Logo após o confronto entre José Aldo e Conor McGregor, que terminou de forma inesperada, Dana White já havia ventilado a possibilidade de o irlandês subir de categoria para disputar o cinturão dos leves, que atualmente pertence ao brasileiro Rafael dos Anjos. Aproveitando a dificuldade do irlandês em bater o peso dos penas e a troca de farpas que já havia rolado entre ele e o campeão dos leves, o mandatário do UFC decidiu realizar o confronto.

Apesar disso, o anuncio oficial surpreende por dois aspectos: a complacência do UFC em relação ao irlandês, que terá a oportunidade de conquistar dois cinturões, algo nunca permitido antes na história da organização, e a realização da primeira “superluta”, algo cobiçado por Dana White desde os tempos em que Anderson Silva era campeão dos médios e Jon Jones dos meio pesados.

Conor McGregor ascendeu ao posto que ocupa atualmente após ver grandes campeões da organização, como Anderson Silva, Georges St-Pierre, Jon Jones e Ronda Rousey perderem seus postos. Soma-se a isso o interesse do público, que gosta de ver o falastrão irlandês tentar cumprir as provocações que faz enquanto promove os duelos que irá realizar, o que alavanca as vendas de pacotes de pay-per-view, e também a estratégia de avançar mais no mercado europeu.

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No entanto, a inédita decisão de colocar Conor McGregor para enfrentar Rafael dos Anjos tão pouco tempo após o irlandês ter conquistado o cinturão dos penas pode ser perigosa para o UFC. Afinal, uma possível derrota de McGregor acabaria muito rapidamente com a aura que foi criada em torno do campeão. Seria muito pouco tempo para a organização colher os frutos do agora grande personagem.

O interesse das pessoas em McGregor existe, principalmente, pelo fato de o irlandês saber vender bem suas lutas, colocando-se como um atleta imbatível e capaz de realizar feitos que outros lutadores não conseguem. Por isso, sempre existe a expectativa de o atleta acabar fracassando ou então comprovando o que diz, atraindo atenção do público independentemente do que aconteça.

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Porém, para disputar o cinturão dos leves, McGregor entrará em um terreno totalmente desconhecido. Desde que chegou à organização, o irlandês não lutou entre os leves, atuando sempre entre os penas, categoria que lhe dá vantagem de envergadura e tamanho perante outros adversários. José Aldo, por exemplo, mede 1,70 cm, enquanto McGregor tem cinco centímetros a mais. Frankie Edgar e Chad Mendes, outros atletas tops da categoria dos penas, possuem 1,67 cm.

Nos leves, sua principal vantagem será anulada. Rafael dos Anjos, campeão e seu próximo adversário, tem os mesmos 1,75 cm, enquanto atletas considerados tops como Anthony Pettis, Donald Cerrone e Khabib Nurmagomedov são todos mais altos que o irlandês. Além disso, Rafael dos Anjos está mais acostumado a enfrentar atletas canhotos e com envergadura maior, algo que não era habitual a José Aldo.

Até mesmo uma vitória poderia ser prejudicial para Conor McGregor. Dana White já declarou, em diversas oportunidades, que gostaria que seus campeões lutassem pelo menos duas vezes por ano. Por isso, o mandatário do UFC sempre barrou a possibilidade de um lutador manter dois cinturões ao mesmo tempo, pois seria inviável manter o fluxo de lutas.

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Apostando que o irlandês é capaz de cumprir a “exigência”, Dana White permitiu que ele tentasse manter os dois cinturões. Mas, com isso, McGregor acabaria fazendo quatro lutas por ano, média superior a maior parte dos atletas do UFC. Com tantas lutas, aumenta a chance de o lutador acabar realizando algum confronto sem estar 100% apto e terminar derrotado, perdendo sua aura imbatível.

Por isso, o UFC acerta ao tentar fazer a primeira superluta de sua história, oportunidade que foi desperdiçada em outros momentos, mas corre o risco de perder a principal “galinha dos ovos de ouro” da organização caso algo dê errado. E Rafael dos Anjos tem muito potencial para acabar com a festa do irlandês.

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