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    Neurologista americano desenvolve teste que pode detectar sinais de Alzheimer em apenas 5 minutos

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    Um neurologista dos Estados Unidos desenvolveu um teste de apenas dez perguntas que pode detectar, em cerca de cinco minutos, os primeiros sinais do Mal de Alzheimer.

    Segundo o pesquisador, o teste não é um diagnóstico de Alzheimer ou outras formas de demência, mas pode “identificar cedo mudanças cognitivas associadas a demências comuns como Alzheimer (…) ou outros problemas como depressão, traumas cerebrais e disfunções causadas por medicamentos”.

    O estudo do médico foi publicado na Alzheimer’s and Dementia, revista da Associação de Alzheimer dos EUA.
    O teste foi distribuído a clínicas nos EUA e está disponível no final deste texto.

    A combinação de provas cognitivas mais usada atualmente para diagnosticar a demência – conhecida como “regra de ouro”, ou “gold standard” – pode levar cerca de duas horas se for realizada por um médico experiente. O novo teste pode ser conduzido por não especialistas como parentes e cuidadores.

    James E. Galvin, ex-professor da Universidade de Nova York, é atualmente pesquisador do Colégio de Medicina da Universidade Florida Atlantic, em Boca Ratón.

    Galvin e sua equipe usaram seu teste, chamado “Sistema Rápido de Avaliação da Demência” (QDRS, na sigla em inglês), em cerca de 300 pacientes, que também foram avaliados pelo método tradicional.

    “Análises estatísticas rigorosas demonstram a validade do QDRS não apenas para distinguir indivíduos com ou sem demência, mas para determinar em que fase da doença eles estão”, disse Galvin à BBC Mundo, site da BBC em espanhol.

    Dez perguntas e suas limitações

    A demência é um termo genérico que descreve uma perda progressiva de funções e capacidades cognitivas que interferem com a habilidade de uma pessoa em ser independente, explicou o cientista.

    “O Alzheimer é a causa mais comum da demência, mas há mais de cem causas”, disse. “Neste estudo também incluímos demências por outras causas, como a demência vascular, a degeneração lobar frontotemporal (doença degenerativa marcada por mudanças no comportamento e personalidade) e a demência com Corpos de Lewy (doença degenerativa que inclui sintomas do mal de Parkinson).”

    O questionário do médico inclui dez perguntas de múltipla escolha, com cinco opções de resposta cada, descrevendo sintomas que vão desde envelhecimento normal até demência severa (veja abaixo).

    Cada pergunta cobre áreas diferentes – de memória a comunicação, orientação, higiene, atenção e concentração, entre outras.
    A pontuação final vai de 0 a 30, e números mais elevados indicam um maior impedimento cognitivo.

    “A grande limitação é a confiabilidade de quem preenche o questionário, de ser alguém que não prestou atenção aos detalhes, ou não conhece bem o paciente, nega-se a aceitar a presença da doença ou tem algum interesse pessoal de que o paciente seja declarado incapaz”, explicou Galvin à BBC.

    Já a vantagem do novo teste, acrescentou, é sua rapidez.

    “Ele permite detectar a doença em suas primeiras etapas, quando é mais provável que as intervenções sejam mais eficientes.”
    Ele advertiu que uma pontuação alta no teste deve ser seguida por uma visita a um especialista.
    “Mas em lugares onde há poucos especialistas, o teste pode ajudar o paciente a ter acesso rápido a diferentes serviços ou determinar, de forma sucinta, como o paciente está respondendo à terapia, se a doença está progredindo ou não”, prosseguiu Galvin.

    Brasil

    A América Latina é uma das regiões que serão mais impactadas pelo aumento dos casos de demência, segundo o relatório Demência na América, publicado em 2013 pela ONG Alzheimer’s International.

    A publicação diz que o número de pessoas com a doença “subirá na América Latina dos 7,8 milhões atuais para mais de 27 milhões em 2050”.

    No Brasil, estima-se que haja 1,2 milhão de pessoas com Alzheimer – menos da metade delas diagnosticada -, diz à BBC Brasil o neurologista Rodrigo Schultz, coordenador do ambulatório de demência grave da Unifesp e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer.

    Ele diz que, embora o novo teste americano não possa ser considerado um diagnóstico preciso – que requer uma análise mais detalhada de por que o paciente pode estar tendo perda de memória -, trata-se de uma ferramenta importante para alcançar um público mais amplo.

    “Pode ser um grande benefício em um país em que muitos não tenham acesso a neurologistas. Um médico de família pode fazer as perguntas (do teste) e, dependendo das respostas, encaminhar o paciente para um serviço de referência.”

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