defesas de título implacáveis, cinco delas no primeiro round e, hoje, aos 28 anos de idade, a americana continua invicta na carreira, com 11 lutas e 11 vitórias.

A dominância de Ronda no esporte é tanta que, essa semana, ela foi eleita a lutadora do ano, conquistando o “ESPY Awards”, prêmio considerado o “Oscar do Esporte” nos EUA. Para levar o troféu para casa, Rousey derrotou nomes como Floyd Mayweather e Jon Jones. Ela também se tornou a primeira mulher e primeira atleta de MMA a receber o prêmio.

Tanto sucesso, no entanto, faz com que “Rowdy” seja, cada vez mais, alvo de questionamentos. Durante muito tempo falou-se sobre o que seria a “maior luta de MMA feminino da história”: o duelo da campeã peso-galo do UFC contra uma das precursoras do esporte e atual campeã peso-pena (65,8 kg) do Invicta FC, Cris Cyborg. Apesar da rivalidade entre as duas atletas, a luta nunca saiu do papel, pois a americana já disse que só aceita o duelo se a curitibana descer para a categoria dos galos (61,2 kg), o que, até o momento, tem se revelado um impasse. Em conversa com os jornalistas na academia em que treina, em Glendale, na Califórnia, nesta quinta-feira, Ronda mais uma vez falou da rival e garantiu que pretende enfrentar a brasileira antes de se aposentar. Ela, inclusive, já visualizou como seria o embate:

– Eu tenho essa ideia na minha cabeça de que a minha última luta será espancando a Cyborg e, quando o Dana (White) colocar o cinturão em mim pela última vez, eu vou poder tirá-lo da minha cintura e devolvê-lo a ele. Mas, sabe, se ela não der um passo adiante, eu posso seguir em frente e fazer outras coisas na minha vida. É ela quem vai cair na escuridão sem mim. Eu realmente espero (que essa luta aconteça um dia), mas depende apenas dela. Eu não vou sair por aí correndo atrás dela e ela não está em posição de me ver fazendo isso. Ela é uma fraude. Se você pode bater 65,8 kg usando esteroides, você pode parar de usá-los e descer de peso.

Durante o bate-papo com a imprensa, a campeã peso-galo do UFC também falou sobre a visita ilustre do ex-pugilista Mike Tyson à sua academia, na última quarta-feira. Na oportunidade, Tyson acompanhou um treino da lutadora, que se prepara para enfrentar a brasileira Bethe Correia na luta principal do UFC 190, na HSBC Arena, no Rio de Janeiro, no dia 1º de agosto.

– Ronda é uma dama. Educada, amável, doce e adorável. Mas, com todo o seu calibre, ela é uma assassina. Ela tem aura de assassina, ou seja, tudo pode acontecer. É muito empolgante antes mesmo de uma luta começar. Eu lembro de mim mesmo quando a vejo lutar – declarou a lenda do boxe ao site da ESPN americana.

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– Foi muito bom ter o Mike Tyson aqui. Vê-lo sair de sua rotina para vir me ver treinar foi algo muito despretensioso – derreteu-se Ronda aos jornalistas, ao falar da visita especial.
Confira os demais temas abordados pela campeã peso-galo do UFC no “Media Day” desta quinta-feira:

Sobre a cutucada em Floyd Mayweather Jr, ao ser eleita a melhor lutadora do ano pelo “Oscar do Esporte”:

– É sempre uma satisfação poder escrever um pouco da história. Eu não acho que nenhuma mulher foi eleita como “melhor lutador/lutadora” antes, então é como se eu estivesse abrindo o caminho para que mais mulheres possam chegar ainda mais longe. Depois do que ele disse no ano passado, eu estava ganhando tempo para responder. O que aconteceu foi que alguém perguntou ao Floyd: “Como você acha que se sairia em uma luta contra Ronda Rousey” e ele respondeu: “Ronda Rousey? Eu não sei quem é ele”. E, depois de explicarem quem eu era, ele disse: “Eu sei quem ela é”. Eu sei que, com absoluta certeza, ele sabia quem eu era, pois eu também estava concorrendo a melhor lutadora do ano e ele trabalha com lutadores de MMA.

