O projeto “Novembro Negro, cidadão”, realizado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), tem o objetivo de tornar a escola um ambiente de respeito mútuo e promoção da diversidade e igualdade racial. Durante o mês de novembro, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), a atividade vai envolver mais de 20 mil pessoas, entre estudantes, profissionais e comunidade local de 15 unidades escolares de Cuiabá e Várzea Grande.

Técnicos da Superintendência de Diversidades da Seduc acompanham as apresentações culturais e artísticas relacionadas a história e cultura africana e afro-brasileira trabalhadas durante o ano letivo. O ensino dessa temática é obrigatório por lei, que não é seguida por todas as escolas de Mato Grosso. Dessa forma, a Seduc decidiu acompanhar o resultado dos trabalhos, começando pelas escolas de Cuiabá e Várzea Grande. Do total de unidades escolares, nove já realizaram a ação até essa quinta-feira (19.11).

O lançamento do “Novembro Negro, cidadão” ocorreu na Escola Estadual Presidente Médici e contou com o samba de roda dos alunos da escola quilombola Tereza Conceição de Arruda. As escolas André Avelino, Dione Augusta, Nova Chance, Mario de Castro, Malik Didier, Jaime Veríssimo de Campos Júnior, Porfiria Paula de Campos e Pascoal Ramos também apresentaram os trabalhos.

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As unidades escolares apresentaram pesquisas, trabalhos científicos, montagens, danças, músicas e experimentos de produção sobre as origens do povo africano e das pessoas com essa ascendência que influenciaram no cenário regional e mundial. A exemplo da Escola Estadual Jaime Veríssimo de Campos, em Várzea Grande, que realizou nessa quarta-feira (18.11) a 1ª Jornada de estudos da consciência negra.

Na unidade, os alunos destacaram a cultura regional com a dança do Siriri e uma reportagem sobre a história da Mãe Bonifácia. A dança natural da população negra e ribeirinha da baixada cuiabana foi apresentada pelos alunos do 8º ano. Entre as meninas com vestidos de cetim e chita laranja estava Milena Fernanda Ortiz de Castro de 12 anos. A jovem e os colegas nunca haviam dançado o Siriri e optaram por essa apresentação porque notaram o preconceito da comunidade com a representação cultural.

“Muitas pessoas demonstram racismo quando falam do Siriri, dizem que é uma coisa ruim, que é macumba, sem compreender nenhum dos dois. E nós pesquisamos e apresentamos, mostramos que não é nada disso”, explica a estudante que estava nervosa durante os ensaios, mas acredita que se apresentou muito bem.

Os alunos do ensino médio integrado a educação profissional (Emiep) da unidade realizaram pesquisa de campo sobre a Mãe Bonifácia. Os alunos filmaram a visita ao Parque Mãe Bonifácia, local que já foi quilombo em Cuiabá, e entrevistaram o historiador Aníbal Alencastro. O resultado do trabalho foi editado e apresentado na jornada. A escrava idosa colaborava na fuga e proteção dos negros no antigo quilombo, hoje Parque Mãe Bonifácia.

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Nesta sexta-feira (20.11), Dia da Consciência Negra, a equipe da Superintendência de Diversidades acompanha o projeto “Novembro Negro, cidadão” na escola Maria Leite Marcoski, em Várzea Grande. Entre a segunda-feira, dia 23, e a sexta-feira dia 28, as escolas Liceu Cuiabano, Leovegildo de Melo, José de Mesquita, Fernando Leite de Campos e Dunga Rodrigues apresentam os trabalhos sobre a cultura afro, desenvolvidos durante o ano letivo. As apresentações são gratuitas e abertas ao público.

De acordo com dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% da população de Mato Grosso é negra, número superior a média nacional que é de 51%.

Reforço

O projeto “Novembro Negro, cidadão” representa a culminância pedagógica do trabalho da secretaria que começou com o envio da Nota Técnica n°09/2015 para todas as escolas da rede estadual, em julho desse ano. Foram realizados durante o ano, cursos de formação e capacitação de professores quilombolas e étnico-raciais junto aos Centros de Formação e Atualização de Profissionais da Educação Básica (Cefapros), e a produção e distribuição de livros didáticos com essa temática, nas escolas quilombolas e Cefapros.

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Esse trabalho faz referência a aplicação efetiva da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Africanas e Afro-Brasileiras na Educação Básica. Com a lei, o tema passou a ser componente obrigatório nos currículos do ensino fundamental, médio e modalidades. Os planos de ação bienal e anual do projeto político-pedagógico (PPP) deverão conter no mínimo 10% de recursos destinados à implementação da lei e as discussões da Sala do Educador deverão, obrigatoriamente, contemplar estudos referentes.

Para a superintendente de Diversidades Educacionais da Seduc, Gonçalina de Almeida o trabalho da pasta permite o fortalecimento do ensino da diversidade no currículo escolar, para que as ações de igualdade racial não estejam limitadas apenas ao dia 20 de novembro, mas criando as condições necessárias para que os profissionais da educação o promovam com embasamento. “É preciso ensinar sobre a história e a cultura afro, mas precisamos contar a história do povo, e não apenas da escravidão”, pontua Gonçalina.

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