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O tribunal do juiz Marvin Wiggins estava lotado numa manhã . A lista de causas tinha centenas de infratores que deviam multas ou taxas por uma ampla variedade de crimes –entre eles caçar à noite, agressão, posse de drogas e cheques sem fundo.

Bom dia, senhoras e senhores”, começou Wiggins, que é juiz na zona rural do Alabama desde 1999. “Para vocês considerarem, há uma campanha de doação de sangue lá fora”, ele continuou, de acordo com uma gravação da audiência. “Se você não tem nenhum dinheiro, vá lá e doe sangue e traga o recibo indicando que doou.”

Para aqueles que não tinham dinheiro ou não queriam doar sangue, o juiz concluiu: “o xerife tem algemas suficientes”.

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Os esforços dos tribunais e governos locais para gerar receita impondo multas sobre delitos menores, cometidos especialmente por pessoas pobres e da classe trabalhadora, têm sido alvo de muita atenção e críticas nos últimos meses. Mas especialistas jurídicos e de saúde disseram que não conseguiam se lembrar de nenhum outro exemplo em que um tribunal praticamente ordenou que todos os criminosos doassem sangue em vez de pagar, ou enfrentar a cadeia. Todos eles concordaram que era inadequado.

 

As dezenas de infratores que apareceram naquele dia, velhos e jovens, saíram do tribunal de Perry County e esperaram sua vez num banco de sangue móvel estacionado na rua. Disseram-lhes para levar o recibo para um funcionário, mostrando que eles tinham doado um litro de sangue, e em troca eles receberiam um crédito de US$ 100 na multa que deviam –e poderiam sair em liberdade.

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James M. Barnes Jr., um advogado que estava no tribunal naquela manhã, disse: “achei aquilo muito incomum.”

“Não sei se é legal ou não. E não sei se isso infringe metade da Constituição”, disse ele.

Na última segunda-feira (19), o Southern Poverty Law Center apresentou uma queixa ética contra Wiggins, dizendo que ele havia cometido “uma violação da integridade física”. O grupo também se opôs à audiência para além da questão da coleta de sangue, dizendo que todo o procedimento foi anticonstitucional.

Muitas das pessoas que são cobradas nessas audiências foram tidas como indigentes em determinado momento, mas muitas vezes sua situação financeira não é considerada quando elas são intimadas a pagar.

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