Então, para mim, a sua ignorância não passou de um comentário sarcástico. Depois disso, toda a mídia começou a criar uma rivalidade sobre essa história. Eu estava sentada no sofá depois de uma cirurgia, tinha acabado de operar, um dia antes, o joelho e o meu polegar, e eu não deixo essas coisas de lado, mas também sou uma garota paciente. Queria responder no momento mais apropriado, no qual eu poderia dizer que não sou o tipo de garota sobre o qual ele pode fazer comentários sarcásticos. Então, esperei um ano inteiro para poder falar alguma coisa. E se eu não tivesse vencido o troféu de “melhor lutador” esse ano, eu esperaria dois, três anos ou o tempo que fosse necessário para poder dizer isso.

Sobre o prêmio de “melhor lutador” do ano:

Eu venci o prêmio de “melhor lutadora feminina do ano” em 2014, e vencer o prêmio de “melhor lutador” do ano foi mais especial. É ótimo que as pessoas vejam as mulheres no topo de categorias que não são apenas para mulheres. É ótimo que as pessoas se acostumem com esse tipo de coisa. Foi como fazer parte de um pedaço da história também, porque uma mulher nunca tinha vencido esse prêmio antes e achei que foi algo muito importante.

Sobre lutar no Brasil, país de Bethe Correia, sua adversária no UFC 190:

Você pode dizer que é uma desvantagem, mas eu gosto de pensar que sou boa o suficiente e, para cada vantagem que eu tenho, elas ainda estão em tanta desvantagem que nunca vão me vencer. Cada torneio, copa do mundo ou campeonato importante, durante a minha vida toda, sempre aconteceu quando eu não tinha a vantagem de lutar em casa. É algo que estou acostumada. Estou acostumada a aparecer em um país, do outro lado do mundo, um dia antes da luta para me pesar de manhã e lutar uma hora depois. Isso é um luxo extremo. O Rio, na verdade, é um dos lugares em que eu lutei que me trazem mais sorte. É o barulho da torcida e a pressão que realmente me fazem melhor. Eu venci os Jogos Panamericanos lá, com o Brasil na final. Mayra (Aguiar), que se tornou uma judoca maravilhosa desde então…eu tenho muito orgulho de dizer que eu a enfrentei quando ela estava começando. Todo mundo do Brasil a amava e todos eles me odiavam.

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Deus do céu, eles me odiavam! E eu fui muito vaiada quando me tornei campeã, eles gritaram “Uh, vai morrer” e eu amei. Amei que eles se importaram tanto assim. Sabe em quantos lugares eu lutei e não havia quase ninguém lá vendo ou aquele completo silêncio? Isso te sufoca como lutador, lutar nesse ambiente te sufoca. Quando todo mundo grita e coloca o ar para fora, isso me ajuda a respirar.

Essa luta (contra a Bethe) já tinha se tornado pessoal para mim e eu queria derrotá-la da forma mais devastadora possível e isso seria lá em frente às pessoas de seu país. Na verdade, antes da luta ser fechada, eu fui ao Brasil em uma turnê e todo mundo foi tão legal e tão maravilhoso. Eles me perguntavam toda hora: “Quando você vai lutar aqui, Ronda?”. Eu prometi que encontraria uma forma de lutar lá e sou uma mulher de palavra. Vi uma oportunidade de lutar lá, queria dar a eles exatamente o que queriam e o que eu prometi. É por isso que estou indo lutar lá.

Sobre a falta de competitividade da divisão peso-galo feminino do UFC:

Acho que no dia em que eu sentir que estou sem opções de adversárias, é o dia que eu devo parar. No momento, elas estão se enfileirando uma atrás da outra. O fato de a divisão peso-palha ser tão competitiva é uma das coisas mais encorajadoras que poderia acontecer. É uma divisão que não tem nada a ver comigo e está indo muito bem. Então, eu sinto que o MMA feminino é autossuficiente e, se um dia, eu ver que é algo que vai durar décadas sem mim, então eu poderei sair de cena. Todo mundo diz que estou ficando sem oponentes, mas espero que isso não aconteça, porque senão terei que sair de cena.

