Foto: Ermolaev Alexander / Shutterstock
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Só de falar em dentista você treme, lembra do barulho do motorzinho que arrepia até o último fio de cabelo. E quando pensa em levar seu bebê para essa sessão de tortura, o coração aperta. Mas lembre-se que o medo é apenas seu, e a criança não tem a menor ideia do que vai se passar naquela cadeira. Para ela, a experiência pode ser o oposto da sua, extremamente prazerosa, por isso cuidado para não repassar um trauma.

Escolha um odontopediatra
A melhor maneira de encarar esse dia de forma natural, é se informar do que vai acontecer por lá, além de escolher um odontopediatra, que será treinado para cuidar dos dentes dos pequenos usando a melhor psicologia. “Confiança no profissional é fundamental. Isso permite que a segurança do adulto apareça em primeiro lugar, depois disso é confiar na abordagem lúdica. Com brincadeiras, as injeções se transformam em água mágica e aprender a escovar os dentes e cuidar da boca é um processo leve e muito legal”, diz a psicóloga infantil, Daniella Freixo de Faria, autora do livro “Conversa com criança; Presença – caminho”.

Vá ao dentista antes das cáries
A primeira consulta deveria acontecer durante a gestação, para entender sobre aleitamento materno, como limpar a boca do bebê, uso de chupetas e mamadeiras, retardar a introdução de açúcar na dieta, época de irrompimento dos dentes de leite e permanentes, momento e instrumentais corretos para realizar a higiene bucal, etc.

Depois, a hora de levar o bebê é assim que nasce o primeiro dentinho, o que acontece por volta dos seis a oito meses. “Atualmente, as crianças têm amado ir ao dentista, pois esses profissionais têm cuidado com todo amor dessa experiência, principalmente pelo trabalho preventivo que têm realizado”, afirma a psicóloga.

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Essa prevenção é importante para que a primeira experiência da criança no dentista não seja associada a uma situação de dor, como cáries ou traumas.

Saiba o que é feito na primeira consulta
Daniela Prócida Raggio, professora associada de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da USP, explica que esse é o momento de familiarizar a criança ao ambiente do consultório, mostrando a luz do refletor, a seringa tríplice que joga água e ar, o sugador, entre outros equipamentos.

“Geralmente, o bebê fica deitado na cadeira odontológica e o responsável debruçado sobre ela (barriga com barriga), para ajudar na contenção da criança e para passar tranquilidade. Outra posição seria joelho a joelho, em que profissional e responsável sentam em duas cadeiras, unindo os joelhos, e o bebê se deita com a cabeça voltada para o profissional. Essa posição serve para o exame, como também para a higiene bucal caseira”, explica Raggio.

Nesse exame, são observados todos os tecidos moles (gengiva, rebordo, bochecha, freios labial e lingual), como também é feita a orientação direta de higienização, geralmente realizada pelos pais, para que eles sintam a pressão que devem exercer durante a escovação.

A odontopediatra, Greice Paes de Almeida, diz que é preciso ver a criança como um todo e avaliar seus hábitos. “Pergunto o estado emocional, se respira pela boca, se dorme com a mão embaixo do rosto, se come frutas e legumes, como é a saúde geral. É uma consulta que dura uma hora”, diz.

Evite problemas bucais da infância
Infelizmente, a cárie ainda é a grande vilã na saúde bucal dos pequenos, assim como as mal oclusões, conhecidas como problemas de mordida. “É de extrema importância que os pais saibam como higienizar corretamente, assim como retardar a introdução do açúcar, para que não haja desenvolvimento de cárie”, diz Daniela.

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Greice conta que os bebês são acometidos pela chamada cárie de mamadeira. “Isso acontece porque as crianças mamam e vão dormir sem fazer uma higiene. É superimportante que os pais limpem a boca depois da mamadeira, mesmo antes de os dentes nascerem, para que a criança acostume desde sempre a escovar os dentes depois de comer”.

“Quanto às mal oclusões, o ideal seria utilizar chupetas e mamadeiras de modo racional, ou mesmo não utilizá-las, e remover o hábito o mais precocemente possível”, avalia Daniela.

Foto: Voyagerix / Shutterstock
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Como limpar a boca da criança
Escova: extra macia, de preferência de cabo longo, pois os pais que farão a higiene.
Pasta: com flúor, acima de 1100ppm, em pequena quantidade na escova.
Quantas vezes: sempre depois das refeições.
Fio dental: assim que a criança tiver dois dentes em contato.
Tática: deixe uma escova para a criança brincar durante o banho, manusear, associando a higiene corporal e bucal.

SEMPRE
– Leve a criança ao dentista regularmente para uma consulta de prevenção. Isso ajuda no comportamento futuro, pois ela percebe que o dentista é amigo, e não uma ameaça, já que, nas consultas, ela não sentirá dor.
– Em casos em que a criança tenha alguma lesão de cárie, o ideal seria usar abordagens menos agressivas, como é o caso do Tratamento Restaurador Atraumático (ART). Nesse tipo de procedimento, são utilizados somente instrumentos manuais (sem o motorzinho), reduzindo a ansiedade da criança durante.
– Explique que o dentista vai cuidar da boca dela, que se preocupa com ela, assim como o pediatra.
– Leve a profissionais especializados em atender crianças.
– Oriente as pessoas que têm contato com a criança, inclusive primos, a não brincar que o dentista vai arrancar o dente dela com alicate.
– Leve a criança a uma de suas consultas no dentista, para você servir de exemplo.

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Foto: alekso94 / Shutterstock
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NUNCA
– Nunca minta. Não diga que vão ao parque e leve a criança ao dentista. Isso gera a desconfiança no pequeno que não vai entender o porquê da mentira.
– Nunca faça ameaças ou crie expectativas não reais. Por exemplo: o dentista tem uma injeção enorme, se você não ficar quieto na consulta, vou pedir para ele usar.
– Nunca amedronte as crianças com frases do tipo “se você não comer tudo, te levo ao dentista para ele te dar uma injeção”, ou “se você não se comportar, te levo ao dentista”.
– Nunca compartilhe com os filhos suas experiências negativas no dentista, isso vai aumentar a ansiedade do pequeno.
– Evite açúcar na alimentação da criança. Criança até dois anos de idade não deve ter contato com o açúcar, segundo a Organização Mundial da Saúde.
– Chorar é normal, a criança chora até para cortar o cabelo. Não entenda o choro como um medo, um trauma, uma dor. Elas choram porque preferiam estar brincando, porque não querem ficar quietas na cadeira, porque estão cansadas. Evite falar “não chore”, respeite e apoie explicando como aquilo vai ajudá-la.

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