meiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pretender formar cerca de 500 milhões de compatriotas em sete anos e transformar o país no “maior fornecedor de trabalhadores qualificados do mundo”, um objetivo maiúsculo se comparado com o nível atual – apenas 3% dos profissionais possuem algum tipo de formação superior.

“Se a China é a fábrica manufatureira do mundo, a Índia deve se transformar na capital mundial dos recursos humanos. Esse deve ser nosso objetivo”, disse Modi recentemente na apresentação do programa.

O projeto, batizado de “Índia Qualificada”, pretende formar os 12,8 milhões de jovens que entram por ano no mercado de trabalho no gigante asiático, além dos 26 milhões de trabalhadores que existem no setor formal e os 433 milhões do informal.

Muitos desses trabalhadores empregados no setor informal são camponeses, que representam 49% do total de trabalhadores na Índia e cuja contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) é proporcionalmente baixa, 14%, algo que Modi deseja mudar formando-os em outras matérias.

O governo indiano, que assinalou que por enquanto só tem capacidade para formar anualmente 3,1 milhões de pessoas, pretende alcançar a meta dos 500 milhões em 2022, o mesmo ano no qual a ONU previu que a Índia se transformará no país mais povoado do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, superando a China.

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Modi advertiu, no entanto, que esse crescimento demográfico poderia se transformar em um problema para o país se os jovens não receberem educação, já que na próxima década isso se traduziria em um excedente de mão de obra entre 40 milhões e 50 milhões de trabalhadores.
“É um grande desafio fornecer educação e formação aos jovens para poder cobrir suas aspirações. (…) Falhar pode chegar a ser desastroso”, afirma o relatório de 2014 sobre o emprego na Índia, redigido pelo Instituto para o Desenvolvimento Humano de Nova Délhi.
No estudo se critica que menos de 30% dos trabalhadores indianos terminou o Ensino Médio e que deles só um de cada dez recebeu algum tipo de formação ou treinamento, que por sua vez costuma ser “extremamente deficitário”.

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Um dos redatores do relatório, Ajit K. Ghose, declarou à Agência Efe que “o grande problema na Índia é a quantidade e a qualidade da educação escolar, que foi a pior durante os últimos anos”.

“Aqueles que vão receber uma formação necessitam possuir as qualidades e formação necessárias para assimilar essas doutrinas, e é por isso que um dos pontos fracos é o sistema educacional pobre, em que é necessária uma melhora”, ressaltou Ghose.

Nas primeiras décadas após sua independência em 1947, a Índia dedicou mais recursos à educação universitária que à primária em um país onde só 18,3% da população podia ler, um número que aumentou hoje até 74%.

Apesar da melhora na alfabetização, a Índia ocupou os últimos postos do relatório PISA de 2011, realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), com os dois estados indianos que participavam, Himachal Pradesh e Tamil Nadu, nos postos 72 e 73 de uma lista de 74 países e regiões.

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Uma deficiência na educação básica que se vê refletida, depois, na pobre capacitação dos trabalhadores que possuem uma formação superior.

Um relatório da empresa de consultoria Aspiring Minds de 2014, divulgado pelo jornal econômico indiano “Mint”, revelou um dado esclarecedor: dos 600 mil engenheiros que formam-se ao ano na Índia, só um de cada cinco possuem os conhecimentos necessários para poder ser contratado.

Longe dessa realidade universitária, uma imensa maioria dos operários que formam o setor informal trabalham diariamente em um regime de total precariedade e instabilidade, algo ao que o premiê indiano deseja pôr fim com os cursos de capacitação.

“Trabalho como pedreiro desde que tinha 20 anos. Aprendi o ofício na obra. Ganho 400 rúpias (cerca de R$ 20) por dia. Não há trabalho. Às vezes, me contratam 15 dias ao mês, outras 20”, contou à Efe Babu Khan, de 55 anos, junto a outras pessoas que fazem pequenos trabalhos na parte antiga de Nova Délhi.

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