Na outra ponta, para essas mesmas categorias de produtos também cresceu em 40% a importância da embalagem menor nas vendas. Na embalagem menor, o consumidor gasta menos na hora da compra, levando para casa uma quantidade reduzida de produtos. Por meio de um painel eletrônico ligado a 4.500 lojas do setor de supermercados espalhadas pelo País, a consultoria acompanha as vendas de 240 itens.

O iogurte em embalagens de até 360 gramas, por exemplo, que representava 3% das vendas em volume em 2014, ampliou sua participação para 5,4% no ano passado. No mesmo período, a fatia das embalagens maiores, com mais de um quilo, passou de 4,3% para 5,8%. Já os potes intermediários, com 361 gramas a um quilo, perderam quase dois pontos e meio de participação nas vendas, de 66,3% para 63,9%, apesar de representarem ainda a maior fatia.

 O crescimento de participação de vendas de embalagens pequenas e grandes e a perda da fatia das intermediárias se repetiram no ano passado em relação ao anterior para sucos prontos para beber, água mineral, amaciante de roupas, biscoitos, entre outros itens, aponta a pesquisa.

“A crise acelerou o efeito ‘ampulheta’ no consumo”, observa o analista de mercado da consultoria, Jonathas Rosa. Ele conta que, pela primeira vez, foi identificado esse movimento nas vendas no início do ano passado e, de lá para cá, essa tendência ganhou força.

Leia também:  Mais duas crianças morrem após incêndio e 43 pessoas seguem internadas

A polarização das vendas de uma mesma categoria de produto foi batizada pelos especialistas de efeito ‘ampulheta’ porque o crescimento ocorre nos extremos e os tamanhos intermediários perdem participação.

“Observamos o mesmo comportamento das embalagens se repetindo nas marcas”, diz o consultor. A participação nas vendas das marcas de preço menor e maior é crescente dentro de uma mesma categoria de produto. Segundo ele, esse movimento pode estar ligado à crise. “As classes sociais que sofrem menor impacto continuam comprando os produtos mais caros enquanto a grande maioria dos brasileiros busca marcas mais baratas”.

O efeito ‘ampulheta’ entre as marcas é nítido nas vendas de azeite. Segundo a pesquisa, a fatia das marcas baratas de azeite nas vendas, que era de 26,6% em 2014, subiu para 28,5% no fim do ano passado. No caso das marcas de maior valor, o movimento foi semelhante: de 33,5% para 44,6%. Já as marcas de preço intermediário perderam fatia de vendas: eram 39,8% em 2014 e caíram para 26,9% em 2015.

Leia também:  Jovem ressurge da morte após ser baleado, agredido com pauladas e enterrado vivo
Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.