Como conciliar a carreira de lutadora e atriz?

Eu não quero cometer o mesmo erro que cometi depois da minha última Olimpíada, quando saí dos jogos sem opções. Quero ser a primeira atleta a ter sucesso simultaneamente em minha carreira no esporte e na carreira como atriz. Quando eu estiver pronta para deixar a carreira de lutadora, quero estar apta a chegar aonde quero chegar como atriz. Estou tentando ao máximo me tornar uma boa atriz, pois sou uma faixa-branca nessa profissão. Espero que consiga melhorar muito até o dia em que puder me dedicar 100% a essa carreira. Quando eu não tenho objetivos ou algo para me guiar, é muito difícil para mim. Não vou cometer esse mesmo erro de novo.

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Conor McGregor

Tem sido muito divertido ver o Conor se desenvolver e amadurecer, não só como lutador, mas também como homem. Eu o vi crescer muito e estou feliz pelo que tenho visto. Não poderia ser mais feliz por ele e pela empresa por sua vitória. Eu realmente agradeço o respeito que ele tem por mim, é algo mútuo.

Se tivesse uma lesão tão séria quanto a de José Aldo antes do UFC 189. O que faria?

Eu lutaria, mas sou maluca (risos). Você acha que eu nunca desisti de uma luta porque nunca me lesiono? Ou você acha que sou a pessoa mais sortuda do mundo? Não, não sou, apenas não vou te contar sobre isso.

Como viu a derrota de sua amiga Marina Shafir, no Invicta FC 13, e a demissão da Shayna Baszler do UFC?

Você sempre quer ver seus amigos serem bem-sucedidos e é sempre difícil quando eles passam por períodos difíceis, mas eu sou uma pessoa melhor hoje por causa de todos os tempos difíceis que passei. Todas elas têm as suas jornadas individuais e não vão ter jornadas exatamente iguais à minha, porque cada um tem o seu caminho. Eu posso apenas apoiá-las e lembrá-las de que essa é a atual situação, mas não a vida delas. Isso é onde você está, mas não é para onde você está indo. Acredito que, no futuro, elas vão olhar para trás e vão agradecer pelos obstáculos que apareceram em seus caminhos.

Planos para o futuro

Primeiro o que me motivava a seguir no esporte era permanecer invicta. Depois, a motivação era provar que todo mundo estava errado e, agora, o que me motiva é deixar um legado. Cada um dos meus adversários têm toda a minha atenção lá dentro, mas eu comecei a pensar na minha carreira como um todo. Eu quero ser aquela atleta dominante que vai se aposentar invicta e no topo. Há muito trabalho a fazer antes de eu completar essa tarefa.
UFC 190
1 de agosto, no Rio de Janeiro
CARD PRINCIPAL – a partir de 23h (horário de Brasília)
Peso-galo: Ronda Rousey x Bethe Correia
Peso-meio-pesado: Mauricio Shogun x Rogério Minotouro
Final do TUF Brasil 4 peso-leve: Fernando Açougueiro x Glaico França
Final do TUF Brasil 4 peso-galo: Dileno Lopes x Reginaldo Vieira
Peso-pesado: Stefan Struve x Rodrigo Minotauro
Peso-pesado: Antônio Pezão x Soa Palelei
Peso-palha: Cláudia Gadelha x Jessica Aguilar
CARD PRELIMINAR – a partir de 19h (horário de Brasília)
Peso-meio-médio: Demian Maia x Neil Magny
Peso-meio-pesado: Rafael Feijão x Patrick Cummins
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Nordine Taleb
Peso-galo: Iuri Marajó x Leandro Issa
Peso-médio: Vitor Miranda x Clint Hester
Peso-galo: Hugo Wolverine x Guido Cannetti

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