A cientista Mary Yong Cong, do Departamento de Agricultura da Flórida, exibe um caracol gigante em seu laboratório em Miami, no dia 17 de julho (Foto: AFP Photo/Kerry Sheridan)
A cientista Mary Yong Cong, do Departamento de Agricultura da Flórida, exibe um caracol gigante em seu laboratório em Miami, no dia 17 de julho (Foto: AFP Photo/Kerry Sheridan)

Ele pode chegar ao tamanho de um tênis, devora centenas de tipos de plantas e pode ser perigoso caso seja ingerido: é o caracol gigante da África, que invade a Flórida a passos lentos, mas firmes.

Eliminá-lo não é fácil e leva tempo. Desde que foi detectado este este gasterópode guloso foi detectado na Flórida há quatro anos, as autoridades já investiram US$ 11 milhões em seu extermínio.

Apesar dos esforços, os caracóis gigantes se expandiram para os subúrbios ao sul da cidade e chegaram inclusive o condado vizinho de Broward, ao norte.

Os moluscos se reproduzem em massa. São hermafroditas e cada um pode produzir 1.200 ovos em um ano.
Além disso, sobem nas árvores para evitar as bolhas de um eficaz veneno que os mata, explicou Mary Yong Cong, do Departamento de Agricultura da Flórida.

“São muito curiosos”, disse, enquanto mostra na palma das mãos um caracol, que estica os olhos.
Os caracóis podem hibernar debaixo da terra, o que dificulta sua localização. A espécie de maior tamanho registrado na Flórida chegava a 18 centímetros.

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As autoridades levaram dez anos para erradicar esta espécie após uma primeira invasão em 1966.
Para ajudar nos esforços, as autoridades colocaram à disposição uma linha telefônica para que as pessoas liguem quando vejam caracóis gigantes, que depois são retirados por uma equipe munida de ancinhos e luvas.

Se uniram à batalha cães farejadores que localizam os invasores.

Os labradores são usados sobretudo para comprovar que os caracóis foram eliminados após um tratamento químico, explicou um dos treinadores dos cães, Omar García.
158 mil caracóis eliminados

Em um momento do ano passado, os responsáveis pela erradicação pensavam que estavam vencendo a batalha. Mas em setembro de 2014 descobriram só nos arredores de uma casa no subúrbio de Miami cerca de 5 mil exemplares. “Era um paraíso para os caracóis”, afirmou Yong Cong.

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Embora até o momento tenham sido eliminados cerca de 158 mil caracóis, as autoridades não poderão cantar vitória até que não sejam registrados novos caracóis na Flórida em um período de dois anos.

A aposta é grande para o segundo maior estado agrícola dos Estados Unidos, atrás da Califórnia.

Este caracol, originário das regiões úmidas da África ocidental, come muitas plantas diferentes.

“São um perigo para os humanos e a agricultura da Flórida”, disse Mark Fagan, porta-voz do Departamento de Agricultura estatal. “Não podemos deixar que a população continue crescendo”.

Como se não bastasse, os caracóis podem ser vetores de um parasita que pode produzir uma forma rara de meningite nos seres humanos, embora até agora não tenham sido registrado casos de infecções.

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Mistério sobre a chegada
Ninguém sabe ao certo como estes moluscos chegaram à Flórida, mas uma teoria diz que eles foram introduzidos por pessoas que praticam a religião caribenha da santeria.

Mas Ernesto Pichardo, especialista e praticante da crença, refuta essa possibilidade. “Como sempre, qualquer coisa diferente recai sobre a minha religião”, afirmou.

“Me desculpem, mas essa é a primeira vez que vejo estes animais”, garantiu, ao afirmar que alguns rituais usam caracóis, mas apenas pequenas espécies locais.

Pichardo contou que os caracóis gigantes africanos são usados pelos iorubás, nativos da Nigéria e países vizinhos do oeste da África, que acreditam que beber a baba dos gasterópodes pode curar certas infecções.

Mas como na Flórida é ilegal ter um caracol gigante, a prática é feita com muita discrição.

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