Aquela viagem dos sonhos para o exterior ficará para depois. As compras de produtos importados serão freadas. O comércio também precisará passar por adaptação. Tudo por causa de um motivo: o dólar. Ou melhor, do alto valor da moeda norte-americana, que tem mexido com os planos dos brasilienses. Ontem, o dólar fechou em queda de 0,83%, mas ainda acima dos R$ 3,50 na venda. Um crescimento de 2,33%, em comparação ao mês passado, quando operou em R$ 3,42, no maior valor desde 20 de março de 2003 (R$ 3,478). A cotação segue a lei da oferta e da procura. Se há dólares demais em circulação, o valor cai. Se as notas somem do mercado, aumenta a concorrência entre compradores e vendedores, ou seja, a cotação sobe. O modelo vale para qualquer moeda no mercado internacional e influencia a vida de muita gente.

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O servidor público Sgualdo Chianelli, 31 anos, que o diga. Ele e a namorada, a servidora pública Gleis Jesus de Queiroz, 30, planejavam se casar em Las Vegas este ano. Mas o sonho terá de ser adiado. “O preço do dólar foi decisivo na nossa viagem. Agora, só no ano que vem, se a cotação baixar”, afirmou Gleis. Com a mudança de planos, os dois se juntaram ao casal de amigos, o fotógrafo Magno Silva, 30, e a funcionária pública Evelin Matos, 32, e seguirão um roteiro pela Europa. “Já que estava caro e íamos gastar mesmo, preferimos ir para a Europa”, explicou Sgualdo. Segundo Magno, a tarefa agora será economizar, também, em euros. “Não será viagem para compras. A ideia é passear muito, em vez de gastar com compras”, justifica Evelin.

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Para o comércio, a situação não é diferente. Muitos planos terão de ser adiados por conta do orçamento. No caso das lojas que trabalham com produtos importados, esse recuo terá de ser ainda maior. O comerciante Antônio Lúcio de Sousa, 44 anos, tem uma loja de vinhos na 212 Sul desde 1986. A previsão era de que este ano pudessem aumentar o espaço da loja, reformar outra parte e incluir novos serviços. No entanto, tudo permanecerá no papel. Pelo menos por mais um ano. “A cada compra, percebemos que a fatura vem com um valor maior. E não tem jeito. A gente faz um esforço danado, mas acaba tendo que repassar para o consumidor”, explicou. Um exemplo prático é o preço de um vinho com boa saída na loja. Em dezembro, o valor de mercado ficou em R$ 168. Agora, quase sete meses depois, a mesma garrafa não sai por menos de R$ 256.

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Economista do Conselho Regional de Economia (Corecon), Roberto Piscitelli explica que a alta no dólar afeta todas as classes sociais, embora de formas diferentes. As classes média e média alta sentem os efeitos mais diretamente, tanto pelo consumo de viagens quanto pela compra de produtos importados. Mas a desvalorização do real afeta também o preço do pão, por exemplo, já que o Brasil importa 50% do trigo utilizado, e até da carne, por conta do uso do insumo na ração dos animais para o abate. Nesse caso, o bolso das classes mais baixas é o mais prejudicado, pois afeta produtos essenciais na mesa de uma parcela da população que tem menor poder de compra.

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