Sem um cuidador para acompanhar o filho com paralisia cerebral na sala de aula, o pai Paulo de Moraes Sant’ana, de São Carlos (SP), decidiu deixar o trabalho como motorista e ir para a escola para fazer o papel do profissional que é obrigatório por lei. “Toda essa situação é um descaso, não só comigo mas com outras famílias que também têm filho especial”, desabafou. A secretaria da Educação afirmou que deu opções, mas a família não aceitou.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Paulo contou que no ato da matrícula para o 1º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Professor Andrelino Vieira, em dezembro, informou que Kauan, de 6 anos, precisaria de um cuidador.

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No início das aulas, porém, foi informado que ainda não havia um profissional designado para acompanhar a criança.
“A escola e a secretaria da Educação falaram que eu não tinha como fazer nada a não ser esperar ou trocar o Kauan de escola”, afirmou.

Sem a presença do profissional, ele decidiu abandonar o serviço e ficar com o filho na sala de aula. “Não conseguia ver ele chorar. Ele falava: ‘Papai, quero ir para a escola, estudar, brincar com meus amigos. Fiquei sem reação, chorei muito e, já que não tinha solução, tomei a frente e abandonei meu emprego para ficar com meu filho na sala e cuidar eu mesmo”, disse.

Ele adora conviver e estudar com outras crianças, então vou continuar fazendo isso até contratarem um cuidador”, contou Sant’ana.

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O apoio de cuidadores está previsto na legislação. A Lei 9.394/96 diz que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”.
E a Lei 13.146/15 afirma que cabe ao poder público assegurar a oferta de profissionais de apoio escolar para ajudarem no aprendizado, alimentação, higiene e locomoção das crianças com deficiência.

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