Ao final da Idade Média, após os leprosários se esvaziarem, houve uma nova clientela crescente, a dos loucos e insanos. Registros de possíveis psicopatas, como o caso do abade Bargedé, sendo preso aos setenta anos como insano, e internado em Saint-Lazare.

Segundo Foucault (2005) “Foi totalmente impossível ‘descobrir nele algum sentimento de caridade’. Bargedé é um insano, mas não como são insanas as personagens embarcadas na Nau dos Loucos, que o são na medida em que foram arrastadas pela força viva da loucura. Bargedé é um insano, não porque perdeu o uso da razão, mas porque ele, homem da Igreja, pratica a usura, não dando mostras de nenhuma caridade e não sentindo remorsos; porque caiu à margem da ordem moral que lhe é própria.” (p.136)

Percebemos que nesse período não havia uma distinção dos transtornos; loucos, insanos ou psicopatas seriam todos encaminhados ao mesmo destino, trancafiados num mesmo local e deveria ter o mesmo tratamento, a violência.

A segregação era comum, todavia era a maneira de isolar aqueles que não estavam dentro dos “padrões” morais e éticos que a sociedade impõe. Muitas vezes eram expulsos das cidades e encaminhados aos barcos prisões, que deveriam ficar errantes pelos rios.

Hoje seria um grande privilégio se isolar numa embarcação, e sair viajando sem destino pelos rios, parando de cidade em cidade. Aquilo que outrora fora um castigo, se tornaria num descanso para tanta insanidade que temos presenciado.

Falar de Psicopatia nos faz repensar as mais diversificadas formas de violência: contra a sociedade, contra o patrimônio, contra o bem comum. Basta ligar a TV, para assistirmos inertes as mais diversas formas de psicopatia: Corrupção, Assassinatos, Guerras, Desigualdades Sociais… Ou sair de casa! Dá vontade de correr para um barco e sair pelo Rio Vermelho abaixo! Volta Nau, volta para nos livrar de toda essa insanidade!

FOUCAULT, M. História da Loucura. São Paulo: Perspectiva, 2005.

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