A Mercedes hoje domina a Fórmula 1, com 24 vitórias nos últimos 28 GPs, desde o início da última temporada. Mas não foi sempre assim. A marca alemã ficou por 32 anos afastada das competições após o maior acidente da história do automobilismo – na Fórmula 1, os alemães só voltaram a ter uma equipe própria 55 anos depois. A tragédia das 24h de Le Mans de 1955 fez 60 anos recentemente – e passou em branco tanto entre os alemães, quanto entre os organizadores franceses da prova, que é disputada até hoje.

O passado que Mercedes e as 24h querem deixar para trás foi um marco na história do automobilismo. Foram 83 mortos e quase cem feridos em uma tragédia que, por muito tempo, assombrou os eventos relacionados ao esporte especialmente na Europa.

O acidente aconteceu na 35ª volta de uma disputa acirrada entre as Jaguar e as Mercedes, com astros Juan Manuel Fangio e Mike Hawthorn na ponta. Os dois tinham se encontrado na pista com o companheiro de Mercedes de Fangio, Pierre Levegh, francês de 43 anos, que estava uma volta atrás.

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O trio vinha na longa reta de 6km, onde estava a maior concentração de público, quando se aproximou da Austin-Healey de Lance Macklin, bem mais lenta. Hawthorn freou de forma brusca quando viu que havia sido chamado para os boxes e acabou gerando uma reação em cadeia: Macklin também freou violentamente e Levegh não conseguiu evitá-lo, batendo na roda traseira de seu carro e levantando voo.

Completamente desgovernado, o Mercedes partiu em direção ao público, destroçando-se no caminho e atingindo centenas de espectadores. Jogado para fora do veículo, Levegh morreu na hora.

Mesmo com a tragédia, a corrida continuou, com Hawthorn sagrando-se vencedor. Segundo os organizadores, a decisão de seguir com a disputa foi tomada pelo medo de que, se os espectadores começassem a ir embora, as vias de acesso poderiam ficar obstruídas, impedindo a passagem dos carros de resgate. A Mercedes, contudo, retirou seus carros da competição quando ficou clara a dimensão da tragédia.

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Mudanças
Ainda que os padrões de segurança da década de 1950 continuassem rudimentares, a reta de Le Mans jamais foi a mesma após o acidente: já no ano seguinte foram instaladas proteções para o público. Na década de 1970, apareceram os guard rails – que chegaram até a ter três camadas, juntamente de caixas de brita para ajudar na desaceleração dos carros.

A própria pista já não é a mesma: ainda que fosse um dos pontos mais famosos do circuito, a reta Mulsanne ganhou duas chicanes para diminuir a velocidade dos carros.

No evento deste ano, contudo, a organização preferiu salientar a segurança atual e deixar as memórias trágicas para trás, sem grandes menções ao ocorrido. Já a Mercedes inclusive colocou alguns de seus carros históricos da primeira metade da década de 1950, quando a marca dominava o automobilismo no pós-guerra, na pista durante o Festival de Velocidade de Goodwood, na Inglaterra, mas preferiu fazer alusão apenas às vitórias da época: o Mercedes-Benz 300 SLR foi pilotado pelo astro da Fórmula 1 dos anos 1950 e 1960, Stirling Moss, e foi apresentado como o grande vencedor da Mille Miglia de 1955. O modelo, contudo, foi o mesmo com que Levegh corrida naquele fatídico 11 de junho de 1955.

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