Há exatos três anos, Vitor Belfort lutou pelo cinturão dos meio-pesados do UFC contra Jon Jones e, apesar de quase finalizar o campeão, foi derrotado no UFC 152. Desde então, o brasileiro enfrentou diversas polêmicas envolvendo o tema doping. Agora, este combate volta à tona com a notícia de que o carioca teria mostrado níveis elevados de testosterona semanas antes de entrar no octógono.
A informação é do site Deadspin, que em uma reportagem especial mostra o exame em questão, além de revelar que o UFC teria compartilhado esse resultado, sem querer, com lutadores e técnicos, e ordenado que eles apagassem o email em questão.

De acordo com a matéria, testes realizados por Belfort três semanas antes do UFC 152 apontaram um nível de testosterona duas e meia vezes acima do que é considerado normal em um homem. À época, ainda não se sabia que Belfort fazia uso do TRT, tratamento de reposição de testosterona – o que causou muita polêmica nos combates que fez dali em diante, até o banimento da terapia. O carioca começou a fazer uso do TRT por volta de 2011, mas isso só se tornou público e motivo de debate à época do duelo com Michael Bisping.

Após o caso de Chael Sonnen, pego em antidoping em 2010, e com os lutadores passando a usar a permissão do TRT, o UFC teria passado a coletar exames para acompanhar os níveis hormonais dos lutadores. Em um destes exames, Belfort aparece com nível de testosterona livre acima do permitido.

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Os testes apontam que a testosterona de Belfort estava com 1038 nanogramas – acima do normal de 700 nanogramas para um homem, mas ainda no limite. O problema é com a testosterona livre. O exame aponta, em destaque, “elevado”. O número é de 47,7 picogramas por mililitro, bem acima do aceitável – de 8,7 a 25,1.

“Isso seria inaceitável”, afirmou ao site Timothy Trainor, médico consultor da Comissão Atlética de Nevada. Se agum desses números for acima do normal, acende-se uma luz vermelha. Isso quer dizer, basicamente, que a pessoa tem alguma condição médica, ou que está ‘tomando’ testosterona, em altos níveis”. Segundo ele, os números não mostram que o caso é necessariamente passível de penalizações, mas levantam grandes dúvidas e tinham de ser analisados seriamente. Este combate aconteceu no Canadá, e uma comissão atlética de lá regulamentou os combates.

Exames repassados a destinatários errados

O outro problema seria no caso teria sido um acobertamento do resultado. De acordo com a matéria, o UFC deveria ter mandado os exames para três executivos, mas acabou enviando o email e o arquivo em pdf para um grupo de três dezenas de lutadores, técnicos e empresários. Depois disso, teria pedido para que todos destruíssem a mensagem, ameaçando tomar medidas legais se a informação vazasse.

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Na troca de emails, de 4 de setembro de 2012, o UFC teria repassado o exame para 29 pessoas (entre lutadores, técnicos e empresários), e não os três executivos a que se destinavam a mensagem. Pouco depois, a organização teria enviado emails pedindo a destruição da mensagem original.

Em um deles, era dado o aviso: “Você recebeu, não intencionalmente, um email com informações pessoais e confidenciais de Vitor Belfort. Pedimos que você destrua esse email e seu conteúdo imediatamente e não dissemine seu conteúdo. VOcê não tem autoridade para ter posse ou distribuir informação de uma terceira parte. Por favor, note que se você disseminar as informações, a Zuffa não terá escolha, a não ser tomar as medidas judiciais cabíveis. (…) Por favor, contatem-me se tiverem dúvidas ou quiserem discutir o assunto”. Ike Lawrence Epstein, vice-presidente executivo, assina o comunicado.

O Na Grade buscou o UFC para comentar o caso e prestar esclarecimentos, mas a organização nos disse que não vai se pronunciar sobre a reportagem do Deadspin.

Vitor Belfort já foi pego em antidoping com nível elevado de testosterona, em 2006, em luta contra Dan Henderson, pelo Pride – o combate foi em Las Vegas. Uma das grandes polêmicas do TRT, e especialmente no caso do carioca, é que os níveis baixos de testosterona, que “pediam” pela terapia, podem ser causados justamente por abuso de esteroides no passado. O TRT foi banido em 2014.

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Vale lembrar que o UFC 152 sucedeu e novela que virou a edição 151, cancelada por conta de lesões. À época, o rival de Jon Jones no UFC 151 seria Dan Henderson. O desafiante se machucou, e o Ultimate não conseguiu um rival para ele. Assim, a disputa de cinturão foi dada para Vitor Belfort, um peso médio subindo para o meio-pesado, e o combate foi marcado para o UFC 152, em 22 de setembro. No combate, Vitor quase conseguiu vencer Jones com uma chave de braço e chegou a lesionar o norte-americano. Mas acabou finalizado no quarto assalto.

Belfort está com luta marcada para 7 de novembro. Ele vem de derrota por nocaute técnico para Chris Weidman, em seu primeiro combate desde o fim do TRT. Agora, encara Dan Henderson pela terceira vez. Ele perdeu pela primeira vez em 2006 – quando testou positivo no antidoping – e venceu a segunda, em 2013. O combate será em São Paulo.

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