Protesto Barcelona Camp Nou Uefa - Foto: Claudia Garcia
Protesto Barcelona Camp Nou Uefa – Foto: Claudia Garcia

Liga dos Campeões é Liga dos Campeões, mas o caráter pouco decisivo e o adversário de menor expressão fizeram o duelo entre Barcelona e Bate Borisov uma oportunidade perfeita para a torcida catalã se preocupar com outras coisas, que nada têm a ver com futebol. Confiantes na vitória e tranquilizados pelo bom entrosamento da dupla formada por Neymar e Suarez – autores dos três gols da noite – os fãs roubaram a cena: vaias, protestos, bandeiras “proibidas”, insultos à Uefa e à Fifa marcaram uma noite em que a torcida culé declarou “guerra” à entidade europeia do futebol.

As vaias começaram antes mesmo do começo do jogo, durante a entrada dos times em campo e do hino da Champions. O coro de protesto dos torcedores foi de tal maneira alto e uníssono que impediu a percepção da famosa melodia. Símbolo do movimento separatista, a bandeira da Catalunha – a Estelada – estava em cada canto do Camp Nou. A Uefa havia já multado duas vezes o Barcelona pela exposição do símbolo, mas os catalães recorreram e aguardam decisão. Enquanto isso, a torcida decidiu enfrentar a autoridade continental distribuindo gratuitamente 30 mil bandeiras antes do jogo. Ninguém do Barcelona impediu o ato, que marcou a “guerra” declarada à Uefa.

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Com Esteladas espalhadas, faixa ironiza lema da Uefa e pede: "Respeite" - Foto: David Ramos/Getty Images
Com Esteladas espalhadas, faixa ironiza lema da Uefa e pede: “Respeite” – Foto: David Ramos/Getty Images

A entidade dirigida por Platini foi chamada de “máfia” por um grupo da torcida organizada azul-grená, que exibiu esses cartazes durante o jogo. As manifestações tiveram lugar um pouco por todo estádio. Dois catalães disfarçados de xeques árabes também provocaram Blatter durante uma cobrança de escanteio de Neymar, chamando a atenção.

– Blatter, e a nossa parte do dinheiro? – ironizavam os espectadores, segurando várias notas na mão.
Os catalães aplaudiram. Alguns torcedores quiseram tirar fotos, saíram de seus lugares para conhecer os dois “personagens” – o que gerou alguma confusão no estádio, obrigando a intervenção policial. Nem Neymar, que estava para cobrar o escanteio, entendeu o que estava acontecendo, mas os gritos do público não eram para ele. Era como se ninguém estivesse realmente concentrado no jogo.

Neymar ainda pediu mais apoio do público, que em matéria de torcer, não esteve bem. Só se levantavam ao minuto 17’14” de cada tempo para gritar pela Independência. Este período é escolhido porque recorda o 11 de setembro de 1714, quando a região da Catalunha caiu após mais de um ano de resistência ao cerco imposto pelas tropas do rei de Espanha, durante a Guerra da Sucessão. Os coros nesse período do jogo são comuns em cada partida, mas na noite desta quarta feira foram ainda mais intensos. Cada torcedor segurou uma bandeira separatista e gritou independência por mais de um minuto. A prática se repetiu no segundo tempo.

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Torcedores protestam contra Blatter - Foto: Claudia Garcia
Torcedores protestam contra Blatter – Foto: Claudia Garcia

– Eu não quero comentar esse assunto. Isso é algo muito grande para mim. Eu sou muito pequeno – disse

Daniel Alves no final do encontro, em entrevista na zona mista, evitando o tema.

O primeiro, fez de pênalti, não deixando dúvidas sobre quem é o líder do time na ausência do número 10. Penalidades máximas e cobranças de falta ficaram todas para Ney – como é chamado na Espanha. Os companheiros nem se aproximavam da bola – era só dele. Dribles, corridas pela lateral esquerda e entradas pelo centro marcaram o estilo do futebol de Neymar, que, na ausência de Messi, tem toda a liberdade em campo. No entanto, ao final do encontro, o brasileiro fez questão de frisar quem é o “chefe”.

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– Claro que sentimos muita a falta do Leo (Messi), que é o melhor jogador do mundo, mas eu estou vivendo o meu melhor momento. Desde a temporada passada que é o melhor momento da minha vida, desde há um ano já, e espero continuar assim – afirmou o camisa 11.

No final do encontro, Daniel Alves também comentou sobre a parceria da dupla brasileira e uruguaia.

– Eles já vêm com essa boa conexão desde há muito tempo, desde o ano passado que eles se entendem muito bem, tanto dentro como fora do campo e isso se reflete dentro do campo. É bom para o time, que desfruta e aproveita esse bom entendimento – comentou o lateral-direito.

A noite em que marcou, pela primeira vez nesta edição da Liga dos Campeões, Neymar, não foi, no entanto, a estrela da noite. Desta vez não por causa de Messi, foi culpa do brilho da “estrela” da Catalunha, que se impôs ao bom futebol em campo.

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