Após a queda do avião Cessna Aircraft, modelo 150H, que deixou dois mortos na manhã nesta quinta-feira (22), em Rondonópolis, várias denúncias de irregularidades na aeronave e na escola de Aviação Civil Perfect Flight chegaram ao site AGORA MT. No momento do acidente, Victor Pereira Benite, 20 anos, estaria fazendo aula de voo juntamente com o instrutor Eduardo Lourenço, quando o avião despencou se chocando com o solo.

Segundo informações de um ex-funcionário da escola, que não quis se identificar, apesar do avião não pertencer ao proprietário da Perfect Flight, a empresa era responsável pela aeronave, porém não tinha autorização para a instrução de voos. “Esta aeronave estava aqui há mais de seis meses sob a responsabilidade do proprietário da escola exclusivamente para fazer voo com os alunos” revelou a fonte.

 

Segundo a fonte a aeronave divulgada pela escola na FanPage é a envolvida no acidente
Segundo a fonte a aeronave divulgada pela escola na FanPage é a envolvida no acidente

Procurado pela nossa reportagem, o dono da aeronave, Sidiclei Pazette disse que tinha conhecimento que a aeronave estava operando em Rondonópolis, porém não sabia a quem estava arrendada. O mesmo ainda disse que não havia sido informado da queda do avião e que apenas o sócio Fernando Luiz Cunha trabalhava com esta parte e em razão disto, ele deveria estar em Rondonópolis.

Já o sócio, Fernando Luiz Cunha, não quis comentar sobre caso, confirmou apenas que “a aeronave estava arrendada para a escola Perfect Flight, ” e encerrou a ligação.

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Segundo consta no site da ANAC, a escola de aviação Perfect Flight, que possui como presidentes e diretores Paulo Luciano da Silva e Jonas Rodrigues Pereira, não tinha autorização para realizar instrução de voo. No cadastro, a escola estava autorizada apenas à instrução de cursos teóricos para piloto comercial/IFR (avião) e piloto privado de avião (veja imagem).

Cadastro da Anac que mostra que a Perfect Flight só podia dar aulas teóricas de voo
Cadastro da Anac que mostra que a Perfect Flight só podia dar aulas teóricas de voo

Além disto, alunos e ex-alunos da escola Perfect Flight revelaram ao AGORA MT que era feita a venda de pacotes de voos pela escola, inclusive pelo próprio presidente Paulo Luciano. “Várias pessoas compraram horas de voos antes de sair a homologação e ele não devolveu o dinheiro, ” disse um ex-aluno. “Ele me ofereceu 40h por R$ 340, ” disse outro aluno.

Eles afirmam que o presidente da escola deu o ‘calote’ em mais de dez alunos que pagaram as aulas à vista e não fizeram as aulas. Ainda confirme os ex-alunos existem ainda processos de ação trabalhista contra Luciano.

Segundo uma imagem divulgada pelo grupo de uma conversa do aluno Victor Benites, vítima fatal do acidente com a aeronave, realizada ontem, por volta das 14h, através do aplicativo Whatsapp, com outro aluno confirma a venda de horas de voo feito pelo presidente da escola. Na foto, ele faz um levantamento de quantas horas que Luciano estaria devendo ao colega.

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Print da conversa de
Print da conversa de Victor com outro aluno da mesma escola falando sobre as aulas de voo

AERONAVE

O grupo de ex-alunos da escola Perfect Flight ainda revelou a equipe de reportagem do site AGORA MT quanto as péssimas condições do avião envolvido no acidente de hoje. Eles alegam que a aeronave estava sem manutenção e inclusive apresentou falhas ontem (21) no período da tarde durante toque e arremetida (Prática usada pelos pilotos para treino dos procedimentos de pouso). Ainda conforme os ex-alunos, a aeronave não estava homologada para instrução, não tinha seguro total e estava à venda. O avião pertencia a outra escola e existe uma denúncia protocolada na ANAC referente as más condições desta aeronave.

“Ela apresentava vários problemas e já tinham avisado por várias vezes para não colocar o veículo em campo, para fazer a manutenção da aeronave e inclusive tem e-mails protocolados na Anac” desabafa um dos alunos.

Apesar da denúncia dos alunos, a aeronave Cessna Aircraft, modelo 150H possui situação de aeronavegabilidade normal até 2020 conforme consta no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da ANAC.

Ainda no RAB, segundo o ex-funcionário, deveria constar na matrícula os dados da escola de Aviação Civil, no item operador, e não no nome do proprietário como está atualmente. “Esta aeronave está há mais de seis meses na escola, sob a responsabilidade dela, desta forma, é irregular apresentar o nome do dono da aeronave no operador, ” relatou.

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Os ex-alunos ainda desmentem que o veículo tenha sido pego escondido, pois já existem vídeos da vítima Victor voando com essa mesma aeronave. “Ele já estava voando há alguns dias. Você não se forma em um dia. São 40h que é necessário para se formar como piloto privado. Como Luciano não tem ciência que a pessoa estava pegando a aeronave? Até porque eles voavam em instrução em Rondonópolis. Como o [Paulo] Luciano não deu falta do professor, já que ele dorme na mesma escola”, explica um dos alunos.

Outro lado

De acordo com o presidente Paulo Luciano, a aeronave não está vinculada à escola sendo um avião particular. Para o AGORA MT ele afirmou que Victor e Eduardo eram seus funcionários.

“Os dois eram meus funcionários, porém a aeronave não está vinculada à escola, temos um avião parecido, porém não a usamos para instrução de voo. Apesar de serem meus funcionários eles tinham liberdade para voar fora da escola, ” alega o presidente.

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