A jogadora Mari Paraíba, da seleção brasileira de vôlei feminino e do Minas, revelou ter sofrido assédio quando era criança. A revelação foi feita no programa Corujão do Esporte. Nesta quinta-feira, a atleta  explicou que passou por situações do tipo em três momentos de sua vida, a primeira delas com apenas sete anos.

“Faz muito tempo, isso quando eu morava na Paraíba ainda. Eu era bem criança mesmo. Estava em casa, muito nova. Meus pais sempre iam trabalhar e eu ficava em casa, estava sozinha, e um cara ficava buzinando, saí para ver quem era, fui até a grade e fiquei pendurada. Ele baixou o vidro, estava do lado de fora, falava baixo e perguntava algum endereço e eu não entendia o porquê. Ele falava baixo para eu me aproximar, mas antes de aproximar, que eu achava estranho, pois meus pais falavam para tomar cuidado, percebi que ele começou a ficar nu. Aí eu saí tremendo e correndo gritando nome do meu pai, assustada. Entrei em casa e me tranquei até o carro sair”, disse.

Alguns anos depois, ela voltaria a sofrer um problema semelhante aos 12 anos. Desta vez, em uma praia deserta acompanhada de uma amiga.

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“Outra vez foi quando eu estava na praia, que estava vazia porque não era temporada. Eu fui jogar em João Pessoa, morava em Campina Grande, com a ex do meu irmão e teve folga sábado. Meu vô morava nessa praia e fui eu, minha amiga e meu pai. De manhã, fui para praia com minha amiga e meu pai ficou em casa. A praia estava deserta, veio um cara de bicicleta, parou do lado da minha amiga e começou a falar coisas obscenas. Nós duas travamos, não tivemos nenhuma reação, pois tivemos medo e ficamos quietas. Falou várias coisas feias, mas não fez nada. A gente continuou andando até achar alguma pessoa para pedir ajuda, mas não víamos ninguém. Ele subiu com a bicicleta e eu falei: ‘Bruna, vamos correr’. Começamos a correr muito e ele veio atrás da gente de bicicleta. Mas apareceu um cara, coisa de Deus. A gente começou a chorar e ele nos levou até em casa, comentou para tomar cuidado que não era veraneio e tinha esses casos”, afirmou.

Também na praia, dois anos mais tarde, ela teria mais um problema de assédio. Desta vez, uma praia lotada foi o local.

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“Tinha uns 14 anos, estava com meus primos na praia e ela estava cheia na época. A praia estava cheia de sargaço (alga marinha) no chão e ele estava sentado em acima. Achei que estava procurando alguma coisa, alguma concha. Passei na frente e eu e minha prima olhamos e ele estava se masturbando. Corri na hora, já tinha trauma de quando era criança, ficava apavorada, sai correndo. Minha prima olhou, riu e perguntou por que eu corri. Eu sabia que não ele não ia fazer nada, mesmo fazendo gesto obsceno onde todos poderiam ver, mas sei lá”, falou.

Mari Paraíba não havia revelado esses traumas nem para os próprios pais. Mas, ao falar sobre o assunto, ela se mantém tranquila, segundo ela, por nada mais grave ter acontecido.

“Levo numa boa porque não ocorreu nada. O que aconteceu é que me deixou mais ligada. Quando ando sozinha, se vejo alguém, não fico esperando. Isso me deixou mais alerta, não tenho problema em falar. Acho que muita mulher se sente envergonhada, dá uma travada, como ocorreu comigo, nem comentei com meus pais. Você tem um pouco de receio, vergonha de falar. Graças a Deus não foi nada mais sério, mas acho que deveria expor por mais que seja constrangedor. É uma forma da mulher tentar resolver de alguma forma”, completou.

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A jogadora de vôlei chegou a estampar um ensaio para a Playboy em julho de 2012. A atleta admite que sabia que isso traria comentários machistas e serviu para aprender a lidar com isso.

“Quando resolvi posar sabia que poderia surgir isso, poderiam me ver de forma que não sou, por ter posado. Mesmo tempo eu fico muito tranquila, família sabe o que sou, sabe o que realmente sou, quando querem me afetar de alguma forma por ter posado, procuro abstrair. Sei que existem pessoas maldosas que enxergam como querem e vão julgar. Mas não cabe a mim ficar respondendo esses insultos. Quando surge algo no Instagram, eu ignoro, a melhor forma é ignorar, pois são pessoas vazias, que não te conhecem”, finalizou.

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