Casamento realizado em Comunidade Cuiabá Mirim- Foto Assessoria
Casamento realizado em Comunidade Cuiabá Mirim- Foto Assessoria

Emocionante, único e realizado em um cenário simplesmente maravilhoso. Foi assim o casamento do pescador Alcídio Júnior Carvalho Beralto, 21 anos, e da dona de casa Jennifer Helen dos Santos, 23 anos, na Comunidade de Cuiabá Mirim, situada às margens do Rio Cuiabá, entre os municípios de Barão de Melgaço e Poconé.

A cerimônia do casamento foi completa, teve tudo o que um casal tem direito para lembrar para sempre desta data. O dia já findava quando dezenas de moradores da comunidade se aglomeraram no quintal impecavelmente limpo da casa de dona Joana, à sombra das mangueiras.

A mesa de madeira desgastada pelo tempo, forrada com uma toalha singela, fez as vezes de altar, onde o casamento seria realizado. Com direito a cerimonial, organizado pela equipe do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, os casais de padrinhos foram deixando a casa de sapê e tomando seus lugares ao redor da mesa.

Na sequência entrou o noivo, acompanhado da mãe, que veio de Cuiabá para assistir à cerimônia. Minutos depois a noiva, guiada pelo sogro, entrou já enxugando as lágrimas. Neste momento a luz entrava de mancinho por debaixo dos galhos das árvores, deixando o cenário ainda mais único e inesquecível. O conjunto de luz e sombra trouxe ainda mais beleza para o local. O silêncio pantaneiro foi então tomado pelo som maravilhoso do sax tocado por um marinheiro, integrante da Marinha do Brasil.

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Assim, ao som de Over the Rainbow (Em algum lugar além do arco-íris), Jennifer foi conduzida ao altar para ser recebida pelo noivo. O casamento foi realizado com a presença do tabelião, Defensoria Pública, juiz, amigos, parentes e o comandante da Marinha do Brasil.

Casamento realizado em Comunidade Cuiabá Mirim- Foto Assessoria
Casamento realizado em Comunidade Cuiabá Mirim- Foto Assessoria

Para completar a emoção, o casal de porta alianças, Estela e Marcos, entrou com as alianças e uma flor para coroar o momento. O pastor Lúcio, da igreja onde os noivos frequentam, encerrou a cerimônia dando uma benção ao novo casal.

Depois do sim, da assinatura da certidão de casamento e da troca de beijos, uma chuva de arroz, sob o aplauso da comunidade ribeirinha, selou a união. Um momento, sem dúvida alguma, para ficar gravado na memória de todos que ali estavam.

“Eu e meu noivo resolvemos casar aqui porque moramos nesta comunidade, então é bem mais fácil do que ir até a cidade. A gente pensava que iria chegar aqui, assinar os documentos e pronto, já estaríamos casados. Nunca imaginei que eu teria tudo isso. Nós tão simples assim, ganhar uma festa tão linda destas. Não tem como não ficar emocionada. Quando que eu pensei na minha vida que ia casar com música ao vivo, tocada por um oficial da Marinha? Nem no meu sonho isso poderia acontecer. Eu estou feliz demais”, conta Jenniffer.

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Ao final da cerimônia os noivos ganharam de presente do comandante da Marinha, capitão-tenente Cristiano Muniz, uma fotografia impressa no navio da Marinha, como recordação.

“É um sonho realizado. Nós agora estamos corretos perante Deus e perante os homens. Eu não imaginava um casamento assim, achei que só iria assinar os papéis e pronto, mas não, tivemos um casamento completo. Nunca vou esquecer o que o pessoal do Ribeirinho Cidadão fez por nós”, assegura o noivo.

Quem também teve um casamento inesquecível foi o pescador Jailson Joaquim da Silva Conceição, 26 anos, e a pescadora Ana Paula Guaberto da Conceição, 23 anos. Após três anos de relacionamento e com um filho, os dois resolveram formalizar a união. O que eles não imaginavam é onde o casamento seria realizado.

“Fiquei em choque quando me falaram que o meu casamento seria no navio da Marinha. Eu jamais imaginava viver uma emoção destas. Valeu muito à pena ter vindo ao Ribeirinho Cidadão para formalizar a nossa união, porque acabamos ganhando de presente esta cerimônia maravilhosa. Tenho que agradecer a todos por terem tornado este dia em uma data tão especial. Fiquei muito emocionada quando o marinheiro tocou o sax. Brindamos e saímos da cabine com uma chuva de arroz. É algo que vou guardar pra sempre na minha mente. Um dia que jamais vou esquecer”, afirma Ana Paula.

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Para Jailson, casar na beira do rio, dentro do navio da Marinha, teve um significado muito grande. “Eu e minha esposa somos pescadores, então tem tudo a ver com nossa vida casar aqui. Agora o que eu nunca imaginava era casar em um navio da Marinha. Me achei um cara de muita sorte. Tudo muito especial e emocionante”.

Diversos casamentos foram realizados durante a parte fluvial do projeto Ribeirinho Cidadão. Ora nas chalanas, ora no navio da Marinha ou até mesmo embaixo de um pé de mangueira. Não importa o local, o que importa para estes ribeirinhos e ribeirinhas é que o sonho de casar e partilhar o mesmo sobrenome se transformou em realidade. Todas as cerimônias foram realizadas em um cenário bucólico e que representa a alma do povo pantaneiro. Os casamentos realizados durante o projeto não têm nenhum custo para os casais.

Projeto – O Ribeirinho Cidadão, desenvolvido pela Defensoria Pública do Estado, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, apoio do governo do Estado e diversas instituições, iniciou no dia 12 e encerra no dia 29 de fevereiro. O projeto foi dividido em duas etapas, fluvial e terrestre.

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