Foto: Getty Images
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Eles são jovens, ganham pouco, gastam pouco, se interessam por moda e aparência e não ligam para sexo – são os ‘homens herbívoros’. A escritora e colunista pop no Japão, Maki Fukasawa, cunhou o termo em 2006 em uma série de artigos sobre uma nova geração de jovens. “No Japão, sexo é traduzido como ‘um relacionamento da carne'”, ela afirmou a CNN, “então eu chamei esses jovens de ‘homens herbívoros’, já que eles não estão interessados na carne”. Hoje, nove anos depois, o número de ‘homens herbívoros’ parece estar crescendo cada vez mais, de acordo com uma nova pesquisa.
A Associação de Planejamento Familiar do Japão entrevistou 3.000 japoneses, homens e mulheres, sobre sua vida sexual, e revelou que quase 50% dos entrevistados não tiveram relações sexuais no mês anterior à pesquisa. 48,3% dos homens não faziam sexo por pelo menos um mês, um aumento de 5% desde a última pesquisa feita em 2012. Contudo, o resultado mais chocante foi que 20% dos homens entre 25 e 29 anos – idade em que costumam ter uma vida sexual mais ativa – mostraram baixíssimo interesse pelo sexo.
As longas jornadas de trabalho registradas no país – chegam até 80 horas por semana – parecem também afetar a sexualidade. Mais de 21,3% dos homens casados entrevistados pela Associação de Planejamento Familiar afirmaram não ter relações sexuais com suas esposas por estarem muito cansados após o trabalho. Por outro lado, o aumento de homens identificados como ‘herbívoros’ pode também representar uma revolução na identidade política do país insular. Além da peculiar falta de apetite sexual, os ‘herbívoros’ não nutrem grande interesse por dinheiro ou bens materiais. Em entrevista a rádio pública americana NPR, Maki Fukasawa afirmou que esses jovens “tem sentimentos de repulsa para com a geração mais velha. Eles não querem ter as mesmas vidas. E o impacto dos herbívoros na economia é muito grande. Eles são novidade agora porque as vendas estão caindo, especialmente de produtos de maior status como carros e bebidas alcoólicas caras”.

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Muito tem sido discutido sobre a decadente taxa de natalidade no Japão, que segundo o Ministério da Saúde chegou ao nível mais baixo em 2014: 1.001 milhões de nascimentos e 1.296 milhões de falecimentos. E a baixa atividade sexual no país não está ajudando a melhorar os números. Contudo, apesar dos ‘herbívoros’ representarem um problema para a natalidade japonesa, ajudam no avanço e na liberação dos japoneses da ideia de “hipermasculinização” que se instalou após a II Guerra Mundial. Em um país que só recentemente começou a debater abertamente os conceitos LGBT, é um grande progresso que as pessoas possam expressar livremente sua opção sexual – seja ela heterossexual, homossexual, bissexual e até mesmo assexual.

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